Clarissa – Érico Verissimo

A adolescência é uma fase peculiar da vida e essa transição entre a infância e idade adulta ganha contornos diferentes de acordo com cada época. Aliás, a transição entre o infantil e a maturidade pode ser vista não apenas em termos biológicos, mas também em outros lugares: o urbanismo (no começo das grandes cidades as coisas eram muito mais românticas e simples do que no caos megalopolitano de hoje, o encanto de ir ver um filme no cinema ou fazer o footing no fim da tarde existiam, assim como uma proximidade entre vizinhos que parece impensável nos dias de hoje) ou mesmo o caminho entre os primeiros trabalhos de um autor e aquelas que seriam suas obras-primas.

Clarissa é o livro de estreia de Érico Verissimo e ambos, criador e criatura, possuem muito em comum: ela é uma mocinha sensível, ingênua e sonhadora que saiu da estância da família, no interior, e foi fazer o curso normal em Porto Alegre, na década de 1930 (a cidade não é citada em nenhum ponto do texto, mas por vários elementos textuais, como expressões regionais e referências ao seu lugar natal é fácil inferir). Lá, ela mora na pensão da tia e vemos o dia-a-dia tanto da menina que descobre aos poucos, e não sem surpresas e choques, o mundo adulto, quanto dos demais moradores da pensão e seus vizinhos, de idades e ocupações variadas na vida.

Leia mais deste post

O papel aceita tudo…

Quarta-feira de cinzas, todo mundo com aquele climão de ressaca (convenhamos que mesmo quem não gosta de carnaval gosta de feriados, né?) e retomamos os trabalhos do blog! Hoje, para dividir um pouco de revolta…

Passeando pelo twitter, vi a seguinte foto sendo retuitada. Fiquei horrorizada com o conteúdo. Como um livro na sessão infantil pode trazer uma “dieta especial para meninas”? A paranoia de dietas da nossa sociedade precisa começar ainda mais cedo do que ela já começa? Claro que a editora lança o material porque existe demanda, mas há pais que permitem que suas filhas comprem esse material e comecem dieta em plena fase de crescimento?

Fui pesquisar sobre o livro e achei a sinopse:

Leia mais deste post

Traduções fresquinhas nas prateleiras!

A gente critica tanto que quando acontece alguma coisa para elogiar é bom ficar registrado, né?

Com muita surpresa, soube que agora em janeiro foi lançada a edição nacional do livro O Rei Mago, continuação de Os Magos, de Lev Grossman. A capa ficou bem bonitinha, seguindo bem o estilo daquela do livro original (apesar de não ter lá muito a ver com a trama em si), mas a grande surpresa ficou por outro fator: este não é exatamente um livro badalado (apesar de rumores cá e lá sobre uma série de TV a caminho), tampouco um sucesso estrondoso que figurou por semanas na lista de mais vendidos. Trata-se de uma série de fantasia muito boa, sim, mas que está longe de ser o bestseller que vem escorado por filme ou série de TV.

O original saiu em agosto de 2011 nos EUA… e a tradução em janeiro de 2012 no Brasil! Achei isso simplesmente fantástico, bola dentro da editora Amarilys! Saiu antes mesmo do paperback/pocket em inglês a preço camarada chegar aqui (e não, não pago 60 reais ou mesmo mais por um livro em inglês que não tenho urgência em ler) – ou seja, só o tempo justo da tradução e toda produção editorial em geral, para não deixar nenhum fã na mão.

Outra nota, neste mesmo sentido, mas de uma série que se tornou um pouco mais conhecida, as Crônicas do Matador do Rei, é que o livro O Temor do Sábio foi lançado em novembro de 2011, sendo que o original saiu nos EUA em abril. Novamente, o tempo da tradução e produção, sem que o fã precise esperar por meses a fio para o prosseguimento da série.

É uma boa perceber isso das editoras, em trazer livros que não estejam na mina de ouro dos young adult e não deixarem os lançamentos “esfriarem”. Um dia ainda retomo o raciocínio, mas na minha cabeça fica muito claro um círculo vicioso onde os leitores consomem o material em inglês porque “nunca vão lançar no Brasil mesmo” e as editoras não lançam porque não tem para quem vender. Bom saber que coisas diferentes estão vindo e até rápido, sem precisarem vir na rabeira de filme ou de série, e que há interesse e cuidado o suficiente para que os lançamentos de livros um pouco fora da zona de mais vendidos saiam, e saiam com rapidez.

(e, claro, esperem pelas resenhas de ambos os livros aqui em algum ponto desse ano xD)

***

Até a próxima!

Os Homens Que Não Amavam As Mulheres – Stieg Larsson

Se tem um assunto sensível para mim, por razões que vão além do óbvio, é a violência contra a mulher, em especial quando violência doméstica. Podem reparar que os assassinatos de mulheres que saem na mídia foram cometidos por seus companheiros, inconformados com o fim do relacionamento, ou para acobertar o abuso sexual cometido por estranhos. Também tem os casos de agressão e abuso que não acabam em morte, mas também não acabam – ou só muito raramente – na punição dos agressores. É um quadro que tem muito de cultural, muito de uma cultura machista – onde a mulher é “posse” do homem, onde a vítima de abuso sexual “também provocou”, onde “em assunto de família ninguém se mete”. Passos são dados, mas muito ainda precisa ser feito a esse respeito.

Dito isso, vamos ao livro de hoje, Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, do sueco Stieg Larsson. O livro foi uma verdadeira coqueluche quando saiu no Brasil, lá pra 2008 ou 2009, desses que todo mundo leu, mas o preço proibitivo me inibiu de comprar. Acabei comprando em 2010, mais por impulso do que por reflexão consciente, numa oferta da Bienal de BH. Coloquei na estante e pensei: “livro grande, preguiça”. Vim ler só esses dias por culpa da exibição da adaptação americana do livro (apesar da sueca também ter chamado bastante atenção quando saiu), o que atiçou minha curiosidade.

Leia mais deste post

Um Freio na Compulsão

Voltamos à base operacional do Leitura Escrita e agora é hora da tradicional faxina de início de ano, separar o que tem de ser guardado do que tem de ser descartado, limpar e organizar para começar o ano que se avizinha (bom, já estamos em fevereiro, então posso dizer que estou com um mês de atraso :P).

Como já mencionei antes, acabei exagerando a mão nos livros do ano passado. Lembram que eu tinha feito uma lista, um levantamento de tudo o que tinha comprado? Descobri 23 livros nos quais nem toquei, comprados só em 2011. Isso é muita coisa e se somar com os exageros de 2010 (quando também sobrou muita coisa) e outros anos… bom, quase soterrada em livros que não li.

Sei que é quase impossível resistir ao canto de sereia daqueles lindos livrinhos em livrarias, físicas ou on-line, mas tenho de dar uma segurada. Infelizmente dinheiro não dá em árvore e muitas vezes o que está indo em livros está faltando para alguma outra coisa. Não estou dizendo para parar de comprar livros, até porque não vou fazer isso (e já que topei o desafio literário, vou ter de adquirir uma coisinha ou outra, até porque meu cartão de biblioteca já era 😦 ), mas se existe uma coisa na vida que nós devemos evitar, estando ao nosso alcance, é o desperdício. Principalmente, eu diria, o desperdício do próprio dinheiro.

Como já disse, desde ano passado quando minha estante desabou fiz um inventário de quantos livros tinha adquirido ao longo do ano (ganhado, comprado, emprestado) e enquanto essa lista não diminuir, ando segurando o máximo possível meu consumismo. Aliás, fazer listas, percebeu o quanto já se gastou em algo, é uma excelente forma de olhar para suas próprias coisas e ver onde estão os exageros e dar um jeito de corrigi-los.

Por exemplo: são 23 livros não lidos (alguns duvido que lerei algum dia), isso só em 2011 (ainda pretendo fazer um levantamento dos anos anteriores). Por que não ler esses livros, diminuir para talvez uns dez não lidos, ou menos, quem sabe, antes de superlotar a estante de novo, e só comprar lançamentos que realmente interessam, sem empolgar com ofertas e nem com a vontade de ler este ou aquele livro?

E você, caro leitor? Anda comprando mais livros do que dá conta de ler? Está soterrado por uma avalanche literária? O que anda fazendo para dar um jeito em todas as leituras?

P.S.: Já comecei a contabilidade de 2012, até agora entre ganhados e comprados foram nove livros, dos quais li seis. Parece bom, não?

Até a próxima!