O Psicopata Americano – Bret Easton Ellis

Este é um livro… difícil de se começar a falar. Um livro difícil de se ler, também, por vários motivos (o primeiro e mais óbvio deles é a estilística, o autor tem obsessão – e por tabela o narrador, mas exploraremos isso mais tarde – de dar os mínimos detalhes sobre roupas, ruas, casas, marcas, menus… absolutamente tudo, o segundo é que a falta de propriamente uma narrativa na trama acaba por tornar o livro grande demais e meio enfadonho – de acordo com meus cálculos li uns quatro ou cinco livros em concomitante com este, quando não aguentava mais – e o terceiro é que na medida em que a trama avança, a violência se torna cada vez mais explícita e exagerada). Mas, pelo amor ao desafio, vamos lá.

A psicopatia, em resumo, é um transtorno psiquiátrico que representa a falta de empatia pelas outras pessoas ao seu redor (e que leva a frieza, insensibilidade, manipulação, egocentrismo…). Como toda doença, existem gradações, claro, e só uma minoria dos psicopatas se tornam assassinos seriais. Curioso que essa falta de sentimentos, segundo pesquisas, faz com que psicopatas sejam pessoas extremamente bem-sucedidas em suas profissões, já que não tem escrúpulos para subir na carreira…

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O que esperar da segunda temporada de Game of Thrones?

Se vocês não sabem ainda – ora, como não? – a segunda temporada de Game of Thrones começa agora, em primeiro de abril (não, não é mentira), com estreia simultânea na HBO dos EUA e na HBO da América Latina. Já acompanhamos a série ano passado (CLARO) e vamos acompanhar de novo, então podem voltar, serem bem-vindos e pegar a pipoca para acompanhar!

A pergunta que fica: o que esperar da segunda temporada da série? A primeira temporada foi um sucesso bem maior do que até mesmo os mais otimistas esperavam que fosse, virou febre e hit e ganhou uma legião de fãs por todo o mundo, merecidamente. Além disso, para quem já era fã, deu para ver que foi um trabalho de adaptação bem respeitoso com a fonte original e, além disso, com muito capricho de produção em cenários, figurinos e efeitos.

Então qual a expectativa para a segunda temporada? Vou listar alguns pontos:

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Jogos Vorazes – O filme

A primeira coisa a falar aqui, novamente, é o fato de que o filme é uma adaptação do livro, então se o fã espera que tudo ocorrerá ipsis literis como na história que ele conhece, sairá decepcionado. A segunda é que, apesar de ter gostado bastante do livro e recomendá-lo a quem pergunta, não sou exatamente fã – não participo de fóruns de discussão, não fiquei acompanhando em cima a produção do filme e nem nada disso, apenas sabia que iria assisti-lo fatalmente, o que tira um pouco do auê da coisa.

Dito isso, voltemos à questão da adaptação: quando se faz um filme, deve-se pensar em dois públicos, aqueles que já leram o livro e querem a história que conhecem na tela e aqueles que nunca tiveram nenhum contato anterior com a obra e querem que o filme seja auto-explicativo. Dessa forma, detalhes, personagens e acontecimentos devem ser condensados na duração do filme (no caso, 145 min), e muitos fatos serão refeitos, personagens terão de desaparecer ou farão uma participaçãozinha especial só para constar.

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Sopa de Letrinhas

A gente sempre escolhe algum critério para ler um livro, né. Seja o tema, seja o autor, seja o que for. Alguns dos critérios seguem alguma lógica (por exemplo, como devem ter notado por esse blog, ando tentando ler mais literatura mainstream, ou propostas diferentes dentro do gênero), outros não seguem muita (simplesmente deu vontade de ler um livro e pronto).

Uma das coisas que tinha me proposto uns tempos atrás era ler coisas de partes diferentes do mundo, o que também ando fazendo com sucesso (o Desafio Literário deu uma mãozinha bem a calhar) e está sendo muito gratificante.

Até aí, tudo bem, né.

Daí estava olhando a lista de resenhas do blog (você não sabia que ela existe??? Clica lá!!!!), que estão indexados em ordem alfabética. Reparei a frequência de A’s e C’s (coincidência, será?), e também bastante M’s e S’s – os N’s estão aumentando ultimamente – nos livros lidos.

Olhando com cuidado, também percebi algumas coisas curiosas: não temos resenhas de livros começados com K, O, Q, X, Y e Z. Ao mesmo tempo, temos só uma resenha para cada uma das letras I, L, T, U e V.

Agora fica por conta de vocês, queridos leitores. Tem títulos de livros legais para sugerir começados por essas letras? Não gosto de deixar espaços em branco nas estatísticas! 😉

Never Let Me Go – Kazuo Ishiguro

O reino das lembranças, ainda que sejam doces lampejos de uma infância feliz, são também carregados do peso daquilo que já foi e não será mais. De sentimentos e lugares que não voltarão, de dias que ficaram para trás, de coisas que só existem agora como memórias. Quando esses dias parecem mais luminosos do que o presente, ou quando você sabe que certas escolhas e atitudes que pareciam bobas na época te colocaram na exata situação onde você está hoje – e ela não é assim tão boa – essas lembranças se tornam ainda mais dramáticas.

Never Let Me Go (ou Não Me Abandone Jamais, no título do livro lançado no Brasil) é um romance do escritor inglês nascido no Japão Kazuo Ishiguro, que recentemente ganhou adaptação cinematográfica. Falando do autor (e depois de descobrir que há inúmeras análises literárias sobre ele publicadas fico até com medo de continuar essa resenha), é bom mencionar que os pais emigraram quando ele tinha seis anos de idade para a Inglaterra, fazendo com que crescesse num ambiente em que as duas culturas se mesclam. Seus trabalhos versam muito sobre as lembranças e a retomada delas para justificar as escolhas de uma vida, como pode ser observado em seu romance mais famoso, Remains of the Day (sou apaixonada pelo filme, Vestígios do Dia, e é um desses livros que quero MUITO ler). Ah, uma nota importante: o título tem tudo a ver com o romance.

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Distúrbio – Valentina Silva Ferreira

Ao contrário do que a capa pode dar a entender, este não é um livro de terror. Ou melhor, este é um livro sobre o pior dos terrores, aquele estritamente preso na realidade, que pode estar escondido atrás de cada porta e sorriso social.

Este é o romance de estreia da jovem autora portuguesa Valentina Silva Ferreira e é uma trama contemporânea, passada em Portugal (inclusive, como não poderia deixar de ser, tendo sido mantido o português português), e conta a história de Rossana, uma menina muito bonita e rica, mas que ao contrário da vida de fachada que parece ter e que é invejada por colegas e conhecidos, vive o inferno todos os dias. Desde a infância, é abusada física e psicologicamente pela mãe – que tem algum grau de sociopatia muito alto, diga-se de passagem – que, com inveja da beleza da filha, quer lucrar tornando-a modelo e extingui-la, para que ela possa ser por fim a mais bela (tem um equinho de Branca de Neve aqui, mas não há anões ou príncipes nessa história, apenas a inveja da beleza que vê outra florescer). Não bastasse isso, a esses abusos se juntam as sevícias sexuais praticadas pelo pai da menina, que não tem muito para onde correr.

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A Invenção de Hugo Cabret

Não sou muito de falar de filmes, até porque os assisto menos do que deveria e acho que há pessoas muito mais capacitadas do que eu internet afora. Mas quando se esbarra em um ponto bem acima da média, como ficar quieta? Ainda mais agora que toda euforia do Oscar se foi e a poeira baixou um pouco, talvez caiba falar um pouco sobre um filme que me impressionou bastante.

A Invenção de Hugo Cabret é a adaptação do livro de mesmo nome pelas mãos do diretor Martin Scorsese e trata da história de um menino órfão que vive numa estação de trem de Paris na década de 1930, buscando peças para terminar de restaurar um autômato, herança do pai relojeiro. No seu caminho, encontrará pessoas como o inspetor da estação (representado para todos os efeitos cômicos pelo Sacha “Borat” Baron Cohen), os comerciantes e passantes diários da estação de trem e um certo vendedor de brinquedos que é bem mais do que parece ser…

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