Comentando o Comentário do Leitor II – Sobre traduções e adequação textual

O leitor Raphael deixou esse MARAVILHOSO comentário no post A Fúria dos Reis: Tradução, lançamento e crítica. Achei os comentários sobre tradução e adequação bem interessantes, o texto dele está em itálico, minhas intervenções (poucas, pouquíssimas, quase nenhuma) em texto corrido. Vejamos:

Ao longo de minhas leituras me deparei com escritores portugueses renomados como Antônio Lobo Antunes. Particulamente, escolhi naquele momento mergulhar nos Cús do Judas. Os refências culturais, linguínsticos e a narativa excessiva do seu stream of consciousness era naquele momento uma escolha pessoal minha. Resolvi buscar elemento a elemento aquele quebra cabeça de filmes, vestimentas, lugares, pessoas, comportamentos e valores contidos naquela obra. A sensação ao longo do texto era angustiante. Principalmente por ouvir aquele pessimismo de um homem velho de um VELHO MUNDO. Após terminar fiquei com óptimas lembranças. Mas acredito que seja mais pela busca pessoal do que pela obra. Mas sendo enfático e repetitivo “buscava um escritor contemporâneo da língua portuguesa naquele momento”.
Agora o que observo aqui é um grupo de pessoas que esperam ler uma obra traduzida. Aí começa o problema! O ato de traduzir é um estado de arte, essencialmente ligado ao respeito da obra e claro a língua para qual estamos traduzindo. Cheguei a ler o Senhor dos Anéis quando não havia a versão brasileira da Martins Fontes. Encontrei na biblioteca Municipal uma cópia de uma versão portuguesa, um pocket book. E percebi que era uma versão que agradaria ao lusitanos mas jamais aos brasileiros. Precisariamos de uma tradução própria.

Outra experiência que posso relatar era a que acontecia com os livros russos, até então traduzidos do russo para o francês e depois para o português. Logo um enorme contigente adquiriram livros clássicos como Crime e Castigo estavam lendo este tipo de tradução. Felizmente percebi isso e por sorte lendo no caderno Mais da Folha SP deparei com as novas traduções realizadas por quem entende de tradução como é o caso da primorosa editora 34. E foi assim que comecei a readquirir velhas obras vindo a serem novas obras jamais lidas anteriormente. O efeito da tradução foi chocante. Observaram-se grandes diferenças. Poderia citar o caso das obrar de Musashi mas não quero mais alongar em algo que é condição necessária e suficiente para uma boa leitura na sua língua materna: conhecimento profundo da obra e do idioma original(necessário) E conhecimento profundo do idioma e as particularidade do idioma LOCAL(pt-br). Acredito que haveria um enorme bom senso na editora ao realizar isto, não jogando um produto acabado, como já dito de vindo de um público que não passa da população do estado de São Paulo para um público muito maior e mais amplo. Acho que a editora foi imbecilmente ambiciosa sem construir um caminho sólido para isto.
Mas pensando nos juízos de valores do amigo pedante que acredita que a MIMESIS do VELHO MUNDO ajudaria a educar uma população que precisa sair no anafabetismo FUNCIONAL por meio da glorificação do canones lusitanos. Vejo uma visão distocida do papel que cumprem a tradução e o seus valores pessoais bem abaixo da mediocridade, sei que somos uma nação forte e economicamente entre as maiores do mundo, não podendo pensar deste jeito retrógrado pelas consequências e por saber que era este o papel passado que nos destinavam: o de aceitar os valores do chamado primeiro mundo.
Sei que quando falamos de população sei do fato de que apesar do Brasil ter uma população enorme a maioria não é leitora. Mas a solução é cultivar modelos de fora e deixar hermêtico aqueles que estão iniciando? Ou seria melhor termos primazia pelo desenvolvimento próprio o qual deve estar muito além de uma mimesis. As traduções são um entre outros campos de enorme interesse comercial. Visto que abrange muito dos livros ao filmes que possuem legendas. E fico taciturno quando meus compatriotas aceitam qualquer porcaria que aparece, nem todos os filmes merecem as traduções a La Adam Sandler observado ultimamente. Cito ótimas realizadas que encaram o espírito brasileiro. Adoro Guimarães Rosa e sua preocupação na captura dos regionalismos. Este sentimento pode ser observado no filme Rango(dublado). Foi um dos poucos filmes dublados prazerosos por perceber na tradução bem realizada, o cumprimento do espírito ali contido, que no caso recaia no jeito de se expressar bastante individual de cada personagens. E sempre acompanho o original para comparar e ver que toda tradução é uma nova obra.
Para os que querem ver como ficam estas questões: tenter ler a obra no original e nas traduções que vamos cruzar, observem o respeito à inteligência dos consumidores.
Desejo ao meus conterrâneos um estado de arte de nossos melhores tradutores, os quais sejam profundos conhecedores das riquezas e expressividade de nosso povo. Ao passo que o mesmo deva respeitar a obra como um todo.

O Raphael disse tanta coisa relevante e importante que não tem nem o que comentar. Mas é isso.

Meu ponto, a estranheza desde o início, é a de escolher um idioma não-local, numa tentativa evidente de diminuição de custos e/ou para ver se um texto tratado desta forma teria boa recepção de mercado no Brasil (que outra explicação haveria então?). É um texto plenamente compreensível, mas que não soa fluido aos olhos locais.

O ponto das traduções clássicas também, que são “traduções de traduções” – se parte do significado já se perde de uma tradução para outra, o que dirá de uma segunda para uma terceira? Bem legal ver o texto numa boa tradução, ou mesmo na língua original, e ver como o significado muda.

Enfim, obrigada pela atenção e pelo maravilhoso post, Raphael. Muito bom ter tão bons leitores assim 🙂

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Até a próxima!

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3 Responses to Comentando o Comentário do Leitor II – Sobre traduções e adequação textual

  1. Alexandre says:

    Sinceramente, a tradução é o que me desanima a comprar a saga. Eu quero, mas vou protelando, e protelando…

  2. Diego Beneton says:

    Eu comecei a ler o livro e estou estranhando muito. Tem coisas que parecem até que quebram o raciocínio, de tão diferentes.

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