Game of Thrones – Episódio 13: What Is Dead May Never Die

Se o episódio anterior foi mais fraco, esse foi imperdível, interessantíssimo, de não desgrudar os olhos da tela. Aliás, de toda a série até aqui (contando a temporada passada), por uma série de fatores está entre os melhores. Mas sem mais delongas porque a resenha hoje ficou enorme vamos lá:

  • Uma nota número zero sobre a questão da adaptação: não dá para passar tudo para a tela ipsis literis, como já vimos na primeira temporada – e nem se espera que isso aconteça, são duas histórias em paralelo, a da TV e a dos livros, ponto. Até que os produtores estão se esforçando para manter a maioria dos personagens e tramas secundários, mas não dá para manter terciários e quaternários – se fosse adaptar tudinho, nem uma temporada de 20 episódios chegaria. Dessa forma, personagens foram fundidos, outros deixaram de existir, tramas foram condensadas e outras modificações do tipo. Até agora a trama está super fiel ao original dos livros, mas a partir deste episódio as mudanças começam a ficar mais pronunciadas. Não sou purista, aliás, longe disso, e quero ver como vão ser as coisa agora, ainda mais que este episódio mais do que nenhum outro levou em consideração as ideias do livro, mas muito pouco a forma como estas foram expostas.
  • Se alguém quiser um exemplo bem claro de transposição de mídia, tivemos uma aula nesse episódio. A cena de Tyrion negociando Myrcella a três pretendentes, com cortes rápidos e interposição de imagens, ficou simples, clara, elegante e utilizou-se de um recurso narrativo que não caberia em um livro, de forma rápida e eficiente. As opções de narrativa de um livro e de um filme são bem diferentes entre si e por que não explorar os recursos possíveis para obter os melhores resultados?
  • Por falar em Tyrion, é um casamento perfeito entre um personagem redondo e um ator para lá de competente. Os diálogos dele são sempre muito fortes, em especial neste episódio, e a interpretação está sempre no ponto e bem fiel ao espírito daquilo que o autor da série, ao criá-lo, gostaria de passar. Destaco em especial o diálogo dele com Varys (outro trabalho de atuação impecável por parte de Conleth Hill, já que se trata de um personagem que poderia facilmente tornar-se caricato mas não é o que ocorre, apesar de sua afetação) sobre o poder.
  • Sobre atuações: ano passado já tinha destacado Alfie Allen por seu Theon e esse ano então simplesmente não há o que dizer. Amando ou odiando, Theon é um personagem bastante complexo, que tem um dilema pessoal a cumprir – trair a família que o recebe com frieza e para quem ele é um desconhecido ou, para procurar ser recebido de volta por essa família, trair Robb Stark. A cena (não existente no livro) em que ele escreve uma carta a Robb mas decide não mandá-la, apesar de não ter nenhuma palavra, é muito forte. Dos jovens atores do seriado talvez ele seja a maior revelação, apesar dos sweethearts Jon e Robb serem quem aparece na mídia.
  • Agora indo para a história do episódio em si: Jonjonzinho descobre que a Night’s Watch não é exatamente lutar pelos fracos, oprimidos, amor e justiça em nome da Lua dos Antigos Deuses. Outro ponto interessante foi Sam (mais proativo na série do que no livro) e Gilly. Tão fofinhos os dois!!!! Uma pena que agora só devem se reencontrar na temporada que vem. (Ok, MINOR SPOILER  que é juntar dois com dois mas é bom avisar: geralmente se diz que os romances de A Song of Ice and Fire são de alguma forma problemáticos e que no fim das contas o único casal verdadeiramente apaixonado, ao menos no primeiro livro, seriam ironicamente Cersei e Jaime. Para mim, Gilly e Sam, apesar dos votos dele, também entram nessa categoria. FIM DO SPOILER).
  • Também temos Maester Luwin deixando bem claro para Bran que dragões, gigantes e crianças da floresta são apenas uma lenda. Eu diria que Daenerys discorda. Wun Wun também. A equipe de efeitos especiais chora.
  • Quem estava com saudades de Renly e Loras? Eles estão de volta, num ambiente alegre e descontraído que destoa do resto do mundo ao redor, como Catelyn bem ressalta ao visitá-los. E se Catelyn Stark dá uma lição de moral em você… reveja seus conceitos.
  • Falando nos dois, para novamente deixar bem claro aquilo que nos livros estava só sugerido, é o caso do rei e do cavaleiro que possuem uma história de amor. Com detalhes, beijo e pegação, sem medo de ser feliz.
  • Outra coisa que nos livros também só se sugere mas aqui fica claro: não, Renly não consumou o casamento. E uma Margaery mais velha, como Loras bem sugere, é apenas “oficialmente” virgem. Isso é importante mais pra frente. A cena também ficou muito boa, ser obrigado a fazer sexo com alguém por quem não se sente o mínimo de atração e isso simplesmente não funcionar.
  • Sobre Margaery: provavelmente a fundiram com a Vovó Tyrell. A aguardar as mudanças advindas disso.
  • Outra personagem muito interessante que estreiou essa semana foi Brienne, a moça alta (muito alta!) e andrógina que resolveu ser um cavaleiro. Assim como o Theon é um personagem muito complexo e confio na atriz escolhida para conduzi-la, principalmente quando ela se mostrar mais. Na série acho que ficou mais evidente o comparativo entre ela e a pirata Asha Yara Greyjoy, principalmente pela segunda ser interpretada por uma atriz bem feiosa: a atitude, a aceitação. Enquanto uma não é aceita e não se aceita, a outra tem uma atitude e segurança completamente diferentes. Isso faz toda a diferença e parece uma reflexão boba mas serve para a vida. A primeira pessoa a se aceitar tem de ser você mesmo e isso faz toda a diferença.
  • Sansa reapareceu (já estava com saudades) e a jovem atriz que a interpreta está ficando realmente muito bonita na medida em que cresce. Também um primor de atuação, que não precisou mais do que olhares e pausas para demonstrar os sentimentos da personagem. A cena também serviu para nos mostrar mais de Myrcella e Tommen, que ao contrário de seu irmão mais velho são crianças normais e até mesmo doces e piedosas.
  • Outra mudança nada sutil no livro ocorre aqui: Shae, a amante de Tyrion (cujo jeito meio “malandra blasé”completamente diferente da personagem do livro agora começa a ficar estranho – por que ele se arriscaria tanto por ela? Quero essa explicação na série) tornou-se criada de Sansa, coisa que só aconteceria muito mais pra frente no livro e em outras circunstâncias. Ok, trata-se da eliminação de terciários e quaternários, enxugamento de tramas e coisital, mas imagino consequências interessantes desse encontro. Sobre a cena em si: o desconforto recíproco de ambas com suas posições.
  • Sobre nossa fofíssima Arya: toda sequência foi alterada do livro, com mais detalhes sobre Yoren, com direito a uma batalha (e morte) muito apelona, uma motivação diferente para a abordagem (toda questão de Gendry, que também foi resolvida), um destino alterado para a espada dela e uma forma diversa de se chegar a Harrenhall, que espero ser a parada do próximo episódio (se é que ela aparecerá nele).

***

Até a próxima!

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4 Responses to Game of Thrones – Episódio 13: What Is Dead May Never Die

  1. Albarus Andreos says:

    Sua análise comparativa é simplesmente excelente! Fiquei de boca aberta. Não sou daqueles que criticam o filme baseando-se no livro, pois sei da diferença entre as mídias. Concordo com tudo o que disse e até fiquei espantado com algumas conclusões suas que são extremamente pertinentes e que nem havia me dado conta: a “Vovó Margaery” é uma tirada muito perspicaz de sua parte! Contudo, assistir a série e ver que determinado personagem não apareceu é descobrir que nos livros eles não terão atuações importantes. Isso é o maior SPOILER de todos, e feito pela própria HBO! Nos livros, contudo, por mais de uma dúzia de vezes, personagens para quem não dávamos nada, de repente tornam-se fodásticos! Memso assim não consigo deixar de assitir. Grande abraço!

    • Ahhh obrigada! Tem personagens que espero que eles deixaram para mais tarde (como o Montanha, que sei que ainda aparece nessa temporada),ou tramas que eles adiaram, mas concordo plenamente com seu ponto de vista…

  2. Marcela says:

    Ooii Ana!!!
    Eu continuo admirada pelo trabalho da HBO. Especialmente pq eu sou daquelas que sofre com adaptações de livros do coração… Isso definitivamente não está acontecendo nesse caso. Eu acho que estão fazendo um trabalho tão incrível (não canso de repetir) e eles tiveram umas sacadas muito boas para eliminar os terciário e quaternários que realmente não cabem na história.
    A sacada de colocar a Shae como ajudante da Sansa eu achei ótima. O comportamento da Shae, entretanto, como vc mesmo disse, tá muito estranho. Naaada a ver com a Shae do livro e não sei que rumo isso vai tomar. Aguardemos…
    A parte da Arya foi outra que achei ótima. Resumiu tooooda aquela peregrinação e sofrimento dela pra chegar em Harrenhall. E ainda nos poupou de ver cadáveres pendurados e estraçalhados… hahahahha
    Achei que a história do Renly se desenrolaria nesse episódio… Mas vai ficar pro próximo!

    Beijo!

    ;D

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