Em Chamas – Suzanne Collins

É complicado fazer uma resenha do segundo livro de uma série porque fatalmente alguns aspectos determinantes do primeiro livro terão de ser abordados, a cada volume que se passa de uma série, mais difícil fica evitar e contornar os spoilers. Por isso evito fazer resenhas de segundos volumes, mas às vezes a necessidade de falar algo me faz burlar essa regra.

Assim sendo, a melhor maneira de começar essa resenha é dizendo que Em Chamas é a continuação de Jogos Vorazes, que foi uma das minhas maiores surpresas literárias do ano até o momento e foi um livro bem impactante – quando você passa uma semana sem conseguir pegar outro livro para ler ou mesmo se pega lembrando de passagens da história e relembrando dos personagens bem depois da última página, você sabe que um livro conseguiu mexer com você. Eu precisava ler a sequência, saber o que acontecia com os personagens após o final agridoce do primeiro livro, de que maneira a autora seguiria com a trama. E, claro, também preciso dividir minhas opiniões com vocês, caríssimos leitores deste blog 😀

Assim sendo, como se trata de uma sequência, só clique no texto integral se já leu o primeiro livro ou se não se importa com alguns spoilers dele. O aviso foi dado!

Bom, vamos dizer que o maior spoiler do primeiro livro não é exatamente uma surpresa, primeiro pela forma como a história é conduzida e segundo pelo fato conhecido de que se trata de uma série de três volumes, mas Katniss (e não só ela) sai viva da edição dos Jogos Vorazes, para a vida de uma heroína com direito a uma mansão, bastante dinheiro e comida farta, luxos para quem sempre viveu em necessidade. Só que a fama tem sua parte ruim: agora, a vida dela pertence à mídia, que vai querer saber de cada passo que ela dê, de seu relacionamento com Peeta (que obviamente também sobreviveu), afinal eles compõem o casal apaixonado que resolveu burlar as regras para poderem se salvar do extermínio.

E, mais do que isso: a Capital viu a tentativa de sobrevivência desesperada de Katniss como ato de rebeldia, e agora ela precisa ser mantida sob correntes. Deve se portar como a maior das loucas de amor do mundo para justificar suas atitudes impensadas, pois caso contrário, ela será considerada uma rebelde, e rebeldes não são admitidos numa ditadura totalitária.

Como se esse fosse o maior dos problemas de Katniss, afinal ela tem 16 anos e começou a perceber que Gale é um pouco mais do que um amigo, mas ao mesmo tempo não saber muito bem o que sente pelo Peeta. Que se não fossem os Jogos não haveria dúvida, ela seria esposa de Gale, mas Peeta veio para bagunçar tudo, mais do que ela imaginaria que ele poderia ter balançado.

Ainda mais porque se fossem só as dúvidas adolescentes, a vida da nossa mocinha ainda estaria boa. Ela sobreviveu a um stress pós-traumático tamanho gigante (afinal, ser forçada a matar ou morrer, ter de escapar do extermínio estatal e tudo o mais não é uma experiência fácil para ninguém, e nem livre de sequelas) e precisa lidar com isso. Ela sobreviveu, mas a que preço, já que teve de dançar com a morte? E nisso Peeta se torna mais importante: ele estava lá. Ele passou por isso. E ele pode ajudá-la a se livrar dos pesadelos.

(sim, virei team Peeta de carteirinha e foto!)

E, claro, nesse ponto da trama algo fica evidente: a população começou a perceber. O poder da Capital é questionado e revoltas começam a estourar lá e cá – e quando o povo se une, quando a opressão não é o bastante para destruir o indivíduo, as ditaduras não podem sobreviver. Panem é como a sociedade francesa pré-revolucionária: os ricos e alienados da Capital se banqueteiam, mas o povo começa a se organizar. Como será então a Bastilha?

Na verdade até aqui foi mais um resumo do que uma resenha do livro, mas precisava colocar esses pontos. É interessante essa construção: apesar da Katniss ter se tornado uma heroína trágica, ainda que agora tenha notoriedade nacional e a boa dose de responsabilidade que envolvem os grandes poderes, ela continua sendo uma adolescente, com os problemas da faixa etária, e com várias angústias adicionais. Ela continua sendo séria, uma heroína trágica que sempre  teve uma vida difícil e as coisas só pioraram, mas desta vez a angústia e a tensão dela são mais fortes.

E outra coisa, qu não engoli muito bem no primeiro livro e acho que aqui fica pior: violência, física e psicológica, pode, mas sexo não. Tem tensão evidente entre ela e Peeta e, pelo tanto que se abraçam e dormem juntos, que se consolam juntos ou mesmo se beijam, COMO não aconteceu nada? (o que me lembra também que a farsa que o Peeta arranjou é tão ridiculamente fácil de ser desmentida que não sei como a Capital não explodiu todo mundo.Tudo bem, jogo de cena).

E mesmo o Peeta. Apesar de eu ser declaradamente team Peeta, e dele ser a criatura mais fofa daquele universo ficcional, sempre preocupado em ver se a Katniss está bem – e uma preocupação sincera, ao meu ver, uma vontade sincera de estar com ela, o que justifica que ele mantenha sua principal qualidade – a razão – intacta. Só achei que ele ficou completamente em segundo plano quando começa o novo massacre, ele não usou o maior trunfo, a inteligência, em nenhum momento. Não pareceu o cara que conseguiu se manter vivo sozinho e usando os próprios miolos por muito mais tempo do que seria possível no livro 1. Talvez seja porque os outros personagens precisavam ser explorados – apesar de não ter conseguido me apegar a nenhum deles, como o bonitão pescador, a Johanna Mason ou os maluquinhos tecnófilos.

Ainda, achei o final bem, digamos assim, “jogado” (além de não ter final!!!! Cadê o livro 3, cadê cadê cadê?). Ao invés de toda a sutileza com a qual a autora terminou o primeiro livro, deixando todo o plano implícito, toda a relação de causalidade implícita mas ao mesmo tempo super visível, dessa vez ela dá voz para que os personagens contem seus planos. Apesar de algumas coisas serem óbvias – e até clichês, como haverem planos dentro de planos e os protagonistas não terem menhuma consciência do que está acontecendo a um palmo do nariz deles – várias outras explicações, que seriam melhor implícitas e melhor trabalhadas, são jogadas lá de sopetão sem tempo para digestão. Não dá para falar muito e escapar dos spoilers, mas basta saber que cairiam melhor se houvessem pistas mais fortes dos planos dentro de planos ao longo da trama, até mesmo do livro 1.

O impacto emocional aqui também foi menor. Ainda há sofrimento, ainda há situações extremas, mas não consegui ficar à flor da pele com a Katniss como no livro 1. Ela ainda tem minha empatia, mas dessa vez a conexão foi menor. Talvez tenha sido pelo que expus acima.

Enfim: continua sendo um bom livro, mas não tem como dar uma análise completa antes do desfecho final do terceiro livro, que só deve sair no Brasil no segundo semestre (aaaaargh ansiedade, pois o Em Chamas acaba realmente sem final, mas ao mesmo tempo tenho tanto para ler aqui que não tem problema demorar um pouquinho +_+). Só achei inferior ao primeiro livro em impacto e força, mas também parece o prólogo de uma história que só vai acontecer de verdade no terceiro e último livro. Como as peças mexidas no tabuleiro de um grande jogo e que agora estão prontas para a ação.

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Até a próxima!

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6 Responses to Em Chamas – Suzanne Collins

  1. Ainda não comecei a ler essa série, mas parece ser uma série bem interessante, tenho muita vontade de ler! Espero ler em breve!

    Gisele
    http://www.nerdhead.com.br/
    http://www.dicasdelivrosefilmes.com.br/

  2. Pingback: A Esperança – Suzanne Collins « Leitura Escrita

  3. Pingback: Retrospectiva 2011 « Leitura Escrita

  4. Maynara Sartti says:

    o livro jogos vorazes é muito bom , agora conseguir baixar o livro em chamas e pelo o que li a cima , é muitos interessante …

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