U2 360º

(daí você, querido leitor, para e pensa: “pôxa, mas esse não era um blog literário?”. Bom, continua sendo, mas a leitora-escritora passou por uma das experiências mais legais da vida dela. E de qualquer forma ela ainda não tomou coragem para fazer um blog pessoal só de assuntos aleatórios, então precisava postar isso em algum lugar. Fora que de qualquer forma não deixa de ser uma resenha, apesar de que não entendo muito da parte técnica da música para dar comentários embasados. Música para mim é sentimento puro e é o que basta para esse post, acho)

(não, infelizmente não fui eu quem tirou essa foto =/)

Resolvi ir ao show do U2 mais por farra do que por momento de reflexão profunda. Foi algo do tipo “ah, o U2 tá vindo, topa ir ao show?” de algumas amigas, uma noite em claro no site da famigerada Tickets 4 Fun para não conseguir, tentar comprar os ingressos para o segundo dia com um pensamento do tipo “ah, quem sabe vai, né?’ e conseguir quando já estava pronta para desligar o PC – e só eu, dentre as amigas, conseguir comprar.

Fiquei insegura sobre ir ou não ir ao show sem companhia, mas logo pensei: não chamo U2 de banda predileta, mas uma banda que você conhece/sabe cantar TODAS as clássicas, algumas obscuras, que você usou quase todas elas nos toques do seu celular e que ainda serviu de trilha sonora para vários eventos de sua vida não é simplesmente mais uma banda qualquer a qual você é indiferente (engraçado que teve show do Guns ‘n Roses ano passado e, mesmo tendo várias músicas que marcaram minha vida – Sweet Child O’ Mine por todas, porque não existe música mais Coluni do que essa – não me deu vontade de ir, não fiz questão). Eu queria e precisava ir ao show do U2, por tudo o que a banda representa para mim.

E ainda tinha um “brinde” especial: show aberto pelo Muse, banda de rock mais pesado e com pegda de rock progressivo (pra mim, a melhor banda de rock que estourou nos anos 00), o que tornava as coisas ainda mais imperdíveis.

E lá fui eu me entregar a uma experiência bem legal…

A Chuva

A entrada no estádio do Morumbi foi até bem tranquila (cheguei lá por volta das 15 horas, sem filas e sem stress) e lá fui eu para a pista. O guia da excursão tinha dado a dica: pista dá pra pegar inner circle e lá fui eu (e o pessoal que estava comigo, claro) tentar sem sucesso ficar entre o palco e a passarela. Mas conseguimos (depois de muito tetris humano e correria) ficar bem pertinho da passarela onde eventualmente Bono e The Edge ficariam perto do público.

Depois disso, horas de pé, de tempo que não passava, de aglomeração, de conhecer gente de todo o Brasil (passamos por alguns paranaenses, ficamos perto de um casal de Fortaleza e três amigos da Paraiba) e… CHUVA! A previsão do tempo não falhou e São Pedro resolveu refrescar os ânimos do pessoal com gotas bem geladinhas. Claro, estava armada com minha capa de chuva descartável, mas não deixa de ser desagradável ter os movimentos restritos (adoro banhos de chuva e algumas são tão gostosas que quasem imploram para serem tomadas na pele, mas não quando você vai ficar na mesma posição por cerca de sete horas e depois encarar mais dez horas de ônibus com ar-condicionado gelado!). A cada vez que eram dados os avisos de segurança do show (localização das saídas de emergência, banheiros, bares e tal) me batia o medinho de que o show seria cancelado por causa da chuva. Brrr!!!

Mas como não foi, quase pontualmente às 07:30 (e São Pedro, com seu ótimo timing, cortou a chuva bem nessa hora), começamos com o…

Muse – Cantando por absolvição

As luzes do telão anunciaram o Muse e o público veio à loucura, pois finalmente o grande espetáculo teria início! A banda entrou com Plug Me Baby – e com o vocalista trajando uma adorável capinha de chuva descartável, para entrar em ainda mais sintonia com o público. Infelizmente, por ser só “a banda que estava abrindo o show do U2” e não um show real do Muse, o público – desconhecedor das músicas e das letras –  não empolgou ou cantou junto. Só uma ou outra alma pulavam, balançavam os braços ou acompanhavam.

Emendaram com Resistance, que era uma música que eu não imaginava que funcionaria ao vivo – e funcionou muito bem. Na verdade, o show inteiro me fez concluir uma coisa: o Muse é uma das raríssimas bandas que funciona melhor ao vivo do que em estúdio. A sonoridade é incrível, os instrumentos e vocal ao vivo casam muito bem e o conjunto tem ainda mais qualidade do que o álbum. Experiência única mesmo.

Infelizmente, a empatia da plateia não pegou. A única hora em que a reação foi boa foi na música seguinte, Time is Running Out, em que todos bateram palmas sincronizados com a música, o que ficou bem legal.  Depois, Uprising, que também empolgou os poucos fãs espalhados pelo Morumbi – esta que vos fala tentou gravar no celular, até ficou bonzinho, mas quando dei por mim já tava berrando o refrão.

Depois foi Feeling Good, baladinha para dar uma relaxada para a próxima música…

Tocaram a intro de Take a Bow, uma das minhas preferidas. Mas era pegadinha e emendaram com… STOCKHOLM SYNDROME. MINHA PREDILETA.

Fiz o mínimo esperado nessas horas: dei um berro exprimindo contentamento e surpresa, pulei, berrei a música junto, em especial o refrão, bati cabeça, toquei air guitar e air bass, simplesmente me fiz pura sensação. Eu não ouço música, eu SINTO música, e essa música consegue ser a síntese disso para mim. O êxtase daquele momento é indescritível – ali o show se pagou para mim, e olha que ainda viriam MUITAS emoções pela noite.

Outro ponto que achei legal foi Knights of Cydonia, outra música super esperada (e que também fica FANTÁSTICA ao vivo), que eu achei que fosse empolgar mais, mas não empolgou.

Por fim, as considerações finais: o Muse é FANTÁSTICO ao vivo, as músicas ficam ainda mais fortes e potentes, mas foi um show curto – 8 músicas e cerca de uma hora contada no relógio – e muita coisa boa ficou de fora, infelizmente. Imperdoável terem tocado só duas do Absolution (apesar de que tocaram a que eu queria ouvir dentre todas, afinal), e ficou o gostinho do show completo (eles demoram muito a voltar para o Brasil, será?). O ponto negativo do show foi a falta de empatia com o público, achei que prejudicou 90% dos presentes não saberem/se importarem com quem estava tocando e o público participar tão pouco. Paciência. Acho que os próprios músicos também vão muito mais com espírito de “eu estou abrindo um show do U2” do que “eu estou fazendo um show próprio”, também. Mas foi uma grande e digna apresentação.

Mais uma meia hora que não queria passar e finalmente o momento tão esperado começou.

U2 – O Momento Eterno

Space Oddity tocou (bela homenagem ao Bowie) e imagens num clima retrô-espacial foram projetadas no telão para marcar a entrada da banda. E quando eles entraram, mandando Even Better Than The Real Thing, o público veio abaixo. Gritos. Refrão berrado. Incredulidade. A única coisa que passava pela minha cabeça era “eu tou aqui agora, isso tá acontecendo de verdade!” e indo ao ritmo do público, claro. Tive sorte, pois estava na frente e quando todos começaram a pular, meu colega de excursão me puxou pra mais pra frente ainda, o que me deixou ainda mais perto da passarela. Ali finquei os pés e me empolguei com Real Thing – uma das primeiras músicas deles! –  e com as músicas do CD novo (e cara, SÓ EU LEMBRO que Magnificent era a vinheta da ESPN para a Copa?).

E sabem tudo aquilo que falam sobre a estrutura super tecnológica do palco do U2, do show de imagem, som, luz e efeitos especiais e PRINCIPALMENTE da presença de palco daqueles que um dia foram quatro garotos irlandeses montando uma banda de rock? Pois é, é tudo verdade.

Antes de Still Haven’t Found What I’m Looking For, o Bono fez um dos discursos dele sobre como adoram os fãs e como esperam ser amados por eles em retorno. “Vocês sempre ouvem isso, né”, ele disse, mas não existe band – ou sucesso – sem público. Não existe obra ou divulgação sem alguém do outro lado para receber a mensagem.  E comecei a refletir, cá comigo, o quanto eu gosto da banda, o que ela significa para mim, o que as músicas querem dizer aqui dentro, por que eu estava ali, por que estar ali perto significava muito para mim. Vou mentir se disser que chorei, mas cheguei bem perto, ainda mais porque todos no estádio cantaram a música juntos, foi muito forte, senti meu corpo se arrepiar dos pés à cabeça.

Depois foi a mescla de sucessos antigos com novo (emoção demais com Pride e Beautiful Day – e pular ouvindo Elevation COM O U2 TOCANDO NA SUA FRENTE AO VIVO! é completamente diferente do que em covers ou no som mecânico – aliás, depois desse show algum cover do U2 vai ter a mínima graça pra mim?). Chegamos na primeira surpresa da noite para mim: Miss Saravejo. Tinha visto as setlists dos shows argentinos e não a tinha visto, então não esperava ouvir – e foi a senha para entrarmos na seção do U2 engajado socialmente – dos garotos que cantavam sua Irlanda de amigos, parentes e conhecidos que morriam em guerras sem sentido e que, quem sabe, poderiam mudar o mundo com a música.

Então… ZOOROPA! Primeira reação: “COMOASSIM O U2 TÁ TOCANDO ZOOROPA AO VIVO, TOU OUVINDO CERTO????”, emendado com o encantamento absoluto do palco meio-disco-voador-meio-colmeia se abrir num show de luzes. Não consegui cantar, pular ou fazer mais nada além de arregalar os olhos e abrir a boca, encantada, extasiada, hipnotizada.

Ainda demorei algum tempo abobada, mas percebi rapidinho que o The Edge veio tocar na passarela bem pertinho de mim!!!!! E logo veio Bono acompanhá-lo, em outro dos momentos mais emocionantes da noite: Sunday Bloody Sunday, cantada inteirinha a pouco mais de sete metros de onde eu estava. É uma das minhas músicas prediletas do U2, é uma das minhas músicas prediletas DE TODAS de longe e o Bono ali, bem ali, cantando na minha frente!!!! E eu cantando junto!!!!!

Depois, o momento missa da noite, com direito ao cântico de agradecimento (aliás, todo o esquema do show do U2 é bem parecido com uma missa, se for parar para analisar) pela ação da Anistia Internacional. Sério, eu me senti como naquela hora das graças numa missa quando todo o peso se vai e você canta louvores. Então as luzes se apagaram…

Virei para o coleguinha do lado e “eles vão tocar One????” “É a próxima música”.

E, sob luz arroxeada/azulada, minha música preferida da banda. Porque o amor é um templo, o amor é a maior das leis…Somos Um, mas não somos o mesmo… Acho que criei tanta expectativa que não me emocionei o tanto que achava/gostaria de ter me emocionado.

Daí o segundo bis, viro para outra companheira de show e comento: “acho que ouvi tudo o que queria ouvir”. “eu também”… Só para eles voltarem com With or Without You *-*

Enfim, êxtase, entrega, empatia e energia. Experiência única, por tudo, tudo, tudo, tudo.

O ponto fraco do show foi o som: o som do instrumental tava bem mais alto do que o do vocal, o que atrapalhou  o começo do show. Aliás, o som tava um pouco mais alto do que deveria para ser agradável, então incomodou bastante, especialmente no começo do show (depois não sei se consertaram ou eu que acabei me acostumando). Para um show do porte do U2, achei uma falha banal que poderia ter sido facilmente revista.

(e ficou faltando tocar I Will Follow e New Year’s Day! hunf)

Só para fechar, sei que muita gente tem má vontade com o U2 tanto pelo fato de ser uma banda de rock que acabou se tornando popular – é a maior banda do mundo depois dos Beatles e Stones – quanto pela persona do Bono – um ativismo político que às vezes acaba saindo do tom e mergulhando de cabeça na chatice e até mesmo hipocrisia. Só que não dá para negar o número de sucessos emplacados ao longo desses quase 35 anos, nem mesmo o evento que é o show – principalmente pelo carisma e empatia com o público. É um grande evento, uma experiência única e marcante, ainda mais quando você cresceu ouvindo a banda (quando criança, achei uma fita cassete de Boy pertencente ao meu pai) e várias músicas marcaram momentos da sua vida.

E no fim eles me deram algo que eu podia sentir 🙂

***

Até a próxima! Loguinho!

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3 Responses to U2 360º

  1. Piaza says:

    Uau… uau… que inveja de você hehe!

  2. Bruno says:

    Boa “leitura” do show, heheh. Não sou o maior fã do U2, mas também não tenho muita coisa contra (apesar do Bono ser um chato às vezes), e gosto da maioria dos clássicos. A real é que às vezes, nesse tipo de evento, a música acaba sendo a parte menos importante… Também já tive essa experiência de ver os ídolos ali na frente, há poucos metros de distância, aquela coisa do “eu to aqui mesmo e eles tão ali mesmo e meudeusdocéuputaqueopariudocaralho”, e sei bem como é. Depois vira história pra contar pros filhos =).

  3. # Linda sua experiência, Carol. O dia que a literatura encontra a música no LE. ^^
    # Não sou fã de nenhuma banda estrangeira em especial, mas posso sentir pelo seu texto o arrepio do Still haven’t found what I’m looking for. Essa música é linda e ela e With or without you estão sempre na minha playlist.

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