Livros adquiridos em 2011

Sabadão à noite, meus queridos leitores por aí aproveitando sua vida social, enquanto outras pessoas ficam em casa escrevendo romances que revolucionarão a literatura mundial     não fazendo nada descansando da árdua semana de trabalho. Como esse mês anda sendo realmente complicado em termos de tempo disponível, o blog anda meio descuidado, mas amanhã mesmo vou começar a preparar algumas resenhas para agitar as coisas.

Enquanto isso, posto a lista dos livros adquiridos (comprados e ganhos) durante 2011. É, durante os últimos 57 dias.  Alguns ganhei de presente, especialmente de aniversário, outros acabei comprando. Digamos que eu seja meio compulsiva…

Se serve de consolo? Dois são livros de pesquisa (sendo que um, já li quase inteiro) e outro é uma releitura 🙂

Até a próxima!

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Comentando o comentário do leitor

No post sobre Os Sete, o leitor Rogério deixou o seguinte comentário, que achei tão interessante e reflexivo que achei melhor transformar a resposta em post e puxar a discussão cá para cima. O post integral está lá, aqui vou comentar os trechos, que estão em itálico.

“Concordo. Li o livro, aliás, alguns livros do Vianco. Esses erros no livro dele, como o do caso do IML, poderia ter sido consertado se a editora tivesse um bom copidesk, um bom revisor. Mas no Brasil esses profissionais não são valorizados, embora essenciais para a editora e o próprio autor”.

É um ponto que bati forte na resenha dele e é verdade. AGORA está se começando a ter um cuidado editorial maior com livros de fantasia, mas vemos best-sellers com problemas BOBOS que poderiam ter sido resolvidos sem prejuízo algum ao texto. Não são coisas que diminuem a qualidade do texto ou a técnica do autor, mas fica faltando acabamento, as arestas ficam evidentes. Falta copidesque, revisor, leitor crítico, o que seja. e falta também a consciência do papel deste profissional para o acabamento de uma obra, qualquer seja ela.

“Tirando um ou dois de seus livros, mais ou menos, os os restantes do André Vianco são horríveis, puro lixo. Mas…vendem bem! O que isso quer dizer? Que o leitor brasileiro que ajuda a criar bestsellers come lixo literário.  Que no Brasil não existem leitores, apenas gente que embarca no embalo – sujeito faz um marketing pessoal bem feito, aparece no programa do Jô e atura a brincadeira do gordo…e pronto, eis um best-seller”.

Acho que aqui está meu maior ponto de discordância. Por que não existem leitores, por que livros de entretenimento não são livros?

Aliás, vamos a um exercício um pouco maior. Pegue as listas de bestsellers de todo o planeta. Existe alguma que não seja composta majoritariamente por livros de entretenimento? Logo, o desejo de consumo do público é o de uma leitura mais leve capaz de entretê-lo e não de uma atividade intelectual elaborada? Os grandes best-sellers, como a J. K. Rowling e a Stephenie Meyer (apesar de que ambas focam um público mais jovem e creio que a análise seja ligeiramente diferente aqui, mas enfim), Dan Brown, Sydney Sheldon, John Grisham, Stephen King e outros vendem entretenimento. Não vendem qualidade literária ou filosófica (apesar de vez ou outra até conseguirem esbarrar numa reflexão existencial, ainda que rasa), vendem o que as pessoas querem ler.

Também não concordo com a expressão “lixo literário”. Lixo por quê? Por não fazer parte de grupos de estudos acadêmicos, mas ter extrema aceitação popular? De representar aquilo que as pessoas querem consumir como produto? De ser o que as pessoas elegem como leitura predileta e consomem? Que querem relaxar após um dia cansativo, desligar o cérebro nos livros?

E eles são menos leitores por preferirem material de consumo ao invés de material de pesquisa?

O André Vianco é o mesmo caso do Paulo Coelho, com um pouco mais de esforço eles até podem vir a serem bons escritores. Vender bem seus livros é outra coisa. Existem autores consagrados na literatura mundial que em vida não venderam quase nada, e depois de mortos tornaram-se sucessos universais. E outros que venderam milhões em vida, mas depois de mortos e com o passar dos anos, sumiram.

Pois é, mas é a época que dá o valor? No calor dos fatos, podemos com certeza afirmar quem fica e quem vai ser esquecido? Acho que não.

E voltamos à diferença de mundos, a academia de um lado e a literatura comercial do outro. A academia precisa de leitores? Ou o livro-objeto de estudo tem finalidade diferente do livro-objeto de prazer, no sentido de terem leituras diferentes? E essas leituras podem existir ao mesmo tempo ou também podem estar disassociadas?

Não diminuo a literatura de entretenimento. Não sei o que as gerações futuras vão dizer do Paulo Coelho, do Vianco e de todos os outros, porque eu, com meus olhos contemporâneos, não posso enxergá-los. Não podemos avaliar quem fica e quem vai ser atropelado pelo tempo, talvez apenas especular – e me arrisco em poucas especulações nesse campo…

 

Apesar de tudo, acho que o André Vianco está melhorando e muito em seus livros. Com um pouco mais de calma e esforço, ele fará pelo menos um bom livro em vida.

A vida é evolução 🙂

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O Papo na Estante voltou, após um longo e tenebroso inverno! *-*

Agora com uma nova formação e em nova casa: o site do Nerd Escritor.

Cliquem lá e confiram o episódio 24 – um resumo de tudo o que aconteceu enquanto o podcast esteve fora do ar!

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Até a próxima!

Cidade dos Ossos – Cassandra Clare

Eu poderia começar essa resenha ironizando todas as (várias) semelhanças deste livro com Harry Potter, falar de novo sobre, principalmente agora que os filmes do bruxinho estão chegando ao fim, a busca incessante pelo “novo Harry Potter” volta com força total (apesar de que aqui acho que  comparação cinematográfica mais justa seria o “novo Crepúsculo”) ou sobre o recente boom de anjos na literatura.

Mas não vou começar por nada disso.

Vou dizer sobre o quanto esse livro foi uma agradável surpresa.

Para começo de conversa, não sei o que me atraiu nele. É um dos lançamentos hypados de young-adult do momento, mas quando vi a sinopse pela primeira vez, não me bateu lá muita vontade de ler. Só que recentemente, no fim do ano, lendo a sinopse novamente, o livro despertou minha curiosidade o suficiente para ser adquirido. Também fiquei sabendo que a autora, Cassandra Clare, era autora de fanfics tendo inclusive escrito um dos mais famosos baseados no Harry Potter, o Draco Dormiens (que até eu li, apesar de não me interessar por fanfics de Harry Potter – voltaremos ao tema jajá). Bateu uma identificação danada, já que há muitos e muitos anos eu também escrevia fanfics e queria fazer mnhas próprias histórias, então também tinha o “vamos ver o que uma fanfiqueira faz quando precisa criar seu próprio universo”.

E é aqui que entra minha supresa: o livro, dentro dos parâmetros do gênero e público a que se propõe, é muito bom.

É a história de Clary Frey, uma adolescente de 15 anos normal que, um belo dia, ao ir à baladeeenha com seu amigo Simon, vê um adolescente esquisito e resolve ir atrás dele para uma paquera. As implicações de um inocente flerte juvenil são a descoberta de que demônios, vampiros, lobisomens e outras criaturas místicas não são mitos: eles estão entre nós. Além disso, os nephilims, um grupo de caçadores com sangue de anjo, andam entre nós para garantir que todos se comportem – especialmente uma facção chamada Caçadores de Sombras, treinados desde a tenra idade para retornarem demônios para suas dimensões de origem e manter a paz dimensional.

Clary conhece então os irmãos Alec e Isabelle – e Jace, o loirinho bonitinho e sarcástico que chama sua atenção imediatamente. E, claro, sua vida muda para sempre a partir deste encontro. E, mais claro ainda, ela não sabe toda a verdade sobre sua origem e si mesma. Após o encontro inusitado, coisas muito estranhas começam a acontecer em sua vida e quando sua mãe é sequestrada, ela se dá conta de que está envolvida até o pescoço com os Caçadores de Sombras e precisa tirar essa história a limpo.

Então dá-lhe perseguições, criaturas mágicas das mais diversas que vivem disfarçadas de humanos, lugares mágicos escondidos dos olhares vulgares (ou mundanos, como são chamados aqui), reviravoltas, segredos perdidos no tempo, alguns deles capazes de mudar toda a vida dos envolvidos…

Aqui, voltamos ao Harry Potter. Como já dito, a autora escrevia fanfics do bruxinho e sua turma e resolveu escrever suas próprias histórias em seu próprio cenário. As semelhanças entre as duas obras aqui não é meramente acidental e nem podem ser – elas se tocam, se inspiram, derivam.

Vamos pegar uma sinopse do Cidade dos Ossos: garota sai de sua vida normal e é jogada em um mundo mágico desconhecido das pessoas comuns, que está sendo ameaçado por um ditador poderoso, que todos julgavam morto, e que deseja dominar este mundo mágico e subjugar a humanidade comum. Isso realmente não lembra NADA para vocês?

E outros detalhes, como a semelhança entre Clary e Gina Weasley (apesar de que acho essa forçada – a Clary, por sua descrição física e nome, me parece muito mais uma mary sue – ou projeção idealizada da autora – do que uma versão da Gina), Jace e Draco Malfoy, um dicotomia entre as criaturas mágicas e o mundo dos “trouxas”/”mundanos”… E, claro, a parte em que a história dos pais dos protagonistas é contada parece mais como seria um fanfiction nos marotos, mas enfim…

Mas o cenário, quando visto de perto, não soa falso como uma Hogwarts estilizada seria – há criaturas que jamais passariam perto das aventuras do bruxinho, como anjos e demônios, e o sistema de magia e controle não está restrito às regras rígidas de um colégio interno. Pelo contrário: a regra aqui é não ter regras (exceto as da boa  vizinhança, controladas pelos Caçadores de Sombra). Inclusive, há mundanos, como o Simon (meu personagem predileto de longe!), que mesmo com sua falta de poderes são capazes de salvar o dia.

Uma palavrinha sobre os personagens agora: o Jace foi tão planejado para que todas as meninas caíssem de paixão por ele que para mim não funcionou. Achei-o chatinho, artificial demais no tom blasé/irônico, não consegui criar empatia. Ele foi tão feito para ser gostado e para que todos caiam de paixão por ele que ficou fora do tom, que não me despertou mais do que indiferença. O Simon (e aqui entra a “regra de liberdade dos personagens abaixo dos protagonistas” da qual um dia voltarei a falar) consegue ser muito mais simpático – um humano sem poderes, desprezado pelos Caçadores de Sombra mas que se infiltra, se impõe e vira parte do time.

Quanto à Clary, protagonista, gostei dela. As atitudes estão coerentes com a de uma adolescente que vê seu mundo virar de ponta-cabeça algumas milhares de vezes, são muito mais “alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui????” misturada com a paixonite adolescente inevitável. Quero ver de que forma isso vai ser conduzido ao longo da série.

Enfim, o livro foi uma gratíssima surpresa, a trama segura o leitor e o deixa ligado do começo ao fim e me deu muita curiosidade de seguir a série (não ao ponto de comprar tudo o que já saiu em inglês, mas deu). O próximo livro da série sai no Brasil em abril – e vou adquiri-lo logo que for possível! Fica a recomendação para quem gosta do gênero, para quem quer uma leitura de desligar a cabeça e ler feliz da vida e para quem quer desbravar um pouco do maravilhoso mundo da Y.A.

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Quer tirar suas próprias conclusões? Compre o livro! (Submarino)

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Até  próxima!

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