Livros Adquiridos – março/2011 – parte 2

Acho que eu tenho probleminhas…

Nem terminei de ler a pilha anterior de livros e, graças a uma promoção dessas imperdíveis e imperdoáveis, comprei os seguintes livros…

(é, a tia não tem câmera para fazer aqueles vídeos de “recebi pelo correio essa semana”, então vai no contraste visual mesmo)

(tem duas novidades QUENTISSIMAS da Draco aí no bolo. Resenhas em breve.)

(pois é, ALGUÉM resolveu dar as caras de novo aqui no blog… Será que dessa vez eu agrado?)

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Até a próxima!

Lançamentos da Draco: março e maio!

A Editora Draco está preparando várias coisas legais para o primeiro semestre e aqui vão todos eles! Alguns já estão prontinhos para serem lançados, outros o serão em maio, então vamos à lista:

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Protegido: Jogos Vorazes – Versão com spoilers

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Jogos Vorazes – Suzanne Collins

Um lugar-comum (que não foge muito da realidade) é o de que todas as histórias já foram contadas. A originalidade absoluta não existiria e seria impossível de ser alcançada, portanto, não seria possível exigi-la, e o que faria diferença em uma história seria muito mais a forma como ela é contada do que seu conteúdo. Claro que essa falta de originalidade diz respeito às linhas gerais de uma obra, pois se formos analisar em nível de detalhes, o incômodo passa a aparecer com força.

E isso foi o que me incomodou da primeira vez que ouvi falar em Jogos Vorazes: a sinopse do livro é exatamente a mesma de outra obra, um pouco mais antiga, chamada Battle Royale. Vejamos: em um futuro distópico, um grupo de jovens é levado para disputar um jogo mortal em frente às câmeras, exibido por toda a nação, e eles devem se matar entre si até que surja o vencedor, aquele que sobreviverá a todos os outros. E, claro, o protagonista vai se rebelar contra o sistema, mas o que está em jogo é a sua própria vida, então as coisas não serão fáceis e nem facilitadas para ele. (tudo bem, nenhum dos dois também inaugurou esse tipo de história – desde o início da humanidade existem ritos sacrificiais de jovens levados a morrer pelo bem da sociedade, como podemos ver no mito de Teseu e do Minotauro, e mais recentemente nos survival movies, mas as linhas gerais das duas obras supracitadas são semelhantes demais).

Vencida minha resistência inicial, com a ajuda de comentários enfáticos como os desta blogueira (fãzona da série) e também de comentários em blogs e sites internacionais voltados mais para ficção científica/fantasia e menos para young adult, fui fisgada pela curiosidade e resolvi ler o livro, até mesmo para saber até que ponto era mesmo parecido com Battle Royale.

E o resultado foi muito superior ao esperado. Encontrei um livro envolvente e cativante – e que, apesar de ter a mesma sinopse de Battle Royale, tem um enfoque bem diferente.

A protagonista aqui é Katniss, menina pobre do distrito mais pobre da grande nação de Panem, erguida sobre o que restou daquilo que um dia foi a América do Norte. Pela fome, miséria, repressão e pouca esperança de melhorar de vida, além da responsabilidade de ter de sustentar a mãe e a irmã mais nova, é uma garota que sabe o mínimo de sobrevivência em ambientes perigosos, além de ter sido endurecida pelas circunstâncias. Toma o lugar da irmã, sorteada para ser a representante daquele ano do distrito nos Jogos Vorazes – o survival-reality-show- game da vez, uma versão para valer do Survivor (ou Big Brother), em que os eliminados da semana… bom, foram eliminados para sempre – e se pretende sobreviver, não pode ter pudores para sobreviver. Seu par, o representante masculino do distrito, é Peeta, um rapaz de sua idade, filho do padeiro, gentil e bem menos cingido pela vida do que a protagonista.

(e é curioso pensar sobre a concepção dos dois personagens: Katniss é durona, decidida, dona de uma personalidade forte e que não tem medo de pegar em armas – e Peeta é o garoto gentil, que decora os bolos da padaria de seu pai e que nunca precisou sair de sua atmosfera pacífica. O clichê comum de “mocinha frágil-mocinho forte” aqui é quebrado e invertido – Katniss é a senhora da ação e Peeta é puro sentimento. Dá até pra fazer uma reflexãozinha sobre gênero, mas só “inha”).

Os dois devem ser preparados – há uma equipe de preparação com uma relações-públicas e um “mentor”, um antigo ganhador dos Jogos do mesmo distrito que eles, Haymitch, que tem o papel de treiná-los e traçar as melhores estratégias para que, no mínimo, não façam um papelão na hora em que o show começar.

Uma coisa que me chamou bastante a atenção no livro foi todo o clima – apesar da minha birra em ler narrativa no tempo presente, dá para se acostumar rápido, bem como com Katniss, a narradora* – apesar de que eu a achei obtusa demais. Tá, ela teve uma vida de merda e tá numa situação de enlouquecer qualquer um, mas ela não se permite simplesmente SER de vez em quando? Sempre tem de ser tão séria e sisuda? Não pode relaxar nunca?. A opressão do mundo, de recursos naturais escassos, possibilidade remota de ascensão social, grades, vigias e o sacrifício anual de jovens para que toda a população saiba que qualquer tentativa de revolta é inútil ficou muito forte – CLARO, não chega no nível de um 1984, mas a ambientação é bem reforçada.

Outro ponto que merece destaque: o tom de crítica. Geralmente, a YA que chega ao topo das paradas não é exatamente crítica, ou tal ponto não é tão forte – ou é tão forte que acaba se desgastando, como a série “Feios”, em que está na cara qual lição o autor quer passar e você nem precisa ler o livro para saber do que se trata. O convite à reflexão aqui é mais sutil – e talvez mais profundo: a violência entre nós também não é banal e a vida não vira produto?

Isso fica bem claro para mim na passagem em que Katniss chega à Capital para ser preparada para os Jogos Vorazes – é um programa televisivo que todos assistirão, então ela precisa ser limpa, receber tratamentos estéticos e ser vestida como recomenda a moda para ser um belo produto a ser ofertado ao público e anunciantes. E isso é deixado claro a todo momento: ela é uma peça do espetáculo e deverá se comportar como tal. A vida dela – e dos demais participantes – é irrelevante.

Outra é como a nossa própria mídia também tem seus jogos vorazes e não estou falando dos realities shows. Qual o valor da vida para os programas policiais de fim de tarde que fazem questão de explorar um crime ao máximo? Ou para todo circo midiático que cercou o caso Eloá, por exemplo, onde só faltaram instalar câmeras no cativeiro?  Para nem lembrar do caso da menina Isabella… – e qual o valor que cada vida ganha. Isso também para não lembrar as revoluções e guerras transmitidas ao vivo e minuto a minuto via satélite para todo o mundo – é até curioso ver numa sociedade em que a morte é tabu a vida valer tão pouco.

E, claro, nada aqui pode acabar bem. Mortes ocorrerão – e a autora até  tem a mão pesada para uma obra juvenil – e também momentos de empatia extrema com os personagens, mesmo com aqueles antipáticos em um primeiro momento – e o final, apesar de ser de certa forma previsível, tem sua boa dose de agridoce.

Não dá para passar por esse livro sem envolver-se, ainda que o mesmo tema já tenha sido explorado outras vezes e com outras nuances. Me surpreendeu muito positivamente, se você não tem preconceitos ou barreiras em relação a young adult, pode ler esse sem medo. Recomendado.

E achei engraçado que mais para o fim das contas, o tom do livro me lembrou demais o tom de Ender’s Game (O Jogo do Exterminador) – sobre a melancolia de ver uma criança (ou adolescente, no caso) ser obrigada a perder ainda mais sua inocência em um mundo em que é obrigada a matar. Recomendo a leitura para quem gostou de Jogos Vorazes.

*Notinha para o leitor avançado que não afeta muito a resenha: a autora utilizou a primeira pessoa no texto, sob o ponto de vista da Katniss, mas, apesar de em tese a primeira pessoa ser mais fácil de ser trabalhada, a autora aqui mostrou que também dá para trabalhar um pouco em cima disso. Katniss narra, mas deixa MUITO sub-entendido e para que o leitor conclua por si mesmo. Tem até um ponto onde achei que a autora jogou muito bem em relação a isso – estamos ouvindo a versão de Katniss, não significa que ela interprete tudo da maneira correta ou que não existam outras coisas acontecendo ao mesmo tempo. A primeira pessoa é um fio condutor para o leitor, sim, mas dá para deixar pontas soltas e muita coisa implícita. Achei bem legal esse uso – e também foge bastante das autoras pouco experientes de outros young adult que utilizam-se do mesmo recurso.

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Gostou? Quer conferir o livro também? Então compre aqui! (Submarino / Livraria Cultura)

Aproveite e leve também o 1984 (Submarino/Livraria Cultura) e o O Jogo do Exterminador (Submarino/Livraria Cultura)

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P.S.: Não resisti e fiz um post com spoilers do livro. Para que ninguém veja aquilo que não quer ver, está protegido com senha: resenhacomspoiler . Clica lá, digita a senha e veja os apontamentos, agora com spoilers 😀

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Até a próxima!

Top 5: Músicas baseadas em livros

Alô você leitor que neste momento não está entrando em coma alcoólico ou pegando uma DST por aí, afinal é carnaval!!!!! \o/ /o/ \o\ /o/ \o\

Hoje o blog resolve brincar de Rob Fleming um pouquinho e fazer um top 5 bem típico dele: as cinco melhores músicas baseadas em livros!

A seleção foi criteriosa e elaborada – álbuns inteiros temáticos, como 2112, Nightfall in Middle-Earth, Dante XXI não entram. Músicas que só mencionam músicas mas não tem nada a ver com elas, como Tom Sawyer ou Paranoid Android, também não entram. Bandas que tem nomes baseados em livros (chorem, Steppenwolf e O Teatro Mágico tiraram seus nomes do mesmo lugar :P) não entram.

Injustiças? Esquecimentos? Reclamem nos comentários e vamos às favoritas:

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Duplo Fantasia Heróica: O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara/A Travessia – Christopher Kastensmidt/ Roberto de Sousa Causo

Como já disse antes, esse era um livro que eu estava bastante curiosa para conferir. Meu correspondente gaúcho aproveitou para me dar de aniversário, com direito a autógrafo do autor Christopher Kastensmidt 🙂

Uma nota sobre o livro em si, antes de entrar no conteúdo, é que ele é literalmente pocket – cabe no bolso de trás das minhas calças jeans, por exemplo! É pequenininho, tem menos de um palmo de altura, com capa dura e ilustração caprichada. É um formato bem prático para se carregar na bolsa, ainda mais porque o livro tem poucas páginas, e o preço sugerido também é bem em conta. Talvez seja um formato bem legal para lançar noveletas e novelas um pouco mais curtas, coisa na qual as editoras poderiam pensar e ver se é viável.

Mas vamos ao que interessa, a resenha das duas noveletas que o compõem (já que a proposta é trazer histórias curtas de dois autores diferentes):

O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara – Christopher Kastensmidt

Já falei bastante sobre o projeto do autor no blog antes, tanto de seu site maravilhoso quanto das histórias de Gerard van Oost, holandês que vem buscar aventuras no Brasil colonial, e Oludara, guerreiro africano trazido ao Brasil contra sua vontade mas que se junta a Gerard em sua jornada. O projeto me impressionou desde o primeiro momento em que ouvi falar dele e desde então também estou curiosa para saber como a coisa se desenlaçaria…

E agora um ponto que talvez seja relevante: feita por um norte-americano, planejado em inglês.

Não que só brasileiros possam se encantar e escrever fantasia com cenário brasileiro (e MUITO MENOS o raciocínio análogo, de que só existe uma “fantasia brasileira” se ela se passa no Brasil) e é até interessante ver o olhar de alguém que não ouviu sobre índios, bandeirantes e quilombolas durante o ensino fundamental e médio sobre esses mesmos temas e cenários. E é sem dúvidas uma visão apaixonada sobre uma terra mágica e cheia de desafios e mistérios.

E todas as minhas expectativas foram cumpridas com louvor por essa noveleta que conta como Gerard van Oost e Oludara se encontraram e estabeleceram sua parceria. É uma aventura de tirar o fôlego, que me lembrou meus tempos de criança leitora da Coleção Vagalume, que assaltava a biblioteca da escola.

Gerard ouviu histórias sobre as terras cheias de monstros a serem desbravadas e, ao chegar no Brasil, descobriu-se tomado por uma paixão tão forte pela aventura que decidiu ficar de qualquer forma (achei  um eco interessante do próprio autor, residente em Porto Alegre e que resolveu mergulhar de cabeça num mundo desbravado e com seres fantásticos). Só que ele tem alguns problemas para fundar sua própria bandeira até conhecer Oludara, guerreiro africano trazido como escravo ao Brasil – e através dos olhos dele, conhecemos uma terra ainda mais mágica e fantástica (e esquecida) do que o Brasil: a África. O que Oludara tem de habilidoso, tem também de astuto e pragmático, o que é um balanço necessário para o idealismo de Gerard. Também temos encontros inesperados com criaturas mágicas vistas de uma forma bem diferente da ufanista-usual – e uma introdução que dá gosto de quero mais ao mundo do autor.

Ah, por última nota, a noveleta, em sua versão original em inglês (“The Fortuitous Meeting”) está concorrendo ao Nebula 2010, que é um dos prêmios mais importantes da ficção especulativa do mundo. O blog está torcendo muito pela premiação 🙂

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A Travessia – Roberto de Sousa Causo

O Roberto de Sousa Causo é autor de ficção científica e é interessante ver um trabalho dele com um tom diferente, uma ficção fantástica passada no Brasil muitos séculos atrás, numa pré-história próxima da Era Hiboriana do Conan, onde o reino das amazonas acabou de cair e o nativo Tajerê, bem como sua consorte Sjala, que veio dos povos nórdicos, precisam se ver com tribos inimigas, monstros e criaturas fantásticas.

Tajerê é um super-herói da época: alto, forte, destemido e escolhido para a missão de unir povos dispersos. Só que, evidentemente, essa não será uma tarefa fácil, e as mais fantásticas criaturas habitam as matas densas e selvagens que lhe servem de cenário.

A narrativa divide-se entre as impressões de Tajerê e de sua esposa, a nórdica Sjala que já há tempos o acompanha. A linguagem do ponto de vista do índio é mais dura, com construções verbais mais cruas – o que, ao meu ver, traz a implicação de que a estrangeira, por usar o português usual, está muito mais próxima do leitor e se comunica de forma mais clara do que o índio, que tem toda uma aura de exotismo e também acaba por ser o elemento diferente, estranho.

Dizer mais seria spoiler, mas prepare-se para criaturas graaaaaaaaandes… E para mágica, também 🙂

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Quer conferir o resultado final? Leia o livro! Compre em (Livraria Cultura)

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Tá rolando promoção lá no Game of Thrones BR. Sorteio do exemplar brasileiro d’A Fúria dos Reis, que será lançado esse mês. ENTRE LÁ e confira!

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Também saiu o Papo na Estante 25, sobre blogs literários e um pouco da visão das editoras sobre o tema. Clique e confira, ficou bem interessante 🙂

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NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA!!!!!! A data de lançamento de A Dance With Dragons foi anunciada hoje: 12 DE JULHO!!!!!!!!!!

YAY!!!!!!!!!!!!!! O inverno _ESTÁ_ chegando!!!!! \o/

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Até a próxima!