Boletim Leitura Escrita #3

Para os interessados na obra do Neil Gaiman, ao que parece a Conrad voltou às atividades e está republicando os livros já lançados no Brasil. Meu passeio semanal às livrarias descobriu que o Lugar Nenhum já saiu e está disponível nas livrarias. Até onde soube, vão relançar Deuses Americanos esse ano. Excelente oportunidade para quem não lê outro idioma conhecer esta obra a preços módicos e acessíveis.

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O volume quatro das Crônicas dos Vampiros do Sul (série da Sookie Stackhouse) já saiu em português. O livro aqui se chama Procura-se um Vampiro (tradução nada literal de Dead to the World). Para os órfãos de True Blood esperando ardentemente a quarta temporada, é uma boa pedida.

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Para quem quer conferir os livros da parceira Draco mas faltava uma oportunidade, a Loja Estronha está com uma promoção imperdível: compre quatro livros do catálogo da Draco e leve o quinto de brinde! Os preços ainda estão com desconto e o frete é grátis, ou seja, a hora de comprar é agora. Aproveite e também confira as outras ofertas da loja (tem muita coisa interessante) e os lançamentos da Editora Estronho.

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Ainda, o Wise Man’s Fear, segundo livro da série Crônicas do Matador do Rei (o primeiro livro é O Nome do Vento) já foi lançado lá fora, o que torna bem plausível a previsão anterior da Sextante de que o segundo livro vai sair no Brasil em julho deste ano.

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Nenhuma notícia sobre o A Dance with Dragons, todavia.

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Até a próxima!

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Lançamento: O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio, de José Roberto Vieira

 

O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio é o romance de estreia de José Roberto Vieira, uma emocionante aventura épica em um mundo fantástico e sombrio. Passado, presente e futuro se encontram com a cultura pop numa mistura de referências a animações, quadrinhos, RPG e videogames. Considerado o primeiro romance nacional pensado na estética steampunk, o mundo de O Baronato de Shoah une seres mitológicos como medusas e titãs a grandes inventos tecnológicos.

Desde o nascimento os Bnei Shoah são treinados para fazerem parte da Kabalah, a elite do exército do Quinto Império. Sacerdotes, Profetas, Guerreiros, Amaldiçoados, eles não conhecem outros caminhos, apenas a implacável luta pela manutenção da ordem estabelecida.

Depois de dois anos servindo o exército, Sehn Hadjakkis finalmente tem a chance de voltar para casa e cumprir uma promessa feita na infância: casar-se com seu primeiro e verdadeiro amor, Maya Hawthorn.

Entretanto, a revelação de um poderoso e surpreendente vilão põe Sehn perante um dilema: cumprir a promessa à amada ou rumar a um trágico confronto, sabendo que isso poderá destruir não só o que jurou amar e proteger, mas aquilo que aprendeu como a verdade até então.

 

Sobre o autor:

José Roberto Vieira

Nasceu em 1982, na capital de São Paulo. Formado em Letras pela Universidade Mackenzie, atuou como pesquisador pelo SBPC e CNPQ, atualmente é redator e revisor. Teve contos publicados na coletânea Anno Domini – Manuscritos Medievais (2008) e Pacto de Monstros (2009). BLOG www.baronatodeshoah.blogspot.com

O Baronato de Shoah – A Canção do Silêncio
Autor: José Roberto Vieira

Gênero: Literatura fantástica – romance

Formato: 14cm x 21cm

Páginas: 264 em preto e branco, papel pólen bold 90g
Capa: Cartão 250g, laminação fosca, com orelhas de 6cm
Preço de capa: R$ 46,90

A Fúria dos Reis – Tradução, lançamento e crítica

A Guerra dos Tronos foi o grande lançamento do ano passado (tá, tudo bem, reconheço, sou meio suspeita para falar), as Crônicas de Gelo e Fogo (ou A Song of Ice and Fire para os mais tradicionalistas) aportaram no Brasil, a série está encaminhada na HBO (inclusive o vídeo do último teaser lançado está aí embaixo no blog, ficou arrepiante demais), ao que parece A Dance With Dragons desse ano não passa e tudo vai bem no reino mágico de Westeros… não fossem por um pequeno detalhe.

Lembram-se do que houve com a tradução do Guerra de Tronos, assunto que cansamos de comentar aqui mas que nunca é demais repetir? Decepcionada com o tratamento que a LeYa deu para o lançamento, fiquei desanimada com os próximos lançamentos da série, mas com a esperança de que o burburinho que ajudei a causar revertesse numa edição mais cuidadosa e caprichada.

Ontem tive uma grata surpresa. 🙂

O Omelete divulgou novamente com exclusividade os primeiros capítulos de A Fúria dos Reis (A Clash of Kings), o segundo livro da série cujo lançamento está previsto para MARÇO/11. A tradução novamente foi a versão portuguesa da editora Saída de Emergência, pelo tradutor Jorge Candeias. Abri o arquivo com um pensamento de “putz, lá vamos nós de novo”.

Só que ao ler descobri que… O TEXTO FOI ADAPTADO!!!!!

Pois é, meus caros leitores! As reclamações foram ouvidas e, apesar de terem utilizado da edição portuguesa novamente, o novo livro está muuuuito mais próximo do nosso querido português brasileiro do que o primeiro volume da série. Claro, o tom do texto é mais formal, ainda mais porque emula uma linguagem passada, mas agora está fazendo jus ao texto original. Estou falando que é a perfeição em forma de texto? Não, faria algumas modificações para arredondar ainda mais o pt-br e reservo-me ao direito de discordar desta ou daquela traduções, mas isso é o de praxe.

Claro que dá para se questionar a escolha de comprar a tradução portuguesa ao invés de fazer uma tradução brasileira – e mais ainda a de jogar no mercado um texto com quase nenhuma adaptação para o idioma local, mas é bom saber que o maior problema do primeiro livro foi sanado no segundo.

E, claro, dá uma satisfação ainda maior saber que meu apelo, no post em que criticava e reclamava da primeira edição, teve esse poder. Se não houvesse um primeiro a reclamar, sem mimimi e com argumentos, vocês acham que haveria esse cuidado na segunda edição? Acho que não. Como fã da série e perfeccionista de carteirinha, não poderia estar mais feliz ao ler os capítulos disponíveis.

Porque, repetindo novamente se não tinha ficado claro para alguém até agora, havia três GRANDES questões envolvendo a tradução do primeiro livro: 1) não estar em português brasileiro, logo, trazer um formalismo até de certa forma pedante que não combinava com o texto original; 2) o desrespeito com o tradutor que nem sabia que tinham usado a tradução dele no Brasil e, principalmente, 3) imaginar que o público vai consumir qualquer coisa, sem se importar com a qualidade e adequação do produto oferecido.

E é isso. Não, não aceito qualquer coisa. Não vou consumir, isso é, gastar o meu dinheiro e fazer outra pessoa ter lucro, um produto ruim. E vou falar: está ruim, não é só porque a série que gosto está saindo no Brasil que vou achar tudo lindo e maravilhoso. A editora, no caso a LeYa mas vale para qualquer uma, não está fazendo nenhum favor em publicar livro algum – tem de fazer o serviço direito. Afinal, eu não estou PAGANDO por isso?

Muito bom saber que ao que tudo indica dessa vez estou sendo respeitada como consumidora. O blog será atualizado com mais notícias à medida em que elas apareçam – e espero que todas elas boas.

Até a próxima!

P.S.: O último teaser da série Game of Thrones, da HBO:

Revisitando a Disney – O Corcunda de Notre Dame

Não seria muita pretensão dizer que todos os meus leitores tiveram uma infância Disney. Meu pai, criança de roça, lia avidamente as histórias do Tio Patinhas nas décadas de 50 e 60 – e até minha avó, que era de uma cidadezinha do interior e acabara de se mudar pra Belo Horizonte assistiu Branca de Neve e os Sete Anões quando criança.  Eu, nascida no início da retomada da animação da Disney (e me lembro com carinho quando ganhei minha fita da Cinderela com cinco anos de idade – eu e minha mãe cantávamos todas as músicas juntas e cantamos até hoje :P) e de assistir religiosamente nos cinemas o Grande Lançamento de Julho.

Só que os anos passam, o interesse cai – e a entressafra de bons filmes Disney veio justamente na minha pré-adolescência e naquela fase de “não gosto mais dessas coisas de criança!” – e, posteriormente, seja por saudosismo, porque há crianças novas na família ou porque está passando na televisão mesmo chega a hora de rever os filmes. E, por que não, já mais madura tanto em idade quanto em apreciação de narrativas em geral.

Daí vem a ideia de revisitar clássicos Disney e observar hoje em dia camadas de narrativa que não foram feitas para crianças entenderem. Em alguns casos, só algumas piadas de “bônus parental” é que saltam aos olhos depois do amadurecimento (não vejo em Hércules hoje nada muito diferente do que via aos doze ou aos dezoito anos, p. ex., ou mesmo em Alladin ou nas princesas mais antigas), em outros dá para descobrir algumas camadas de subtexto que uma criança não enxerga (A Bela e A Fera é o exemplo mais óbvio disso) e há também a possibilidade da compreensão da obra mudar totalmente.

Então vamos ao caso onde isso aconteceu comigo: O Corcunda de Notre Dame.

O filme foi lançado em 1996 e é um dos três mais sombrios da Disney, junto com O Caldeirão Mágico (aposto com 90% de chances de acerto que você nunca tinha ouvido falar no filme apócrifo do cânon dos longas de animação da Disney até o presente momento :D) e A Bela Adormecida. São filmes não apenas com temática mais sombria, mas que abusam de tons escuros e da falta de luminosidade para reforçarem seu ponto.

Aos 10 anos de idade, quando fui ver o filme no cinema, não gostei. Talvez a falta de personagens alegres, saltitantes e fofinhos tenha me incomodado, ou uma mocinha bem atípica, ou um enredo que nada tem de mágico ou engraçado. Minha avó comprou a fita de vídeo para que víssemos nas férias enquanto estivéssemos em sua casa, mas via pouco e pouco me interessei. Não era o melhor exemplo de “filme Disney” para mim, que a essas alturas quase já tinha furado a fita do Alladin ou d’A Bela e a Fera.

Enfim, alguns poucos anos atrás, uns dois ou três, o filme passou na TV. Parei para assistir e a experiência foi muito diferente da primeira impressão – achei que minhas lembranças não faziam justiça ao filme. E dia desses resolvi rever o filme. Qual não foi minha surpresa com o que encontrei ali.

Para quem não sabe, o filme é adaptado do livro Notre Dame de Paris, clássico de Victor Hugo (só para lembrar os estudos de literatura do colégio: ninguém espera que um autor da terceira fase do romantismo – a da crítica social – faça uma história cheia de carneirinhos felpudos, né) e narra a história da catedral, além de alguns personagens: Quasímodo, o corcunda deformado fisicamente e sineiro da catedral; Esmeralda, a bela cigana por quem Quasímodo se apaixona da forma mais pura possível e Claude Frollo, o ábade que criou Quasímodo e que torna Esmeralda objeto de sua obsessão. Isso não pode – e nem vai – acabar bem.

Claro que estamos falando de uma adaptação Disney, então temos um final feliz (e para fins de adaptação as personalidades são totalmente alteradas) mas o cerne continua lá: em Paris, na segunda metade do século XV, o juiz Frollo persegue os ciganos e em um belo dia termina por matar uma jovem que fugia com seu bebê. O pároco, testemunha da cena, impede que ele atire a criança em um poço e ordena que ele a crie, como punição pelo sangue inocente derramado. A criança, deformada, é criada no interior da catedral de Notre Dame e é chamada de Quasímodo.

Um dia, vinte anos depois, o gentil corcunda, cansado de apenas assistir ao Festival dos Tolos do alto de sua torre, desobedece seu mestre e vai se misturar às pessoas que vê viverem suas vidas. E é aí que a história começa…

…bem como a certeza de que estamos diante de um filme da Disney totalmente fora da curva.

Quasímodo primeiro é integrado à festa até que sua identidade é revelada e ele passa por uma pequena humilhação e tortura públicas. Claro, quando eu tinha 10 anos ver essa cena não deve ter me deixado muito feliz…

E temos também Esmeralda, que tínhamos conhecido alguns minutos antes e percebido se tratar de uma moça esperta que sabe sobreviver nas ruas perigosas de Paris. No Festival dos Tolos ela apresenta a todos sua bela dança e… talvez por sua personalidade contestadora, resolve seduzir o grande vilão da trama e com isso constrangê-lo. E… bem, não sei se é a dança Disney padrão, decidam:

Daí continuamos acompanhando a história de uma anti-heroína rebelde que se põe em perigo para questionar a tirania de Frollo, do ingênuo (no melhor sentido da palavra) Quasímodo que acaba apaixonando-se por Esmeralda e ajudando-a a manter-se viva e em liberdade, do cavaleiro-numa-armadura-bilhante Phebo, altruísta desde o primeiro momento que entra em cena e que assim permanece até o fim do filme (ele salva Esmeralda e é gentil com Quasímodo gratuitamente, assim como arrisca o pescoço sem hesitar algumas vezes pelo bem de outras pessoas).

Bom lembrar também que os ciganos e outros párias sociais de Paris não são retratados como coitadinhos cor-de-rosa. São povo oprimido, sim, mas os cidadãos não hesitam em torturar o sineiro e os ciganos também não tem pudores ao eliminar o que julgam ser uma ameaça. Um exemplo disso é Clopin, o arlequim que apresenta a trama – de narrador e provável personagem humorístico para uma peça perigosa no transcorrer da história, que não vai ter pudores em deixar um inocente ser humilhado publicamente ou tentar matar, com certo prazer sádico, aqueles que vê como ameaça.

E, claro, o mais cruel – e mais humano – vilão Disney: Claude Frollo, o juiz que via o mal em tudo, menos em si mesmo, e que deseja possuir (no sentido mais carnal possível) Esmeralda – nem que tenha de incendiar a cidade para isso. Ele não tem nenhuma sede de poder – é a própria autoridade opressora, para que mais poder do que isso? – ou ganas de derrubar alguém, apesar de claramente xenófobo, como demonstra desde o começo da trama – mas sua vilania atinge o limiar da loucura graças à bela Esmeralda, criatura que deseja, mas também sente asco – afinal, apesar de bela e provocativa, ainda é, para ele, uma bruxa.  Além disso, com o perdão do pequeno spoiler, é um dos vilões com a mais assustadora “morte Disney” – o próprio demônio vem buscá-lo por suas vilanias.

E lá vai a talvez mais assustadora música do vilão da Disney, tanto pelo vídeo quanto pela letra. Uma oração pedindo para que uma mulher se entregue a um homem – ou seja assassinada, caso se recuse.

Não há criaturas fofinhas e saltitantes – os mascotes da vez são gárgulas que nada tem de bonitinhas ou criaturas mágicas. Na verdade, é um dos desenhos menos mágicos da Disney – e se você entender que as gárgulas são amigos imaginários do solitário Quasímodo, interpretação MUITO plausível dentro do contexto(apesar de que o cabritinho e alguns guardas discordarão :P), vai concluir que não há magia alguma no filme inteiro. A trama se baseia em escolhas e orientações morais humanas, sem nenhum elemento sobrenatural incluso – e aqui a realidade é muto mais cinzentas do que nos outros clássicos Disney, as pessoas podem ser cruéis, malvadas e manipuladoras sem serem necessariamente vilãs.

Além disso, é um desenho sem uma “moral da história”, apesar da vitória dos mocinhos éticos contra o vilão opressor e assassino. Dá para encontrar lá no meio uma mensagem de tolerância ao diferente, mas ao contrário d’A Bela e a Fera, que glorificava a beleza interior, a questão aqui talvez seja o outro lado da moeda: o que torna o homem um monstro não é o rosto, mas o caráter.

Enfim, é o mais adulto dos clássicos Disney e que VALE a pena ser revisto, principalmente como adaptação que apesar de suavizada, amplia, renova e faz justiça à obra original.

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Quer aproveitar a onda de nostalgia e rever o filme? Então compre-o! (Submarino – DVD)

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Pros leitores que eram crianças quando o filme foi lançado: vocês gostaram na época? Só para curiosidade estatística mesmo 🙂

Até a próxima! Espero que seja em muito breve!

Os números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um navio de carga médio pode transportar cerca de 4.500 contentores. Este blog foi visitado 24,000 vezes em 2010. Se cada visita fosse um contentor, o seu blog enchia cerca de 5 navios.

 

In 2010, there were 53 new posts, growing the total archive of this blog to 87 posts. Fez upload de 36 imagens, ocupando um total de 9mb. Isso equivale a cerca de 3 imagens por mês.

The busiest day of the year was 24 de agosto with 527 views. The most popular post that day was A Guerra dos Tronos – Tradução, lançamento e crítica.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram twitter.com, orkut.com.br, google.com.br, gameofthronesbr.blogspot.com e filosofianerd.blogspot.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por a guerra dos tronos, guerra dos tronos, julie powell, leitura escrita e a song of ice and fire

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

A Guerra dos Tronos – Tradução, lançamento e crítica agosto, 2010
87 comentários e 2 “Likes” no WordPress.com,

2

A Song of Ice and Fire – George R. R. Martin – Parte I: Um Breve Resumo da Trama fevereiro, 2010
12 comentários

3

Eragon – Christopher Paolini janeiro, 2010
15 comentários

4

A Leitura Acessível – Pocket Books abril, 2009

5

Julie&Julia – Julie Powell setembro, 2009
4 comentários

 

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O wordpress me perguntou se eu gostaria de dividir esses dados com vcs e cá estão eles!!!

Obrigada por fazerem o blog junto comigo e preparem-se para o terceiro aninho do blog, com tudo isso e muito mais 🙂