Wizard’s First Rule (A Primeira Regra do Mago) – Terry Goodkind

A Guerra dos Tronos está no topo do hype agora. O seriado está sendo produzido pela HBO com cuidado e esmero, com orçamento que permite fazer coisas boas, com elenco escolhido a dedo, tudo para manter o padrão HBO de qualidade (Roma? True Blood? Band of Brothers?). Para quem quer novidades frescas sobre a série, recomendo clicar aqui e aqui.

Mas pouco antes de A Song of Ice and Fire virar série, outra obra hypada virou seriado, pela mais modesta ABC: Sword of Truth, rebatizada como Legend of the Seeker. Assisti aos dois primeiros episódios e não achei exatamente a minha (e PELAMOR, a série tem DEFEITOS especiais!), então deixei pra lá.

Um dia, em dezembro do ano passado, estava andando pela livraria, vendo as estantes de livros quando vi uma capa com duas figuras que pareciam uma bruxa e um guerreiro que se encaravam numa linda paisagem e com o convidativo título de A Primeira Regra do Mago. Fiquei interessada, fui consultar o preço e quase morri ao descobrir que o lindo livrinho custava a bagatela de 75 reais (a faca vem de brinde,  Rocco?). Meu salário de free-lancer profissional liberal não dá conta desta demanda, então deixei para lá. Comentando o fato com uma amiga, ela me disse: “ora, mas eu tenho esse livro aqui e mais os dois próximos da série, você quer emprestado?”, ao qual eu respondi: “:D”.

Só em junho consegui pegar os livros e o tamanico (mais de 800 páginas cada) me assustou. Deixei para uma oportunidade vindoura, que apareceu durante a semana passada. Espero que o pessoal da comunidade Legend of the Seeker não me odeie muito, pois minha intenção original de fazer essa resenha foi pela quantidade de acessos que recebo de lá 😛

Enfim:

Era uma vez Richard Cypher, um rapaz que vive uma vida normal como guia de uma floresta e que tem seu destino mudado quando, por um acaso, encontra uma bela mulher perseguida por quatro homens armados. Seu nome é Kahlan e ela está buscando pelo último grande mago do mundo, que poderá despertar o legendário Seeker, aquele que detém a Espada da Verdade e é o único capaz de deter Darken Rahl, um feiticeiro malvado e muito poderoso que vai dominar o mundo após reunir três artefatos do poder (precisa MESMO falar alguma coisa aqui?).

Claro que antes da página 100 o autor já revela que o Richard é o Seeker (para que ficar cozinhando o galo com o óbvio?), a identidade do mago e coloca todo mundo na estrada para enfrentar o mal iminente. Enquanto Richard, Kahlan e Zedd viajam pela Fronteira, dá quase para imaginá-los pixelizados em um RPG do Super Nintendo (sim, eu vi os bonequinhos, as batalhas randômicas e o cenário na minha frente enquanto lia).

E é aquele tipo de livro com margem de segurança: quem é bom é bom, quem é mau é mau, o vilão não quer nada menos do que dominar o mundo, os clichês cairão como frutas maduras no colo do leitor, vão haver deus ex-machina sempre que necessário…

Maniqueísmo é necessariamente ruim? Não acho (e pra mim o grande problema do livro apesar de passar por aí nem é esse). Uma história feijão-com-arroz de aplicação direta da jornada do herói cheeeeia de clichês do gênero é necessariamente ruim? Não acho também. Mas, CLARO, se o que o autor está vendendo é isso e o que você está comprando é isso.  Como essa relação se estabeleceu aqui, não me incomodei. Esse tipo de história não me desgosta – não é o que quero ler o tempo todo, mas tem épocas em que andar na “margem de segurança” é preciso, até.

E, claro, worldbuilding é para fracos. Pra que perder tempo criando um mundo se você pode presumir que o leitor é versado em high fantasy e conhece as convenções do gênero, rabiscar um mapa com indicações e tá tudo certo? Claro, dá para incluir fronteiras mágicas que não podem ser ultrapassadas e monstrinhos, mas nenhuma novidade.

Os personagens ganham poderes e o protagonista entendem melhor sua natureza de escolhido, de figura central de profecias e tal, mas ninguém cresce ou muda (aliás, até muda, mas explico abaixo). Para que personagens redondos se os planos já resolvem, para que cinza se o preto e branco já agradam?

Porém, o relacionamento entre Richard e Kahlan é bonitinho bem-construído, a maneira como vão se apaixonando e ficam perdidinhos de amor. É um desdobramento óbvio desde o momento em que se encontram, mas o autor consegue fazê-lo sutil e gradual. Primeiro, a necessidade de se protegerem, segundo, a cumplicidade que nunca tiveram por ninguém mais, terceiro, o desejo, quarto, a constatação do óbvio. É um amor proibido – ela é uma Confessora, a última de sua estirpe, e não pode se relacionar com um homem sem torná-lo um escravo sem vontade própria – mas que não consegue ser contido. O capítulo em que ela revela ao apaixonado Richard por que não podem ficar juntos é de encher os olhos de lágrimas, se a intenção foi fazer o leitor se compadecer, o autor conseguiu brilhantemente.

E, claro, a trama tem uma mistura de safadeza oculta com puta falta de sacanagem. Há uma certa perversão sexual permeando o ambiente (JÁ MENCIONEI QUE A SUB-VILÃ É UMA DOMINATRIX????? *-*) – a diferença de uma Confessora para uma Mord Sith é que a primeira é uma moça boazinha que fará a dominação por mágica, mas os efeitos são os mesmos. A dominação pelo sexo/amor/temor é da mesma natureza, mas maniqueísta.

As Confessoras, puras em suas roupinhas brancas, criaturas que tem o poder de tomar a vontade de um homem para si e devassar seus segredos (foram feitas justamente para tomarem confissões, como o nome sugere) evitam o contato com os homens para que não se apaixonem e os destruam – mas não hesitam em escolher um macho aleatório para se reproduzirem – e existem tantas técnicas rudimentares de inseminação artificial, ainda mais num mundo mágico, então para que dominar um homem e tirar sua vontade para se reproduzir sendo que é possível simplesmente negociar um doador?

As Mord Sith, guerreiras criadas para se tornarem sádicas ao extremo e terem prazer na tortura, tomam a vontade de seus prisioneiros pelo medo e pelo terror – e eventualmente tomam algum deles para serem seus parceiros. Qual a diferença, senão o sinal trocado?

(mas sejamos justos, as Confessoras são temidas pela grande maioria das pessoas…)

E a puta falta de sacanagem é porque apesar disso o livro não tem uma única ceninha caliente!!!! =(((((

Agora alguns detalhes que não posso deixar passar – e que interferiram bastante na minha apreciação do livro – mas que são SPOILERS. Se você se sente incomodado por isso, pule direto para o fim da resenha.

Leia mais deste post

Alguns desafios resenhísticos/bloguísticos…

Estava passeando pelo blog do Larry Nolen e vi este desafio, que achei bem interessante. Dei uma adaptada local e fica lançada a pedra, né?

1) Resenhe uma obra de fantasia do século XIX (não é muito difícil encontrar, mas uma listinha rápida de autores: Joseph Conrad, H. Rider Haggard, sir Walter Scott…)

2) Resenhe um livro relativamente obscuro e preferivelmente de edição esgotada das décadas de 1960-70 (muuuuito fácil achar muita FC obscuríssima em sebos)

3) Resenhe alguma ficção especulativa que não seja traduzida do inglês, de algum outro país ou linguagem.

4) Resenhe um livro nacional (é, no nosso caso se aplica :D)

5) Resenhe algum livro do ano que você nasceu.

6) Resenhe um clássico da literatura nacional (não vale mashup) que você tenha sido torturado com estudado (ou não) no Ensino Médio.

7) Resenhar a obra de um ganhador do Prêmio Nobel

Gostei! Vou ver se aplico esse desafio no ano que vem. Quem vem comigo?

Ótimo final de semana para vcs!

Até a próxima!

Eclipse ao Pôr do Sol – Antonio Luiz M. C. Costa

Livros de contos de um só autor podem ter efeito duplo: a amostra de temática e de estilo pode ser enfadonha ou instigante. A publicação de estreia na ficção do articulista Antonio Luiz M. C. Costa cai no segundo grupo – estava planejando ler um conto por dia, mas foi impossível largar o livro antes de ler tudo.

Existe uma certa identidade temática nos contos escolhidos para comporem o livro: o sobrenatural e o mágico em terras tão distantes e tão próximas, no espaço e no tempo. Temos amostras da lírica do amor, de investigações mágicas, de reflexões…

Bom, vamos a uma análise rapidinha dos contos:

O conto de abertura, A Nascente da Serra, é o melhor da coletânea. Não sei qual seria a melhor palavra para descrevê-lo. Lírico? Agridoce? Ambos? A escrita, uma emulação do português clássico, trouxe uma dose maior de poesia para o conto. A identidade do protagonista ficou óbvia para mim logo no comecinho e me colocou um sorriso no rosto. Sua musa tem uma face diferente a cada época da humanidade e cultura: princesa sacrificada, ninfa, santinha… É uma história sobre um amor singelo e puro, mas que não é eterno (algum amor é?) e nem será o único na vida dos protagonistas. O final, com easter egg para quem gosta de literatura clássica, também me provocou um risinho. Caso eu fosse professora do Ensino Médio, levaria o conto para ser lido por meus alunos em alguma atividade complementar. O livro tem outros bons contos, mas já vale a pena ser adquirido só por conter essa preciosidade.

O segundo conto, O Anhangá, é uma ficção alternativa (ou seja, reune personagens preexistentes) sobre a solução de um mistério na Santos do século XIX. Demorei a estabelecer empatia com os personagens e com a trama, o que só aconteceu quando começou o thriller – e foi impossível parar de ler até a solução final. É o duelo entre o ceticismo e o sobrenatural (e a vitória e explicação são bem coerentes com a ciência positivista da época). Não gostei do final, achei que faltou um pouco do sal e pimenta que temperaram todo o conto, mas no balanço geral é uma boa leitura.

Não gostei de Louco Por Um Feitiço, o próximo conto. Sei de onde saíram os personagens e as situações, por ser um spin-off de um projeto anterior do autor. Achei o conto bem construído, bem narrado, tem um background interessante (um dos machos-beta da comunidade que se ressente do macho-alfa, digamos assim), mas achei que partiu do nada e chegou a lugar nenhum. Sei lá. Ficou parecendo mais uma desculpa para uma cena de sexo interespécie e menos uma história a ser contada (e não tenho pudores literários para cenas calientes, até as narradas nos mínimos detalhes – e isso o autor faz sem cair no ridículo, mas achei que faltou… história).

O quarto conto, Papai Noel Volta Para Casa, traz as reflexões do bom-velhinho, que não gosta de seu serviço mas depende dele para tirar uns trocados, pois já não possui as glórias do passado. Uma reflexão sobre o balanço de poder da humanidade através dos tempos, e também sobre como quem algum dia foi rei jamais perde a majestade. A composição deste conto é bem diferente da dos demais, mas é imperdível, com um desfecho que não surpreende mas é bem conduzido.

O Cio da Terra é uma espécie de continuação do primeiro conto, A Nascente da Serra, onde um jovem do século XXI encontra a musa do primeiro conto e se apaixona perdidamente. E, como todo louco de amor, sua razão e bom-senso sucumbem ao reino das emoções e sentidos. O ponto alto do conto é a caracterização da linguagem, que ficou bem interessante – e apesar do atrevimento linguístico, em nenhum momento o conto perde a fluência. Quanto ao final, tenho sentimentos dúbios. Gostei, mas não gostei (apesar de que quem viu o mundo mágico não pode mesmo querer voltar para o mundo real). Fica para o leitor decidir 🙂

Agora vamos ao último conto, o que nomeia a coletânea, Eclipse ao Pôr do Sol. Também foi um conto que demorei a criar empatia, só aconteceu depois da passagem do oráculo – antes disso, me pareceu mais um desafio do tipo “quantas deidades gregas consigo colocar dentro de contexto”. Mas após o oráculo e quando a investigação começou, o texto fluiu que foi uma beleza. O subtexto é algo como a ciência, e não a superstição, é capaz de levar o homem à liberdade e felicidade, e da superação de um pensamento místico com o desenvolvimento da ciência (e meus problemas aqui são mais ideológicos, por não concordar muito com o ponto, do que em estilo e desenvolvimento em si). É um conto rico em referências e fiquei feliz por pegar pelo menos grande parte delas, o que torna a trama e a mensagem mais claros.

Enfim, são sabores diferentes que levam a um denominador comum. Vale a leitura, os contos são bem fluentes e interessantes. E se você conhece o trabalho do Antonio Luiz como crítico, então fica mais interessante ainda acompanhá-lo agora do lado oposto.

Dados técnicos:

Eclipse ao pôr do sol e outros contos fantásticos
Antonio Luiz M. C. Costa
ISBN: 978-85-62942-05-1

Gênero: Literatura fantástica
Páginas: 128
Preço de capa: R$ 27,90

Compre em: (Livraria Cultura)

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Até a próxima!

O Blog

O que leva uma pessoa a montar um blog?

Obviamente é compartilhar sua opinião com o mundo. Afinal de contas, quem disponibilizaria seu trabalho onde todo mundo pode ver senão para ter contato com o público? Se não quisesse ser lida, debatida, concordada ou discordada, estaria quietinha escrevendo diários. E TODO blogueiro é assim – por mais que haja alguns que parecem viver na torre e quererem passar longe dessas pessoas infectas chamadas público, todos nós queremos leitores, queremos posts bombando de comentários, queremos links, queremos pageviews.

A ideia inicial quando comecei com o blog foi a de debater IDEIAS. Foi a de falar quais livros eu leio, o que gosto neles, o que chamou minha atenção neles. Foi resenhar autores que normalmente não teriam espaço – eu procurei uma resenha em português de Nevasca, por exemplo, antes de comprar o livro. Não achei. E pelo que me mostram várias das keywords mais comuns do blog, percebo que muitos dos leitores vêm aqui com essa intenção – saber um pouco mais de determinado livro antes de ler.

E eu faço tudo com carinho. Tem dias que demoro a fazer uma resenha porque pesquiso, procuro links (em alguns posts dá preguiça), algum assunto que dê para relacionar, alguma coisa que dê para acrescentar. Nenhum livro tá isolado de mundo ou de contexto e gosto de falar um pouquinho disso quando quero escrever sobre algum. E, CLARO, isso exige pesquisa. Parar, pensar, consultar fontes, ler sobre o assunto um pouquinho… Blogar dá trabalho. Não escrevo posts no word, então eles tem vícios de oralidade – mas não acho isso necessariamente ruim 😛

Só que blogueiros estão sujeitos à parte “suja” da internet. Graças a Deus até hoje não soube de nenhum plágio – mas plágio é até relativamente fácil de se lidar, manda e-mail avisando pra tirar, se não tirar toma as medidas cabíveis. Mas existe outra forma de apropriação desprotegida pelas leis de direito autoral – o campo das ideias. Não posso registrar uma ideia ou um método – então se faço uma teoria, uma análise ou algo do tipo aqui, temos uma ideia solta, né?

Então o que fazer quando se for citar uma ideia, de forma ética? Dar as fontes, simples. De acordo com fulano de tal, acontece isso, isso e isso. Você quer construir em cima da ideia? Simples, basta dizer que fulano disse isso, mas adicionar sua própria opinião e raciocínio. Fácil, né? É a maneira de respeitar o tempo que a outra pessoa levou para pesquisar, elaborar o raciocínio e escrever. Infelizmente não dá para exigir ética das outras pessoas, mas é melhor viver num mundo de cooperação do que em um de destruição, para todos.

Ao mesmo tempo em que é legal ver ideias que você lançou se espalhando, é chato ver uma análise sua replicada sem créditos. É quase a mesma coisa do plágio: você que pesquisou, escreveu, gastou tempo, sangue e suor para no fim das contas outra pessoa vir e colher os louros. É chato, é desagradável, é injusto.

Entra naquela história de você fazer com os outros aquilo que espera que façam com você. Aqui no blog (e também na época em que eu participava do PnaE – saudadinha!), procuro dar links e fontes. Faço porque acho que é o certo, né? E gostaria que outras pessoas também tivessem esse cuidado.

Então, por que não darem um nome e um link quando forem usar uma ideia ou análise? Não custa nada, de maneira alguma vai desabonar seu próprio trabalho, muito pelo contrário, vai enriquecê-lo, e é rapidinho 🙂

E até a próxima!

Convite: Você tem medo de quê? + PROMOÇÃO!

Convite de evento legal para quem estiver no Rio de Janeiro em 27 de outubro…

Então, cariocas, aproveitem para já comemorarem o Dia das Bruxas! (~o.o)~

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E já que já estamos aqui mesmo, para comemorar o evento e o tanto de lançamentos deste ano, vamos de sorteio DUPLO!!!!

Um exemplar de AnaCrônicas, da Ana Cristina Rodrigues, e um de Enquanto Ele Estava Morto, do Estevão Ribeiro, que está lançando o segundo livro!

E os dois vão para o mesmo vencedor!!!

Mas como participar?

Siga o blog no twitter e dê RT deste link até 25/10: http://kingo.to/jkC

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Até a próxima!

Memórias Desmortas de Brás Cubas – Pedro Vieira

Continuando a trilogia temática do blog, vamos ao segundo post…

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Uma modinha literária que surgiu nos últimos tempos (e modinhas literárias surgem com a mesma rapidez do que qualquer outra modinha), talvez tendo como base a modinha musical surgida pouco antes, foi a dos mashups.

Como assim mashup?

Em linhas gerais, é uma mistura, uma infusão, uma fusão de dois textos. O livro responsável pela explosão dos mashups foi o paradigmático Orgulho e Preconceito e Zumbis – que pega o texto original de Jane Austen (85% do original) e insere algumas modificações – a guerra napoleônica vira a invasão zumbi, e as irmãs Bennet são exímias guerreiras prontas a combatê-los. Mas a história original, o romance entre os orgulhosos Elizabeth Bennet e Mr. Darcy, continua lá.

Uma derivação dos mashups foram a apropriação de personagens (ficcionais e históricos) e a elaboração de outras histórias num contexto mais pop/moderninho: Jane Austen, a Vampira; Abraham Lincoln Caçador de Vampiros; Sense and Sensibility and Sea Monsters e por aí afora…

Então por que não utilizar a estratégia dos mashups, pastiches e paródias e reinventar os clássicos nacionais? Recentemente, a Leya lançou os seguintes títulos: Dom Casmurro e Discos Voadores; Senhora, A Bruxa; O Alienista Caçador de Mutantes e A Escrava Isaura e o Vampiro. Nenhum deles é um mashup no sentido estrito do termo, da preservação do texto original e sua mistura, mas todos parodiam os clássicos que povoaram as aulas de literatura.

E a Tarja lançou o livro que é o assunto do blog de hoje, Memórias Desmortas de Brás Cubas, do Pedro Vieira…

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Brás Cubas é o defunto-autor (e não autor-defunto, note-se) mais conhecido da literatura brasileira. Ele conta sua história do além-túmulo, com muita ironia, humor negro e crítica social, narrando sua tentativa, frustrada ou não, de ascender socialmente em geral e se dar bem na vida em particular. Em 1881, Machado de Assis gerou polêmica pela estrutura do romance, mais um bate-papo com o leitor do que uma narrativa.

Mas o pressuposto de Memórias Desmortas de Brás Cubas é a de que nosso querido defunto-autor tornou-se um zumbi e por isso pôde narrar suas memórias. Ao despertar do túmulo, acordado por seu ex-escravo Prudêncio, ele descobre sua predileção por cérebros e procura descobrir porque está desmorto – e trocar algumas palavrinhas com Cotrim, seu cunhado e cupincha de carteirinha. No meio do caminho, ele vai esbarrando e conhecendo personagens do universo machadiano e aumentando sua horda de zumbis famintos por cérebros, invadindo o Rio de Janeiro um século antes de qualquer diretor sequer pensar em filmar A Madrugada dos Mortos…

A história é interessante, mas a revisão do livro poderia ter sido mais criteriosas. Tem alguns erros bobos que qualquer passada de olhos mais atenta eliminaria num piscar de olhos.

O livro é narrado em primeira pessoa e é novamente um bate-papo com o leitor – trocam-se as referências clássicas por referências pop e a crítica, mordaz,  também muda de foco: o livro é um cruzado de direita no academicismo.

Obviamente a literatura, seja como retrato de uma época, ideologia, política ou sociedade;  seja como valor artístico, evolução linguística ou estilística; é e deve ser objeto de estudos. O problema é a apropriação da obra e de seu sentido pela academia – é destrinchar e procurar um sentido próprio, que às vezes nem mesmo o autor desejou dar ao texto.

É uma crítica ao sistema de ensino que obriga o menino de quatorze anos a ler, entender e apreciar Dom Casmurro e surfar entre mesóclises e metáforas – e também ao repúdio das obras ditas como comercias.

É uma crítica a quem elege os clássicos como reduto de uma minoria – seus estudiosos ou “as pessoas cultas” e se esquecem que alguns deles foram feitos para consumo popular em sua época. Até engraçado ver as reações que os mashups causaram, de pessoas que se dizem iradas e escandalizadas  pelo vilipêndio aos clássicos. Ora, e alguma coisa é tão sagrada que não mereça uma paródia? E ninguém aqui quer substituir ou tirar o valor e validade dos clássicos, mas fazer uma piada com isso tudo. É difícil entender ou a proposição é tão ofensiva assim?

E Brás Cubas versão zumbi vem para dizer isso: nada é sagrado e intangível, nem mesmo a vida.

(e para quem quer ver uma coleção de comentários irados e ultrajados sobre mashups ou paródias, leia a coletânea no blog do autor).

Ficou curioso? Leia o livro! Compre em (Livraria Cultura)

DADOS TÉCNICOS:

Autoria: Pedro Vieira
ISBN: 978-85-61541-22-4
Páginas: 144
Formato: 14x21cm
Ano: 2010
Tarja Editorial

Lançamento: Necrópolis – A Fronteira das Almas

Em Necrópolis – A Fronteira das Almas, romance de Douglas MCT, Verne Vipero irá até os confins de um mundo fantástico em sua jornada tenebrosa para resgatar a alma do irmão. Em Necrópolis nada é o que parece e a Fronteira das Almas é o fim da travessia. Verne Vipero não acredita em nada fora do normal. É um rapaz cético que confronta sua descrença ao descobrir que pode salvar a alma do irmão morto, que segue em direção ao Abismo. Abalado pela perda e descobrindo essa possibilidade, parte para o Mundo dos Mortos com um objetivo, quase uma obsessão: trazer Victor, o caçula, de volta à vida. Custe o que custar. O leitor acompanha Verne Vipero a Necrópolis, uma das regiões de Moabite, o Sétimo dos Oito Círculos do Universo. Um lugar habitado por criaturas sobrenaturais como duendes, vampiros, reptilianos e centauros. Onde há planos que levam a mundos Etéreos, de Pesadelos e Magia. Um lugar regido por forças opostas: o Ouroboros, que permite a renovação da vida; e o Niyanvoyo, onde as almas dão seus passos rumo ao fim. Aliado a um monge renegado, um ladrão velocista, uma mercenária deslumbrante e um homem-pássaro suspeito, Verne conhecerá um deserto mórbido, um abrigo de magos e uma cidade de pedra, e irá até os confins do mundo em sua jornada tenebrosa para resgatar a alma do irmão. Em Necrópolis nada é o que parece e a Fronteira das Almas é o fim da travessia.

Sobre o autor: Douglas MCT nasceu em Socorro, interior de SP, em 1983, e atualmente reside na capital. Cursou Criação e Produção Audiovisual, trabalhou por uma década comodes igner gráfico e no momento atua como Roteirista de games, quadrinhos, animações, filmes e seriados. Escreveu para os quadrinhos da Turma da Mônica e teve contos publicados nas coletâneas Anno Domini (2008), Território V (2009) e Imaginários v. 3 (2010). Suas primeiras histórias foram premiadas com o Mapa Cultural Paulista em 2001 e 2003.

Dados técnicos:
Autor: Douglas MCT
ISBN: 978-85-62942-18-1
Gênero: Literatura Fantástica – Dark Fantasy
Formato: 14cm x 21cm
Páginas: 308 em preto e branco, papel pólen bold 90g
Capa: Cartão 250g, laminação fosca, com orelhas de 6cm
Preço de capa: R$ 48,90
Disponível em: 7/11/2010

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Até a próxima!

E olhem o tanto de releases numa semana só! Beleza isso!

Vozes do Além…

Pessoal,

Checando meus e-mails, descobri isso na caixa de spam. Não riam muito de mim, mas não tive como deixar de postar isso aqui.

“Olá,
Meu nome é Bruna e tenho dezesseis anos.
Gosto de trocar mensagens, conhecer pessoas pela Internet e adorei seu blog.
Por isso, escolhi você para ser meu novo amigo.
Eu acredito que vamos nos dar muito bem.
E para isso acontecer, poste esse email no seu blog. Torça para ter sete comentários, ou então você terá MUITO azar.
Se não postar? Vai ser muito pior. Mas você não faria isso.
Você não recusaria o pedido de uma morta, né?”

Vocês devem estar achando que eu sou muito boba ou que estou pregando uma peça em vocês. Depois de ver o vídeo abaixo, vão entender porque eu tive que fazer isso. E por favor, COMENTEM! Não quero uma assombraçãozinha no meu pé! (~o.o)~ (~o.o)~ (~o.o)~

Lançamento: Antes Tarde Do Que Sempre

ANTES TARDE DO QUE SEMPRE
Antes Tarde do que Sempre, de Bertoldo Gontijo, leva o leitor por eventos às vezes engraçados, às vezes trágicos, mas sempre bem sacados. Seja por qual for o motivo: o sexo, as drogas ou o rock ´n´ roll, Aldo tem 30 e poucos anos, é um obcecado pelo seu passado cheio de vitalidade e vê em Júlia a oportunidade de revivê-lo, o que o leva a novos erros e a revelações inesperadas. Em seu apartamento no bairro da Aclimação em São Paulo, rodeado por seus adorados discos de vinil e guitarras, Aldo, um redator publicitário, fã derock e músico frustrado, se recupera de um pequeno acidente sofrido em ums how. De molho e em meio a uma crise de insônia, ele se dá conta de que está envelhecendo infeliz. Júlia, uma antiga colega de escola, linda e bem sucedida, reaparece por acaso (ou nem tanto) em sua vida, e traz com ela o frescor de bons momentos. E é a partir daí que a personalidade cômica e cativante desse anti-herói começa a mostrar contornos mais detalhados. Personagens e situações reais e divertidas da vida privada acabam por revelar os motivos da atual condição de Aldo. Impossível não se identificar com Aldo ou com Júlia. Mesmo que apenas no fim. Antes tarde do que nunca.
Sobre o autor: BERTOLDO GONTIJO é um novo escritor brasileiro nascido em 1968, tatuado e apaixonado pela culturarock. Trabalha em seu estúdio dedesign, é guitarrista de uma banda em São Paulo e também redatorfreelancer. Segue escrevendo, tocando guitarra e curtindo o seu filho, que também já é fã dos Beatles e dos Rolling Stones.
DADOS TÉCNICOS:
Autor: Bertoldo Gontijo
Editora: Draco
ISBN: 978-85-62942-15-0
Gênero: Literatura Brasileira
Formato: 14cm x 21cm
Páginas: 136 em preto e branco, papel pólen bold 90g
Capa: Cartão 250g, laminação fosca, com orelhas de 6cm
Preço de capa: R$ 28,90
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E assim começam os releases dos lançamentos Draco para o final do ano!
Estará disponível a partir de 06/11!