As Virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides

Confesso que não vi o filme, apesar de já ter ouvido falar bastante por dizer respeito a uma diretora que gosto muito do trabalho, em geral (a Sofia Copolla, seu trabalho de estreia) e a uma atriz que costumo gostar dos trabalhos (a Kirsten Dunst), o que é uma grande falha na minha cinefilia (ok, já houve uma época na vida em que assistia a mais filmes do que hoje).

Como diz o texto da contracapa, ao contrário do que pode parecer, o livro está muito mais para o irônico do que para o triste – como o título revela, é a história de cinco jovens irmãs, as Lisbon, que se suicidam ao longo de um ano. Só que, apesar da tragédia, é muito mais um conto sobre a adolescência, sobre os meninos incapazes de entender o mundo secreto das meninas (e no início da adolescência meninos e meninas parecem mesmo seres de universos diferentes) e sobre a vida nos subúrbios de classe média norte-americanos, tudo com uma enorme dose de ironia.

A história, uma espécie de relatório feito pelos vizinhos das Lisbon, que acompanharam sua tragédia em primeira mão e sempre foram fascinados tanto por aquelas garotas tão misteriosas, envolvidas em cortinas e espiando pelos cantos das janelas, vivendo em seu próprio mundo particular nada cor-de-rosa. Além da fascinação em si pelas irmãs, há um bom elemento para que eles, garotos, desvendem as criaturas mais misteriosas do mundo: o que passa pela cabeça das garotas? E esse mistério torna erótico seu riso, seu toque, suas pequenas manias e idiossincrasias. O que mais excita: o mistério das irmãs reclusas? O estigma da tragédia?

Também é a história de cinco garotas que não podem crescer, trancadas em casa pela mãe. O suicídio é um grande mistério: por que resolveram pôr um fim à própria vida, tão jovens? É a questão que os personagens-narradores tentam em vão responder a si mesmos, reconstruindo toda a vida de seus objetos de adoração através de objetos, depoimentos, prontuários médicos e demais reminiscências de sua breve passagem pelo mundo. A bola então passa para o leitor: o que teria levado as Lisbon a saírem da vida? O desgosto dos pássaros presos impedidos de voar pelos pais conservadores e repressivos? O luto pela irmã que só fez piorar? A sedução do suicídio (e apesar do desejo não vou citar Durkheim na resenha)?

Se há alguma luz no destino das jovens, é Lux (bem conotativo) Lisbon que a provém. Uma das irmãs mais novas, é contestadora à sua forma – ouve discos de rock, fuma às escondidas e procura namorados – e é uma das que tenta escapar, de sua maneira, da prisão familiar. Mas nem mesmo ela consegue fugir do destino e logo até mesmo sua luz interna se apaga, entre inúmeros pedidos de socorro.

Aliás: será que os meninos da vizinhanças, preocupados em vigiar e especular, não deram a elas a ajuda necessária para sobreviver? Ou havia como alguém interferir em seu destino?

Enfim, é um livro muito recomendado, li rapidinho e enquanto lia não conseguia tirar essa música da cabeça:

***

Quer conferir o livro também? (Livraria Cultura)

***

Até a próxima!

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2 Responses to As Virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides

  1. Diego says:

    Eu já assisti ao filme, mas faz muito tempo já… não me lembro dele direito. Mas me lembro que não achei grande coisa (assim como a diretora, que só sabe fazer um tipo de filme, a meu ver)
    Não sabia que era um livro…

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