A Esperança – Suzanne Collins

Como vocês podem relembrar aqui e aqui, o blog está acompanhando a trilogia Jogos Vorazes, e nada mais natural (ainda mais sabendo que a adaptação para o cinema estreia no começo do ano que vem) do que conferir o volume que encerra a franquia (e encerra mesmo, sem chances de continuações) – ainda mais quando o segundo livro, Em Chamas, terminou completamente em aberto.

Vamos lá: o primeiro Jogos Vorazes foi um livro que me pegou desprevenida – apesar de conhecer a história em linhas gerais, de nenhuma maneira poderia esperar o que encontraria ali, e fui pega de surpresa pela trama bem mais densa do que o normal de romances young adult, por uma personagem que podia se lamentar demais mas que também era bem mais forte do que as protagonistas de young adult geralmente o são, de uma tensão seja ela física ou emocional também bem mais intensa do que a média.

Só que esse imediatismo, essa tensão,  acabou sendo diluída pelos livros seguintes e A Esperança, o fecho da série, encontra-se aquém de tudo o que o primeiro livro prometeu. Bom, vou precisar de alguns spoilers (mas não tantos que a leitura fique insuportável) para resenhar, então se você não leu os livros anteriores, esteja avisado.

Em Chamas termina em um cliffhanger, então A Esperança (e que traduçãozinha chulé do título, hein? O original é “Mockingjay”. Não sei se “O Tordo” seria mercadológico o suficiente, mas o que “A Esperança” tem a ver também?) já começa agitado, com a descoberta de um plano rebelde para derrubar de vez a Capital. E se a Capital é uma sociedade consumista opressora, os rebeldes se aproximam bastante da ideia de comunismo – e mesmo uma guerra fria forçada. No livro afirma-se que a Capital não destruiu os rebeldes porque “eles tinham armas nucleares”. Sério, me pareceu um argumento meio incompleto para uma trégua de mais de 80 anos, que culminou na criação dos Jogos.

E aqui a coisa flui de forma diferente dos livros anteriores. Não há mais jogos, Katniss não precisa voltar para a arena: o campo de batalha agora é o mundo real, a revolução real. E, como em qualquer guerra, ela também é manipulada, um joguete nas mãos de interesses que só agora começa a mensurar. E sem organizadores para intervirem se as coisas saírem de controle.

Óbvio que a guerra não tem nada de bonito e glamouroso – coisa que a autora explora bem aqui, um caldo cultural interessante de uma geração que cresceu vendo seus jovens sendo mandados para morrer no Afeganistão e Iraque e por que mesmo? Pelos grandes comandantes que mandam os pequenos morrerem em seu lugar? E dá-lhe desumanização e violência, de todos os lados envolvidos.

Aí começa uma das minhas críticas. Como disse, a autora faz questão de mostrar que não há glamour nenhum na guerra e na destruição, muito pelo contrário, mas acho que ela erra a mão na violência. É aquela coisa: ultraviolência choca a princípio, mas depois você passa a não se importar. A coisa fica tão desumanizada (e exagerada, a cena do campo de feridos apesar de não ter me pegado de surpresa me tocou, mas a invasão da Capital e suas consequências já tinham um tom de exagero tão grande, de pessoas explodindo, membros voando, sangue escorrendo, que eu “desliguei” as emoções. Até uma cena que deveria ser MUITO emocional me passou batida – já estava anestesiada de tudo aquilo mesmo…) que os sensores de empatia acabam por falhar de determinado ponto pra frente.

E entra a parte da coerência e verossimilhança: não tem mais de 1 milhão de pessoas vivas no mundo conhecido, pelo que dá a entender. Agora, com toda carnificina, quem produzia comida? Roupas? Recursos energeticos? Ainda mais com gente morrendo aos tubos? E os sistemas de defesa da Capital – do que seria útil travar uma guerra se a própria cidade pode destruir todos os seus habitantes? Claro que dá pra tirar um viés crítico disso tudo, mas fica aquela sensação de “aham, eles não estão com os milhares de outros problemas que a redução súbita de população traria”.

Outra coisa em que a história se perdeu: nos personagens. Katniss, a garota que tinha de lutar para sobreviver, no primeiro livro e no segundo, continua em sua luta, mas foi dominada pelo encosto da insegurança. Se antes ela podia ser suas dúvidas internas mas seguir em frente, agora os acontecimentos precisam empurrá-la, e ela se achando a pior pessoa do mundo. Tudo bem, ela tem só 17 anos e está passando por situações de stress emocional intenso, mas ainda assim. Não é a mesma garota dos livros anteriores. Mesmo Peeta: QUE DESPERDÍCIO DE PERSONAGEM!!!!!  Até porque uma das coisas que faz o Jogos Vorazes ser imperdível, na minha opinião, é não saber o que se passa pela cabeça dele, podendo só desvendar as peças pelo que Katniss observa. Aqui, não – ele até tem seus momentos de sagacidade e até é melhor aproveitado do que em Em Chamas, mas ainda assim é um personagem perdido…

Agora, o que mais me incomodou no fim das contas: o desfecho, o desenvolvimento das tramas. Achei preguiçoso, malfeito mesmo. Dava para ter matado os mesmos personagens (e aqui a regra do no one is safe existe de verdade) e fazer tudo ser muito mais impactante. Dava para levar os personagens a tomarem as mesmas decisões (e aqui tem duas que não me desceram pela garganta mesmo já tendo fazendo quase um mês que li o livro, ao menos uma delas retomo mais tarde) de forma mais coerente, mas não foi…  Foi um final pobre, sendo que poderia ter sido bem melhor construído. Inclusive, a cena que deveria ser a coisa mais chorável do livro, me passou batidinha batidinha. Tive de voltar e reler pra entender o que tinha acontecido =P

O que nos chega na forma mais COVARDE que já vi de um autor resolver um triângulo amoroso. E não, não foi matando um dos vértices. Aham, um relacionamento vai acabar por um motivo que a própria pessoa reconhece como estúpido e injusto – e parece que a Katniss resolveu na base do “não tem tu, vai ti mesmo” no fim das contas. (pra nem falar que violência gráfica pode, tortura psicológica pode, mas sexo tá completamente fora de questão na série – e seria perfeitamente coerente no contexto a Katniss ter um romance mais carnal tanto com Peeta quanto com Gale).

Bom, para terminar. O primeiro Jogos Vorazes é realmente excelente, é uma proposta bem diferente da média da literatura para jovens que se vê por aí, trabalho narrativo é muito bom (principalmente o final, quando a autora dá uma cartada de mestra no leitor), os personagens seguram o livro até o final, é um livro que recomendo. O restante da série… Apesar de continuar bom, tá num nível bem abaixo do primeiro. São acima da média se comparados com o público, mas a série não conseguiu oferecer aquilo que prometia no primeiro (que é um livro com grande chances de releitura em algum dia da minha vida).

O melhor é saber que um público mais jovem aceita, sim, uma história mais densa e politizada, e que até abre portas para as grandes distopias, como vi acontecer com leitores do fandom por aí.

***

Quer ler o livro também? (SubmarinoA coleção Jogos Vorazes inteira)

***

Até a próxima!

Anúncios

28 Responses to A Esperança – Suzanne Collins

  1. Só uma observação: não daria para traduzir “Mockingjay” como tordo porque é uma ave imaginária, que supostamente resultaria do cruzamento do “jabberjay” (outra ave imaginária e supostamente mutante, literalmente “gralha-tagarela”) com um “mocking bird” (sabiá, mas literalmente “pássaro zombeteiro”). Seria algo como “gralha-sabiá”, ou “gralha-zombeteira”.

    • Entonces, mas traduziram assim o nome do bicho nos outros livros. Se a tradução per se é questionável daí são outros 500, ouvi falar que a tradução da série foi bem problemática (mas só “ouvi falar”, como não li o original não tenho como comparar…)

  2. Eu concordo totalmente com você, A Esperança é o livro mais fraco da série e deixou a desejar. O momento importante que você mencionou, também não me tocou e tive que reler para entender o que tinha acontecido. Achei forçado. Concordo também quando você diz que vários momentos podiam ser feitos de maneiras diferentes, mas com as mesmas conclusões.

    A Esperança podia ter uma escala muito maior e se desprender das regras dos Jogos Vorazes, mas Suzanne Collins insistiu em manter um “padrão” e no final a guerra me pareceu mais um jogo.
    O final foi interessante por um lado, pois a autora manteve as cicatrizes e traumas dos personagens, mas também achei que o triângulo foi resolvido de maneira apressada.
    Enfim, ainda acho o primeiro livro um dos melhores que li nesse ano. A mistura de Battle Royale com 1984 sempre me pareceu muito interessante. Infelizmente, a trilogia não teve o final grandioso que eu esperava, mas no geral a série é muito boa.
    A resenha foi ótima, parabéns.

  3. Luca says:

    Eu discordo. Achei tão real… ela não fantasiou um fim feliz, porque era impossível ser feliz com aquele cenário… Terminou exatamente da forma como eu esperava, cruel e real…. Quando você assume uma responsabilidade e se propõe a fazer algo pelo qual sacrificaria sua vida, isso pode ser tocante e emocionante para quem está de fora, mas a verdade é que sua vida vai ali. E quanto a Gale e Peeta, quem nunca sentiu amor grande por duas pessoas, sabe o quanto é dificil ter que escolher ou abrir mão de alguém na sua vida. A única coisa ruim da série toda é o puritanismo.. faltou sexo.

    • Acho que ela ficou insegura demais no último livro. Ok, insegurança é natural, ainda mais numa situação como a dela, traumática para todos os lados, mas achei exagerada. O mundo acabando e ela não conseguindo ligar o automático, pensar muito mais no que tem de ser feito no que ela acha que deveria ser feito – como ela fez nos outros dois livros.
      Quanto a Gale e Peeta… Primeiro, ela não escolheu, ela foi escolhida, ficou com quem voltou para ela. Segundo, o motivo que fez ela descartar um dos vértices foi um motivo que ela mesma sabia que era injusto, se parasse pra racionalizar. Achei que tanto ela passou por cima de sentimentos mais profundos (o que aconteceu foi uma fatalidade, se era para a pessoa ser culpada de alguma coisa era por ter lutado na guerra – ou mesmo da decisão que queria tomar no Distrito 2) quanto a pessoa, que parecia disposta a aceitar tudo por ela, desistiu fácil demais. A covardia em resolver não é tanto dos personagens, mas da autora como narradora mesmo. Ela poderia ter feito a Katniss escolher, o que nunca aconteceu. Ou ficar sozinha (já que poliamor numa trama que nem sexo tem seria pedir demais…).

  4. Gabi Kato says:

    Finalmente terminei o livro e pude ler a sua resenha sem medo. =)

    Concordo a aparente preguiça dela com a resolução do triângulo amoroso, mas durante a série inteira nunca me pareceu que os rapazes estivessem em pé de igualdade pra ela. E, bom, por mais passiva que tenha sido, ela meio que escolheu ao resolver não ir atrás (mesmo que por apatia ou um acúmulo dos descontentamentos com as decisões dele, que só precisava de uma gota d’água).

    E quanto às mortes, na série inteira foi um ponto fraco da autora. Nem no primeiro livro chegaram a me impressionar durante as cenas… e foi isso o que pesou na hora das mortes mais… importantes.

    • A preguiça foi mais da autora do que na personagem, no caso. Lembro uma vez lendo uma autora falando sobre sua história, ela falou que o triângulo amoroso seria em segundo plano, pois “se você tá em dúvida entre dois é porque não gosta de nenhum de verdade”. No caso da Katniss eu senti bem isso, no fim ela não gostava pra valer mesmo de nenhum deles.

      E não senti impacto nenhum nas mortes do terceiro livro…

      • Gabi Kato says:

        (Hahaha, ops, me expressei errado na frase sobre a resolução do triângulo, que se referia mesmo à autora. )

        Pois é, do primeiro ao último livro, a autora não conseguiu colocar impacto nas mortes. O que é uma pena. Mas, de modo geral, ela até que deu uma equilibrada, na hora de mostrar o impacto que tudo isso teve na protagonista, quando Katniss fica relembrando e remoendo até tomar alguma decisão.

  5. Francisco says:

    Li a resenha, e devo dizer que discordo completamente.

    Terminei o livro hoje mesmo, e fiquei a tentar entender muitos pontos negativos que você citou em sua crítica. Primeiro, sobre a violência. Fui esperando algo horrendo, e vi algo… Real. A cena no centro da Capital, com gente morrendo a torto e a direito, não passou nada mais que o real. Ou honestamente, alguém aqui acha que um pandemônio faz as pessoas apenas saírem correndo por suas vidas? Pelo contrário, não só o livro como a trilogia em si é muito competente nisso, mostrar a miséria e decadência humana, frente ao perigo iminente. Não vi esse exagero na descrição citado. Afinal, seres humanos são instintivos, imperfeitos. Queremos viver. E quem quer viver, no fim das contas, faz de tudo para isso. Nem que seja empunhar uma arma, e sair disparando em quem representar um risco a sua vida.

    Outra coisa que estranhei foi sobre Peeta. No começo, também não fiquei muito satisfeito com esse tratamento que havia sido dado a ele, mas no fim vejo que isso ajudou para o personagem, deu vida nova a ele, e foi, vamos concordar, imprevisível. O elemento surpresa, dali em diante, se tornou saber até onde ele era uma ameaça para o grupo, e até onde ele iria se recuperar, o que, no final das contas, ao meu ver, tornou o personagem ainda mais imprevisível.

    As mortes de certos personagens, em particular, também não me agradaram, mas novamente, trago a ótica do real: Collins mostrou saber abordar sobre isso com exímia destreza, tal como [SPOILER A FRENTE] a morte de Finnick. Ele simplesmente teve o azar de ser pego e morto ali, da forma mais realista e surpreendente possível. Tropa de Elite 1 e 2, por exemplo, tiveram mortes de personagens queridos nesse mesmo estilo, e nem por isso deixamos de vangloriá-los no momento certo, e sentir suas perdas. Mesma coisa aqui. Na realidade, não temos momentos honrosos, menções, “o último adeus”. Quem está numa perseguição desenfreada, e é capturado pelo seu algoz, morre ali mesmo, em questão de segundos. Por mais que seja triste despedirmos de personagens bacanas assim, esse tipo de tratamento, diferente do que ocorrera nos outros dois livros, deu um ar novo a obra, a meu ver.

    Por fim, o final. Ainda preciso entender o que querem dizer com “final pobre”. Não havia muito o que se explorar ali. Queriam uma última despedida para Gale? Katniss indo se certificar que Cinna estava realmente morto? Sua vida já havia sido despedaçada, Haymitch a trouxe de volta para cuidar dela, e Peeta estava lá para se curar, e curá-la. Para mim, foi um final realista, e ao mesmo tempo, bem conclusivo. Não havia muito o que rodar na vida dos outros.

    Porém, não nego que Gale merecia um desfecho melhor, ainda que tenha achado o fim que ele tomou… Decente.

    • Francisco says:

      Ah sim, sobre Katniss: vi muitos falarem sobre como ela ficara frágil e inútil, e nem cheguei a achar tudo isso não. Quero dizer, tudo bem que ela sobrevivera a duas edições dos Jogos Vorazes, mas vamos concordar que a mente humana pode se deteriorar do nada, como também agir como um copo d’água, e transbordar a qualquer momento. Pirar, seria o mínimo que ocorreria com ela, e Coriolanus Snow era um homem inteligente. Manipulou-a com Peeta pois ela estava pronta a dar sua vida por ele, nos Jogos passados. Com certeza sua tortura a destruiria por dentro, porque, no final das contas, ela demonstrava se preocupar tanto com ele, quanto com qualquer um de sua família.

      • Vou precisar de mais spoilers do que estava disposta rs
        – Quanto à tomada da Capital, o problema não foi nem tanto as pessoas correndo desesperadas pelas suas vidas e matando umas às outras enquanto isso. Aliás, o problema estava um pouco na violência do livro inteiro: a carnificina tão grande, pelo que dava a entender, que a guerra acabaria logo pela destruição de ambos os exércitos. E uma cidade que se auto-implode com requintes de sadismo também é um exagero. Como isso, enfeites narrativos à parte, funcionaria na prática? A cidade inteira montada sobre uma estrutura de auto-destruição? Para uma força que gostaria de manter o próprio poder, isso é factível? Não achei. Mais pra frente, o bombardeio das crianças, é factível numa guerra onde ambas as partes jogam em modo suicida, ainda mais se as suspeitas finais de KAtniss estão certas.
        – Não foi a morte do Finnick que me incomodou. Foi a outra morte, se era para ela ter tido algum impacto maior… não teve. Achei muito forçada. Só acho que toda perseguição, todo assalto final, poderia ter sido feito de forma diferente.
        – Quanto ao Peeta permaneço com a opinião inicial. Dava para ter aproveitado o personagem de forma melhor, o que acabou não acontecendo.
        – A pobreza do desfecho, nem tanto no final, não é sobre a Katniss terminar destruída por dentro (não havia outro destino possível para ela), nem esperava que Gale tivesse uma cena de despedida. Era muito mais o que se passou na cabeça da Katniss ao escolher não decidir (ou mesmo quando ela aceita que hajam novos Jogos Vorazes, como vingança, como contrário a tudo o que ela tinha pensado até aquele momento). Podia ter tido mais capricho nas mortes finais, no fim da guerra, no pós-guerra e na resolução do triângulo amoroso, coisa que não aconteceu. A autora poderia ter terminado da exata mesma forma, matar quem matou, terminar como terminou, e fazer isso bem melhor do que de fato fez. Faltou capricho e trabalho, na minha opinião.

  6. Pingback: Retrospectiva 2011 « Leitura Escrita

  7. Pe says:

    Acho que essa é a resenha sobre esse livro (das que li até agora) com que mais concordo, não muito nos detalhes, mas na impressão geral de que a história é meio mal escrita. Você fala da desumanização, que não nos deixa sentir o impacto de tanta violência, mas isso não seria um problema se a escrita tivesse o objetivo de passar essa desumanização mesmo (afinal, a guerra acaba desumanizando). Mas dá pra perceber que a intenção é passar a dramaticidade da situação, pelas descrições de diferentes coisas horríveis (para desumanizar de fato, uma descrição mais geral talvez fosse mais eficiente, mostrando como aquilo tinha se tornado tão comum que nem merecia mais muitos detalhes), e o estilo não ajuda, vai cansando, e você não se surpreende mais com os ataques como deveria.
    Sobre a morte principal, só senti o quanto foi dolorosa quando o gato apareceu para a Katniss, porque antes disso parece que nem ela mesma tinha sentido, o que é justifcável se considerarmos que ela estava entorpecida, em choque. Esse foi um momento bem explorado.
    Mas o que mais me incomodou mesmo foram as descrições imprecisas. Por exemplo, não entendi por que eles tiveram que ir para os túneis da Capital por uma passagem se, quando chegam à entrada dos túneis, é dito que ali tem uma porta em que está escrito “Serviço” e que dá para os fundos de um apartamento – quer dizer, eles se espremeram pela passagem quando poderiam ter ido pelo apartamento, e o motivo disso não é explicado (se foi porque tinha gente nos outros apartamentos, ou porque eles não queriam deixar pistas ou outro motivo). Sem contar a menção ao tablete cadeado, um termo que não tinha aparecido ainda para se referir à pílula. E também fiquei imaginando como conseguiram esconder um arco nas roupas e as algemas do Peeta enquanto andavam na Capital, da mesma forma que fiquei imaginando como se dorme em um saco de dormir em cima de uma árvore no primeiro livro (ok, são detalhes, mas deixam as coisas meio inverossímeis). Outra coisa: em uma hora a Katniss vota por uma última edição dos jogos, e depois, quando está trancada durante seu julgamento, começa a dizer para si mesma que um mundo em que existem esses Jogos não vale a pena, nem se lembrando que ela tinha votado a favor da última edição, no sentido de se arrepender (parece que ela nem votou a favor, na verdade).

    Para resumir, eu acho que o problema está no estilo da escrita e nas explicações para várias coisas que não são aprofundadas (de fato, por que passaram 75 anos sem atacar o 13 e decidem fazer isso logo quando ele está de volta com toda a força e já avisado de que vai ser atacado? Não teria sido mais inteligente adiar o ataque depois do alerta de Peeta ou ter atacado assim que resgataram a Katniss? E como assim as bombas não atingem a entrada da Noz? Uma entrada para uma montanha tem que ser em um ponto externo, senão não é entrada nem saída.). Mas o livro pelo menos passa uma ideia geral crítica, parecida com a da Revolução dos Bichos em relação à Coin e à Paylor (que é quem manipula a Katniss por último), e faz um alerta sobre o poder do entretenimento.

  8. Mauricio says:

    Concordo com alguns pontos. Achei o livro muito cruel, muita morte mesmo e tudo passa tão rápido que você quase nem vê passando. Só me apeguei a um personagem, o Peeta, e achei uma crueldade o que a autora fez com ele.

    Ela também deixa uma ponta solta: O final de Tigris, aliás ela nem explica se ela era uma bestante ou não.

  9. Grazy says:

    Eu concordo em praticamente tudo. Ela poderia mesmo usar mais paginas pra dar um final decente a muita gente ali. Haymitch, Peeta… o desperdício desses dois personagens me doeu, mas do de Peeta do que dos outros. Ele no primeiro foi a maior sacada de todas. Achei que ele seria vital na trilogia e não usado meramente como ” o cara que voltou ”. Senti falta de sexo também, houve só uma insinuação, bem no finalzinho. E a carnificina dela foi tamanha que realmente, a parte mais impactante eu nem entendi direito. Fiquei com sensação de anti-climax na verdade. A Mockingjay terminou como uma pária, que nunca fez uma escolha e se perdeu no caminho da própria vida. No terceiro deveria ter mais ação, estrategia e não tanto sangue e loucura. Foi um caos, eu mal entendi e me senti entediada nas ultimas cinquenta paginas. As mortes de personagens queridos deveria ser melhores, bem melhores, mais bem exploradas. Foi tudo corrido. Hunger Games 1 é o melhor dos três, com certeza.

  10. Henrique says:

    Discordo de alguns pontos da critica e concordo em outros. Em relação à ultraviolência e à carnificina, acho que seriam necessárias, mas foram trabalhadas de forma extremamente errada: humanizou demais os habitantes da capital, falando de crianças e civis ‘inocentes’ e coisas do tipo. Katniss se perdeu completamente no meio de Em Chamas, de lá pra frente só foi uma adolescente habitual tomando decisões ridículas por empurrões alheios, causando a morte de alguns pela falta de liderança que devia haver nela. No geral, a narração em primeira pessoa, que tinha sido o ponto alto até Em Chamas, se transfornou num caos em diversos pontos, já que a Katniss esteve insana 80% do tempo e digamos que não é interessante ler uma narrativa de uma louca. Peeta foi ‘injustiçado’, se é que se pode usar um termo desses pra um personagem; o que fizeram com ele, achei fantástico, aquele foi o momento do livro em que mais desejei a morte de Snow. [SPOILERS FORTES] Em relação à morte de Prim, como alguém já disse aqui, só senti quando o Buttercup chegou na Katniss. Foi de péssimo gosto jogar ela lá pra morrer, desnecessário até o último nível pois a crueldade com as crianças já sujaria Coin o suficiente. Enlouquecer mais a coitada não ajudou em nada o desenvolvimento do final do livro, muito pelo contrário. Senti um final apressado também, como quem TINHA que se resumir às 420 páginas, sendo que poderia ter fechado até com 500 desde que o fizesse direito. Entre outros detalhes, senti muito a morte de Boggs (que achei fantástica a maneira como foi retratada, extremamente em meio a nada) e a de Finnick, que se tornou, creio eu, um segundo Peeta pra todos que leram a série. A captura de Gale também foi confusa e forçada, já que se Katniss conseguiu fugir, não era ele que ia ser capturado, né? Enfim, o livro dá um efeito completamente oposto à Em Chamas, que começa terrivelmente chato com a Turnê da Vitória e os quotes de Crepúsculo sobre “Peeta ou Gale, ó senhor?”, e tem seu desfecho de maneira fenomenal: A Esperança começa extremamente pilhada, numa onda de informações novas; tem mortes fenomenais e você não sabe nem se a própria narradora sobreviverá até o final (ou manterá a sanidade, o que aparentemente é bem difícil), porém ao chegar nos desfechos, tem-se uma pressa descomunal em atar nós desatados, porém com uma qualidade completamente inferior à normal já conhecida. Não sei se fui só eu, mas imaginava um grande diálogo com Snow, ele falando sobre a política toda de Panem, sobre sua vida e detalhes mais profundos daquele depoimento de Finnick (que foi descrito de maneira ridícula também, diga-se de passagem), porém o que tivemos foi um Snow entregando sua semelhante, talvez até previamente instruído por sua outra semelhante, que ao fim sobe ao poder. O livro fecha bem a série, mas de 0-100 não passa de 80.

    • Pois é! Gostei muito do seu comentário! Como eu disse na resenha, gostei dos elementos que ela colocou no final, o problema foi como ela os colocou, a forma como eles foram trabalhados no texto que não achei lá muito boa.

  11. Rodrigo Oliveira says:

    Parabens pelas críticas. A versão traduzida pelo português deixou a desejar, ou então o terceiro livro mesmo foi bem mal escrito. Senti uma diferença enorme em comparação ao “Em Chamas” e o “Jogos Vorazes”.

    Peeta totalmente inútil. Gale mais ativo mas tambem não teve a importancia que eu percebi que ele tinha nos pensamentos de Katniss. Achei uma pena o livro ter encerrado desta maneira vazia. Assim como você tive que voltar e reler a parte da morte, eu fiquei me achado um burro por não ter entendido de maneira clara o que estava acontecendo.

    O livro é muito mal escrito. Muito mesmo. Os detalhes do esgoto me deixaram totalmente confuso. Ladrilhos, ruas NADA A VER com o que realmente é a realidade. Mesmo sendo essa realidade uma coisa inventada, acho que a autora não soube passar de forma efetiva para os leitores a riqueza de detalhes que ela passou nos demais livros.

    Outra coisa que não sai de minha cabeça. Se Katniss está com mais 4 pessoas, a ponto de atacar, e sabe que os rebeldes estão chegando para poder tomar a casa de Snow, porque diabos ela iria arriscar o seu grupo nesta empreitada? Não era mais necessário correr o risco que eles correram.

  12. Gabriella says:

    Concordo muito com você. Desde que eu li, vi essas mesmas coisas. Pra mim os maiores ‘pecados’ foi descartar o Peeta o livro praticamente todo, a confusão (além de ser muito jogado) do final, custava pra imaginar o que tava acontecendo e a força que a Katiness teve durante toda a história.

  13. O livro começa meio morno, ok tudo bem. É possível entender, mas depois as coisas começam a acontecer num ritmo tão frenético que é difícil dos leitores menos concentrados acompanharem REALMENTE tudo o que está acontecendo, a morte de um dos meus personagens favoritos foi tão rápida que eu tive que voltar e reler umas 3 vezes. E eu concordo com o fato de não terem mais cenas íntimas de Peeta e Katniss por exemplo, e eu acho que seria importante para mostrar como eles ficaram próximos. Com tantas coisas ‘pesadas’ no livro, realmente não acho que seria prejudicial ou algo assim.
    O Peeta seria uma peça-chave nesse último livro e muito infelizmente não foi aproveitado. 😦

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: