A Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr

Então é Natal.

Todo mundo de ressaca, 10kg mais gordo, depois de ouvir milhares de trocadilhos infames com “peru” e nós aqui do blog oferecemos a última resenha do ano! Êêêê!!!!

Aprendi a ler muito cedo, então posso dizer que os livros estão presentes na minha vida desde sempre. Mas não foram eles minhas únicas referências de narrativa, muito menos as únicas histórias que ouvi ao longo da vida.

Lá pelos meus inocentes sete ou oito aninhos regados a manhãs fazendo lição de casa na frente da TV ligada na saudosa Manchete, eis que surgia meio por um acaso uma obra que acabou por ser marcada a ferro e fogo no coração da minha geração: Os Cavaleiros do Zodíaco. Como esquecer as Doze Casas, do Mestre do Santuário, das batalhas épicas, armaduras, golpes gritados, do valor da amizade e da devoção à Atena? Podem falar o que quiserem da trama em si (e é fraquinha mesmo, ai essa história na minha mão…), mas o carisma dos personagens, o clima da série e suas passagens memoráveis  são inesquecíveis.

Depois ainda vi muitos animes na mesma linha: o grupo de amigos que luta contra o mal e que depende da força da amizade e do amor para avançar, com muuuuita pirotecnia (e meu segundo anime mais marcante de todos é Sailor Moon, tá, prontofalay). Mas a gente vai crescendo e procurando histórias mais elaboradas, já que não só de pirotecnia vive o espectador…

Até que, em um belo dia, cai na mão do leitor já crescidinho e escolado um livro que tem todo o clima de seus desenhos prediletos da infânca E um roteiro caprichado. Epic win. A Batalha do Apocalipse me conquistou por isso, por ser uma espécie de Cavaleiros do Zodíaco 2.0.

A história é o seguinte: Deus criou o mundo em seis dias (que não correspondem à mesma contagem humana: cada dia é uma era diferente) e dormiu no sétimo, deixando toda a criação nas mãos de Miguel, o príncipe dos arcanjos, com a instrução de que cuidasse bem dos humanos e os deixasse exercer seu maior dom: o livre-arbítrio. Mas Miguel ressente-se da preferência de Deus pelas criaturas de barro e resolve exterminá-los ao mesmo tempo em que instala uma ditadura celeste. Ablon, o primeiro-general dos céus, revolta-se contra os desmandos do tirano e juntamente aos seus dezoito comandados é expulso dos céus para vagarem pela eternidade pelo plano material. Pouco depois, a revolta de Lúcifer, mais eficiente e que mobiliza 1/3 dos anjos, provoca sua queda para o inferno e o estabelecimento da dicotomia entre anjos e demônios – tendo Ablon e seus renegados no meio.

Mas um dia o sétimo dia terá fim e o Apocalipse, o crepúsculo do mundo, ocorrerá. Será a chance perfeita para Ablon, que vagou entre a humanidade por todo esse tempo perseguido por anjos e demônios que queriam exterminá-lo, acertar suas contas com Miguel.

A trama viaja entre o passado e o presente, contando a trajetória de Ablon desde sua expulsão do céu até um futuro próximo ao nosso, passando pela destruição da Babilônia e da entrada da feiticeira Shamira em sua vida, pelo nascimento de Cristo e pela queda de Roma, pela Idade Média e o fim de Constantinopla (e a história de imortais passeando pela humanidade tem um ar de uma referência assumida do autor: Highlander – talvez porque o McLeoud também não tem uma eternidade exatamente tranquila. Me deu profunda e sincera vontade de rever o filme).

A base da construção da trama é a Bíblia e a mitologia judaico-cristã, tendo lacunas e pontos nebulosos preenchidos com outras interpretações (deu para ver ecos de algumas linhas mais místicas, adaptados e simplificados para os fins da obra). Há anjos e demônios (em sua grande maioria, seguirão o arquétipo das raças – criaturas boas versus criaturas más –  há algumas exceções), mas também deuses pagãos e espíritos da natureza convivendo em relativa harmonia. Os únicos capazes de abalá-la são aqueles dotados de livre-arbítrio: os humanos. Inclusive, o apocalipse não é um evento cósmico – é uma consequência direta das escolhas feitas pela humanidade em toda a sua história.

Ablon também não é um herói* no sentido estrito do termo. Ele não quer salvar a humanidade e trazer a redenção a todos – sabe que a consequência final de suas ações vai ser mais benéfica aos humanos do que a ditadura de Miguel e quer ver as injustiças do tirano terminarem, além de ter sua vingança, mas não tem a intenção de trazer o bem geral. Apesar dele afirmar em palavras que não é e nem quer ser exemplo, suas ações dizem o contrário, em especial para os anjos inspirados a lutar. É seu exemplo que move os anjos em sua oposição a Miguel e que encoraja algumas decisões a serem tomadas.

Claro, na trama quem é bom é bom mesmo, quem é mau é mau mesmo, é preto-no-branco. É uma opção do autor que encaixa no tipo de história que ele quer contar, mas acho que a trama ganharia mais com personagens cinzentas. Curiosamente, graças à Regra da Liberdade dos Secundários, os melhores personagens acabam sendo Gabriel e Amael (com uma menção honrosa a Orion, também), que por não estarem presos ao papel de protagonistas ou antagonistas, tem maior liberdade para transitarem pelo cinzento.

O maior defeito do livro, na minha opinião, é exatamente o mesmo d’Os Sete: como não houve o dedo de um editor, está sobrando história. Aqui, um ponto: o autor está lidando com um cenário cujo espectro é imenso – daria muuuuuuito pano para a manga contar todas as andanças de Ablon pelo mundo, as histórias dos Renegados, as guerras cósmicas, o céu e o inferno. Só que há um foco aqui: o Apocalipse – e uma ligeira escapada dele. Aqui a intervenção do editor precisaria ir além de uma lipoaspiração  e ser mais dramático nos cortes. Por exemplo, na parte II do livro: as trombetas começaram a soar, Ablon já enfrentou alguns inimigos, a movimentação para a batalha final está para começar, o pau tá quebrando e… voltamos dois mil anos no tempo e vamos fazer uma viagem pelo Oriente.

Sério, é anticlimático. Interessante, mas anticlimático. E, como eu disse acima, é uma VIAGEM, uma jornada mais contemplativa do que de ação. Tudo bem, pode-se argumentar que os acontecimentos servem para delinear um pouco mais a personalidade de Ablon, mas não sei se posso concordar. São 160 páginas interessantes? São sim, mas a quebra de clima foi forte demais. Ao contrário da passagem da Babilônia, que é a apresentação de Shamira e FUNDAMENTAL para a compreensão geral das coisas, aqui temos quase um spin-off completo. Caso eu estivesse editando o livro, cortaria essa parte sem dó nem piedade e a redirecionaria como história avulsa.

Outra coisa que me irritou no começo, mas que desapareceu no desenvolvimento do livro, foi o narrador, que parecia um “narrador de documentários”, sendo mais expositivo do que o tipo de narrativa pede. Ainda bem que assim que chegamos à Babilônia o narrador fica comportadinho e a trama flui mais naturalmente.

Tem também um PROBLEMÃO de lógica que o Gotas Humanas apontou: se os humanos são os únicos seres dotados de livre arbítrio, como uma rebelião no céu foi possível? Como os anjos tiveram escolha – cuidar dos humanos ou exerminá-los? Como puderam haver facções celestes – ou Ablon, Miguel, Gabriel e Lúcifer jamais tiveram escolha e foram só peões no tabuleiro construído por Deus?

Um ponto controverso, que pode agradar ou desagradar, é que o lado Cavaleiros do Zodíaco acaba pesando um pouco no transcorrer da trama. Quando o autor descreve a armadura de Gabriel, a minha imagem mental imediata foi essa. Ainda, quando Ablon aplica seu golpe, quase dá para ouvi-lo gritar IRA DE DEEEEEUSSSSS e aparecer com olhos grandes e linhas de ação. Para mim, fez parte do show e ajudou a alimentar minha nostalgia, mas sei de outros leitores que desgostavam.

Como pontos bons, dá para citar as reviravoltas muito bem construídas – a trama é toda amarradinha, o autor não tira explicações do sovaco – tanto que dá para intuir algumas delas lá pelo comecinho da história e um final para ser interpretado pelo leitor. Que ele encaixe ali sua melhor hipótese e discuta com os amigos que leram o livro também 😛

Enfim: é um primeiro livro, então natural que haja falhas. Os acertos são muuuuuito mais numerosos do que os erros e a prosa é bem gostosinha de ler – fazendo um livro de quase 600 páginas ter uma leitura suave e instigante. E, claro, pelo menos para mim, é matar as saudades de acompanhar as histórias e lutas de um grupo de guerreiros sagrados de armadura.

Um P.S. só pra terminar a resenha: eu lia algumas passagens do livro e me lembrava desse clipe:

Tá, heavy metal É BREGA por definição, mas essa é uma das minhas bandas preferidas e anjinhos e capetas duelando sempre tem algo de divertido 😛

* Deixei o asterisco de fora da resenha porque esse é um detalhe que interessa mais para um leitor, digamos assim, de intermediário para avançado, sobre como conhecer as ferramentas faz o trabalho ficar melhor. O Eduardo Spohr, autor do livro, é professor e dá regularmente um curso sobre a jornada do herói e sua aplicação em roteiros e narrativas. A primeira coisa que pensei quando peguei o livro é que daria para seguir com a tabelinha de Campbell na mão e ir preenchendo as lacunas. E qual minha grande e agradabilíssima surpresa ao perceber que não, não é bem assim? Peguem a tabelinha do Campbell e rasguem ou guardem para preencher com um autor que não sabe utilizá-la. O autor aqui pula algumas das etapas, muda outras e constrói a trama do seu próprio jeito. Para começar, Ablon não é nenhum cupidinho-bebê que desconhece a extensão de seus poderes – ele se parece mais com o Conan da primeira história, um rei que em sua maturidade revê seus feitos do passado, do que com um protagonista de anime que sai de sua vida comum e cai de cabeça no mundo mágico. Ablon JÁ ESTÁ no mundo mágico, já conhece suas regras e joga com elas. Dá para discutir em relação à Shamira, se ela não ouve o chamado, encontra o mentor (Ablon) e sai em busca do elixir, mas mesmo aqui a receita de bolo não é literal. É como se de uma massa de caixinha ele tivesse feito uma sobremesa muito mais elaborada.

Claro, alguns clichês não escaparam: ele até conseguiu se esquivar muito bem da profecia, mas pelo menos um conselhinho do oráculo Ablon acaba ouvindo, e Apolyon é um bonequinho de papelão que não tem nenhuma função maior do que “o rival protocolar do protagonista”, assim como o da donzela em perigo. Alguns deles fazem parte do tipo de história que o autor se propôs a contar e entram até na tal “zona de segurança” que falo aqui de vez em quando – e ficam pequenos perto das rotas fáceis de liga-pontos que o autor se esquivou.

Crianças leitoras do blog que querem se propor a escrever: APRENDAM. Só dominando ferramentas dá para fazer o melhor uso delas – e não se contentar com o convencional, o “default”.

***

Quer tirar suas próprias conclusões? Compre o livro! (Submarino – edição normal/edição especial)

***

Até a próxima!

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22 Responses to A Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr

  1. Alexandre says:

    “Morra, Ablon!” XD
    Vou ler sem falta. Depois comento. 🙂

  2. Lucas Rocha says:

    Não vivi essa época de Cavaleiros do Zodíaco (sou mais da geração power rangers), mas entendo perfeitamente quando você fala sobre matar a nostalgia. O pouco que li do livro não me empolgou muito pra continuar exatamente pelo ponto narrativo que você apontou: o narrador parece um documentarista, passando os acontecimentos de forma fria… talvez isso não me tenha agradado muito, mas vou dar uma segunda chance e pegá-lo pra ler novamente 🙂

    • Ana Carolina Silveira says:

      Pode pegar! Achei muito divertido. O narrador só é enjoado no começo, lá pela página 50 ou 60 ele para com isso e fica mais natural…

  3. Renato says:

    Concordo com todas as suas críticas. A parte do ditatismo tipo livro escolar no início quase me fez desistir da história.
    De resto, os cortes que deveriam ser feitos, a ilógica do livre arbítrio e principalmente os excessos de adjetivos na narrativa me incomodaram um pouco.

    Faltou mesmo o dedo de um editor.

    E o lance dos Cavaleiros até estava indo bem, mas no final ficou muito exagerado.

    • Ana Carolina Silveira says:

      Pra mim o GRANDE problema do livro foi esse mesmo, faltou edição, faltou alguém pra fazer intervenções, cortes e mandar arrumar isso ou aquilo.

      É um livro divertido, mas poderia ser bem melhor se tivesse sido editado.

  4. Ainda não terminei de ler.
    Mas até agora, sua resenha é o que mais se aproxima das minhas impressões sobre o livro.
    O que mais me incomodou até agora, como vc comentou, foi a ausência de um editor para dar uma enxugada na estória.
    Quase desisti no início, por causa da prolixidade do narrador. Mas sou teimosa, “sou brasileira e não desisto nunca” e, passada a primeira centena de páginas, a leitura tornou-se mais fluida.
    Vai merecer um post no meu blog quando eu terminar.

  5. Rafael Tinoco says:

    Eu li e achei fantastico , comprei o livro porque achei a historia muito legal quando li o resumo do livro , depois de comprar que fui saber da trajetoria do Eduardo Sphor, de como ele começou com esse livro . Sobre o fato de não ter um editor , bem , diz o autor que ele deu uma “limpada” no livro , pois na primeira edição que ele lançou de forma independente no site do jovem nerd, a cada pagina ele falava do tecido da realidade, explicava e explicava todo momento. Realmente a cada luta eu imaginava uma luta de CDZ, so que com mais detalhes e mais bem trabalhadas, falando em lutas como o Eduardo sabe escrever as lutas, elas são empolgantes te envolve de uma maneira que chega a perder o folego. Agora eu adorei o Lucifer, ele é um cinico, narcisista que não tem como não gostar dele, o Miguel é um nojo só , a Shamira tambem gostei muito dela, ela faz a donzela da historia mas não é uma mosca morta , bem decida e muito bem trabalhada. Agora o final , o autor disse que deixou em aberto , eu particulamente não concordo , fechou bem a historia , claro quem um espaços q ficaram devem , mas ele fez de proposito , como Ex(momento Spoiler) : onde esta Rafael? Pq de sua falta de interesse na rebelião? isso é só umas dos espaços que sera explicado no proximo livro que ele já esta escrevendo.
    Eu iria dizer algo do Ablon mas to com sono demais para falar >.<
    Em fim, o livro é muito bom , pode ser chatinho no começo mas depois você agradece a cada momento de ter insistido na leitura

    • Ana Carolina Silveira says:

      Vale o mesmo comentário do post do Vianco, um editor profissional veria a obra com outros olhos, diferentes do autor. E eu sei que o livro deu uma melhorada BOA da primeira edição para a atual, mas ainda tem muitas coisas que dariam para mudar.

      E eu gosto dos personagens, a Shamira está longe de ser indefesa apesar de virar a donzela em perigo – mas o Lúcifer aqui não sai muito do estereótipo geral do personagem na literatura/mitologia em geral. Achei que faltou mais cinza.

  6. Carlos Rente says:

    Li até o presente momento cerca de 300 páginas. Quase que apanho por causa do tempo das minhas férias dedicadas à leitura desse livro de ficção fantástico, um dos melhores que já li, como “Este Mundo Tenebroso”, de Frank A Perethi.
    Um mestre, o Eduardo Spohr.
    Meu herói, o renegado anjo Ablon. Livro realmente digno de se transformar em filme. Quem sabe no futuro algum ilustre empresário sábio transforme o livro em filme, e que filme!
    O que me surpreendeu foi o fato do livro ter sido escrito por um brasileiro. Fantástico!
    Agora deixem-me voltar à leitura, antes que a minha esposa brigue comigo novamente para largar o livro, hehehe!

    • Ana Carolina Silveira says:

      Sabe que eu acho que tecnologia pra fazer um filme nacional do ABdA até já tem, o que falta mesmo é o intere$$e de alguém em produzir…

      E divirta-se!

  7. Wendell says:

    Escuto opiniões tão diversas sobre esse livro que não sei se leio, apesar de ser um história divertida e coisa e tal, mas tem esse começo documentário e esse meio parado, é meio desistimulante, mas é uma daqueles livros pops que a galera curte e todo mundo fala, sei não, se um dia ficar sobrando nos estoques da submarino e tiver de promoção eu compro . 😀

    • Ana Carolina Silveira says:

      Olha, se vc gostou do Dragões do Éter ao ponto de recomendar, acho bem provável que goste desse tb.

      • Wendell says:

        Não me entenda mal, recomendei Dragões porque eu nunca vi uma opinião ou resenha SINCERA sobre o livro, tudo que leio e escuto são elogios, e quando alguem não gosta só diz que não gostou e pronto .
        Dai eu queria saber sua opinião porque sei que vc é sincera sacô ? ;D

      • Ana Carolina Silveira says:

        Ahahahahahahahaha quem sabe um dia, quem sabe um dia… 🙂

  8. Carlos Magno Consoli says:

    Gostei muito do livro do Spohr!Mas sobram arestas isso é fato, uma das partes que eu mais gosto do livro é quando Ablon está no Oriente fazendo a “rota da seda” junto com os mercadores gregos, mas realmente é meio “quebra clima” no ponto onde se encontra, o universo do ABdA é muito rico e vejo uma forma muito boa de se aproveitar tudo, pequenas histórias explorando um pouquinho mais de cada personagem, uma espécie de “Crônicas Angélicas”, gostaria muito de ler algo assim e Eduardo escreve muito bem, os flash-backs são simplesmente deliciosos de ler, mais tiram toda a tensão de urgência a iminência do fim, o apocalipse chegando a s trombetas tocando e tudo mais!Estou ansiosissímo pra ver o que o Spohr vai escrever a seguir.

  9. Pingback: Os Filhos do Éden – Eduardo Spohr « Leitura Escrita

  10. Alex Bastos says:

    Ainda bem que eu sou duro na queda e sei que vou vencer os primeiros passos do livro e de repente fazer que nem fiz com George Martin: CARALEO, que história ótima! (oremos)

  11. Guilherme says:

    Gabriel na verdade é um referência cuspida aos detalhes ao Shaka de Virgem , o que é MUITO foda

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