Duplo Fantasia Heróica: O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara/A Travessia – Christopher Kastensmidt/ Roberto de Sousa Causo

Como já disse antes, esse era um livro que eu estava bastante curiosa para conferir. Meu correspondente gaúcho aproveitou para me dar de aniversário, com direito a autógrafo do autor Christopher Kastensmidt 🙂

Uma nota sobre o livro em si, antes de entrar no conteúdo, é que ele é literalmente pocket – cabe no bolso de trás das minhas calças jeans, por exemplo! É pequenininho, tem menos de um palmo de altura, com capa dura e ilustração caprichada. É um formato bem prático para se carregar na bolsa, ainda mais porque o livro tem poucas páginas, e o preço sugerido também é bem em conta. Talvez seja um formato bem legal para lançar noveletas e novelas um pouco mais curtas, coisa na qual as editoras poderiam pensar e ver se é viável.

Mas vamos ao que interessa, a resenha das duas noveletas que o compõem (já que a proposta é trazer histórias curtas de dois autores diferentes):

O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara – Christopher Kastensmidt

Já falei bastante sobre o projeto do autor no blog antes, tanto de seu site maravilhoso quanto das histórias de Gerard van Oost, holandês que vem buscar aventuras no Brasil colonial, e Oludara, guerreiro africano trazido ao Brasil contra sua vontade mas que se junta a Gerard em sua jornada. O projeto me impressionou desde o primeiro momento em que ouvi falar dele e desde então também estou curiosa para saber como a coisa se desenlaçaria…

E agora um ponto que talvez seja relevante: feita por um norte-americano, planejado em inglês.

Não que só brasileiros possam se encantar e escrever fantasia com cenário brasileiro (e MUITO MENOS o raciocínio análogo, de que só existe uma “fantasia brasileira” se ela se passa no Brasil) e é até interessante ver o olhar de alguém que não ouviu sobre índios, bandeirantes e quilombolas durante o ensino fundamental e médio sobre esses mesmos temas e cenários. E é sem dúvidas uma visão apaixonada sobre uma terra mágica e cheia de desafios e mistérios.

E todas as minhas expectativas foram cumpridas com louvor por essa noveleta que conta como Gerard van Oost e Oludara se encontraram e estabeleceram sua parceria. É uma aventura de tirar o fôlego, que me lembrou meus tempos de criança leitora da Coleção Vagalume, que assaltava a biblioteca da escola.

Gerard ouviu histórias sobre as terras cheias de monstros a serem desbravadas e, ao chegar no Brasil, descobriu-se tomado por uma paixão tão forte pela aventura que decidiu ficar de qualquer forma (achei  um eco interessante do próprio autor, residente em Porto Alegre e que resolveu mergulhar de cabeça num mundo desbravado e com seres fantásticos). Só que ele tem alguns problemas para fundar sua própria bandeira até conhecer Oludara, guerreiro africano trazido como escravo ao Brasil – e através dos olhos dele, conhecemos uma terra ainda mais mágica e fantástica (e esquecida) do que o Brasil: a África. O que Oludara tem de habilidoso, tem também de astuto e pragmático, o que é um balanço necessário para o idealismo de Gerard. Também temos encontros inesperados com criaturas mágicas vistas de uma forma bem diferente da ufanista-usual – e uma introdução que dá gosto de quero mais ao mundo do autor.

Ah, por última nota, a noveleta, em sua versão original em inglês (“The Fortuitous Meeting”) está concorrendo ao Nebula 2010, que é um dos prêmios mais importantes da ficção especulativa do mundo. O blog está torcendo muito pela premiação 🙂

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A Travessia – Roberto de Sousa Causo

O Roberto de Sousa Causo é autor de ficção científica e é interessante ver um trabalho dele com um tom diferente, uma ficção fantástica passada no Brasil muitos séculos atrás, numa pré-história próxima da Era Hiboriana do Conan, onde o reino das amazonas acabou de cair e o nativo Tajerê, bem como sua consorte Sjala, que veio dos povos nórdicos, precisam se ver com tribos inimigas, monstros e criaturas fantásticas.

Tajerê é um super-herói da época: alto, forte, destemido e escolhido para a missão de unir povos dispersos. Só que, evidentemente, essa não será uma tarefa fácil, e as mais fantásticas criaturas habitam as matas densas e selvagens que lhe servem de cenário.

A narrativa divide-se entre as impressões de Tajerê e de sua esposa, a nórdica Sjala que já há tempos o acompanha. A linguagem do ponto de vista do índio é mais dura, com construções verbais mais cruas – o que, ao meu ver, traz a implicação de que a estrangeira, por usar o português usual, está muito mais próxima do leitor e se comunica de forma mais clara do que o índio, que tem toda uma aura de exotismo e também acaba por ser o elemento diferente, estranho.

Dizer mais seria spoiler, mas prepare-se para criaturas graaaaaaaaandes… E para mágica, também 🙂

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Quer conferir o resultado final? Leia o livro! Compre em (Livraria Cultura)

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Tá rolando promoção lá no Game of Thrones BR. Sorteio do exemplar brasileiro d’A Fúria dos Reis, que será lançado esse mês. ENTRE LÁ e confira!

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Também saiu o Papo na Estante 25, sobre blogs literários e um pouco da visão das editoras sobre o tema. Clique e confira, ficou bem interessante 🙂

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NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA!!!!!! A data de lançamento de A Dance With Dragons foi anunciada hoje: 12 DE JULHO!!!!!!!!!!

YAY!!!!!!!!!!!!!! O inverno _ESTÁ_ chegando!!!!! \o/

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Até a próxima!

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10 Responses to Duplo Fantasia Heróica: O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara/A Travessia – Christopher Kastensmidt/ Roberto de Sousa Causo

  1. Fábio says:

    O post ficou um pouco confuso… Trata-se de um ou dois livros?

    Bom, falando do que entendi: Acho que a temática Índio + fantasia soa meio estranha, não muito agradável, pelo menos pra mim. Posso ter uma bela surpresa na leitura, mas de primeira impressão não me chamou grande atenção…

    Bom, acabei de pesquisar mais sobre o livro e descobri que nele contém as duas obras citadas a cima, cada uma de um autor diferente. Espero maior divulgação da obra. Abraços!

    • Ana Carolina Silveira says:

      Dei uma editada no post aproveitando seu comentário 🙂

      Mas quanto ao fantasia + índios, esse livro, o do Walter Tierno que eu já resenhei também, vem para mostrar que pode ser legal SIM, independente do trauma que a escola (ou a sociedade) em geral nos deixou sobre as origens do Brasil. Recomendo ler de peito aberto 🙂

  2. Muito obrigado, Ana! Espero que gostasse da dedicatória. 🙂

  3. Pingback: A Bandeira do Elefante e da Arara » Leitura Escrita resenha “Encontro Fortuito”

  4. Bruno says:

    PQP. É só eu ficar um dia sem conectar que o A Dance With Dragons é anunciado… =P Winter is coming, indeed.

    E, claro, que bom que gostou do livro =) Se não gostasse, eu ia ter que mandar outro presente, heheh…

    E sorte pro Chris no Nebula também, ele merece!

  5. Pingback: A Bandeira do Elefante e da Arara » O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara

  6. Pingback: Retrospectiva 2011 « Leitura Escrita

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