Histórias da Copa do Mundo

Espero que desculpem a falta de atualizações, mas estou usando um computador que tem birrinha com o WordPress, além de estar ocupada com os compromissos acadêmicos e com minha querida diversão que só acontece de quatro em quatro anos 🙂

Gosto do jogo futebol e da cultura futebol, que é tão atávica a nós e também tão menosprezada (talvez por esse atavismo tão forte, não sei). A Copa do Mundo, maior competição esportiva do planeta e que envolve rivalidades nacionais, locais, une países e orgulha nações, é riquíssima em histórias a serem contadas pelas gerações e hoje recomendo dois filmes.

O primeiro é o alemão O Milagre de Berna. Em 1954, havia uma grande seleção e um grande craque: a Hungria de Puskas. Era a favorita, ganhando partidas e encantando a Europa, mas havia um azarão em seu caminho: a Alemanha Ocidental, recém saída da guerra, humilhada, destroçada e deprimida. Os alemães surpreenderam e venceram o melhor time na final disputada na cidade de Berna, na história conhecida como milagre de Berna, elevando o moral nacional e trazendo alegria e esperança para seus torcedores.

O segundo, o estadunidense Duelo de Campeões, que trata da vitória dos EUA sobre a Inglaterra na Copa de 1950, partida disputada em Belo Horizonte. Os EUA eram uma equipe amadora formada principalmente por imigrantes, azarona, que fez o jogo de sua vida e ganhou o jogo da grande equipe europeia. Vale bem a pena. 🙂

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Outro filme sobre o esporte – e sobre a África do Sul – que é um must see é Invictus, que trata da história da liderança de Nelson Mandela para o fim do apartheid e a copa do mundo de rúgbi que a equipe da África do Sul venceu invicta, unindo um país desunido por anos de um regime político cruel em torno de uma causa única e a esperança de dias melhores.

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Algum dia ainda arrisco resenhas de filmes 🙂

E até a próxima!

American Gods (Deuses Americanos) – Neil Gaiman

Continuando minha sina com Neil Gaiman – e com uma ligeira ajuda de Percy Jackson, vá lá, que tem uma temática um pouco tangencial – resolvi ler Deuses Americanos. Primeiro, para ver como o tema dos deuses antigos vivendo nos dias atuais nos Estados Unidos seria tratado por uma ótica mais adulta e segundo, por este ser considerado o melhor romance do autor.

Porque Neil Gaiman é um dos grandes escritores contemporâneos de ficção fantástica – e talvez o mais conhecido e popular deles. É referência obrigatória a qualquer um que queira conhecer o gênero e sua produção atual. Ele é um grande arquiteto de cenários e premissas, o que dá para reconhecer desde Sandman e em seus demais trabalhos, mas peca um pouco ao explorar todo o potencial de seus cenários, situações e personagens.

Comecei a leitura de Deuses Americanos trazendo comigo essa decepção dos trabalhos anteriores do autor: belíssimo cenário e trama inovadora e rica, mas pouco desenvolvimento.

(e, bom que se explique, “American Gods” porque li o original. O livro saiu no Brasil pela Conrad no começo da década, a edição esgotou e a editora passou por reformulação – ou seja, existe edição em português, mas rara e de difícil acesso.. Espero que alguma outra editora anime-se a comprar os direitos do Gaiman e republicar o livro, quem sabe?).

O livro narra a história de Shadow, um homem soturno que, ao sair de uma temporada na cadeia, é contratado pelo misterioso mr. Wednesday para ser seu segurança e fazer alguns outros tipos de servicinhos, pois uma Grande Tempestade se avizinha no horizonte, a luta final dos deuses novos e antigos pela posse dos Estados Unidos.

E então Shadow vai conhecendo deuses e deusas, alguns melancólicos, outros nem tanto, que saíram de suas terras natais nos corações e mentes de seus fiéis e foram para os Estados Unidos, mas agora estão sendo esquecidos e trocados por deuses mais modernos – a Televisão, a Informática, a Metrópole. À medida em que se mete com tramas celestiais e divinas, sua vida também vai sendo posta em risco e ele precisa tomar parte na batalha, tornando as coisas um pouco mais pessoais.

A reflexão da perda da tradição pelo consumismo é interessante. Não são apenas nossos deuses que trazemos conosco – e o alimento dos deuses é a prece, a lembrança, se os fiéis não oram mais e eles caem no esquecimento, são mortos – mas também nossas pequenas crenças pessoais, manias, danças, canções… Nossa cultura. Claro que a tradição cultural não é estática, cada invenção nova, ou cada contato entre povos, faz com que as coisas se alterem, mas ver sua cultura retirada de si é tão mortal quanto a retirada de uma planta do solo.

Claro, ÓBVIO que com isso não digo que a tecnologia, a mídia e a sociedade contemporânea são prejudiciais per se, mas anular a herança cultural por completo e consumir enlatados e empacotados só pode redundar em morte. O “american way of life” pode ter seus encantos, mas qual o preço a pagar pela renúncia das tradições antigas?

No decorrer da trama, há interlúdios explicando como as pessoas – e, por consequência, como os deuses – chegaram aos Estados Unidos e compuseram a nação. Imigrantes que desejam a terra nova (mesmo aqueles imigrantes que saíram da Sibéria milhares de anos atrás e foram os primeiros habitantes do continente), ladrões que desejam redenção, escravos a quem não foi dada escolha: nada muito diferente de NOSSA formação histórica, antropológica e cultural, para a qual damos tão pouco valor. Se é com desprezo que falamos que somos uma pátria de degredados, os primos do norte se orgulham dos seus fundadores, e isso é algo que deveríamos genuinamente aprender com eles.

Outra coisa bem interessante sobre o romance é que se trata de uma tradicional “road story” americana: Shadow e Wednesday caem na estrada, cruzam todo o país visitando cidades e pessoas e fugindo da perseguição dos novos deuses e de seus “agentes Smith”, até que, após alguns problemas mais sérios, Shadow é enviado para uma cidadezinha perdida no meio do nada, o que dá uma senhora paralisada na trama, que vinha num ritmo bom.

Sobre o Gaiman ser arquiteto de universos mas não explorar o potencial deles: aqui, este potencial é tão bem explorado quanto a trama permite e de uma maneira muito satisfatória. Há a presença dos deuses – a maioria deles de mitologias pouco conhecidas como a eslava ou mesmo a africana – e sua convivência com a modernidade explorada, há uma boa dose de mistérios que são desvendados ao decorrer da trama, que se não surpreendem o leitor ao menos são bem construídos e conduzidos ao longo da história.

Outro ponto que merece destaque é que Neil Gaiman é inglês e Deuses Americanos, que trata bastante do american way of life, foi escrito quando ele se mudou para os Estados Unidos, ou seja, também tem um grande trabalho de imersão do olhar estrangeiro para contar uma história local. Com sucesso.

Minha única crítica é que o livro é grande demais. Toda a parte 2 poderia ter sido limada sem dó nem piedade sem prejuízos para a trama, o que economizariam umas duzentas páginas no total. Tá, algumas passagens da vidinha comum são interessantes e acabam sendo encaixadas no resto da trama, mas a quebra de ritmo é tão forte que dá pra perceber que é silicone para o livro ficar maior (lembrando que o mercado americano de fantasia prefere obras grandes).

Mas vale a leitura, é um livro muito bem construído, história e cenário impecáveis. Livro muito bem indicado para quem lê em inglês, mas não vale as fortunas que andam cobrando pela edição em português. E Neil Gaiman, aqui, me convenceu, coisa que não tinha acontecido desde Sandman.

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Até a próxima!

Sinta-se à vontade para deixar seu comentário!

Os Perigos de Uma Única História

O vídeo é um bate-papo com a escritora nigeriana Chimamanda Adichie,  para o site TED em outubro do ano passado.

Ela fala um pouco sobre estereótipos, pré-conceitos e preconceitos, e que tudo no mundo tem mais de uma história. Vale a reflexão para nós, num país e num mundo tão cheio de assunções, lugares-comuns e ideias pré-concebidas difíceis de serem derrubadas. E devemos estar abertos para o mundo em todas as suas versões, nuances e particularidades, que vão além da história única.

http://www.ted.com/talks/view/id/652

(para ver o vídeo legendado, a opção de legendas está debaixo do play)

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Até a próxima!

Copa do Mundo

Para os marcianos e saturnianos que visitam meu blog, hoje, dia 11 de junho de 2009, é o primeiro dia da Copa do Mundo de 2010, que acontece na África do Sul.

Gosto do clima de Copa, da festa, do foguetório, das cornetas, das buzinas. As pessoas estão mais festivas, os adultos tem a chance de serem crianças, as pessoas tem a chance de conhecer melhores amigos instantâneos e compartilharem juntos momentos de alegria.

Hoje quando voltava para casa, vi um senhor idoso passeando pela praça soprando uma cornetinha verde-amarela, satisfeito, assim como vejo bandeirinhas do Brasil tremulando pela cidade, paulatinamente. Há quem critique, acha que há coisas mais importantes para se preocupar, ou que patriotismo não deveria ser coisa de ocasião. Discordo em termos, pois todos nós precisamos de diversão, de nos sentirmos encantados, de relaxarmos por alguns segundos e acreditar que nossa realidade pode ser diferente. E também acho bonito as intenções das pessoas convergidas para um único fim.

Só que vamos ser críticos como somos com o Dunga, Robinho, Kaká e colegas em todos os aspectos da nossa vida? Vamos cobrar compromisso e coerência de nossos governantes, exigir mudanças, fazer nossa realidade fora da copa mudar? Vamos levantar a ficha e a atuação de nossos candidatos aos cargos públicos com o mesmo afinco que destrinchamos a atuação dos jogadores em seus clubes? E quando alcançarmos vitórias em nosso desenvolvimento vamos comemorar com grandes festas verde-amarelas?

Desculpem por sair um pouco do tom do blog 🙂

E vai ser um mês com alguns postzinhos temáticos especiais… 🙂

Boletim Leitura Escrita #1

Estreiando uma nova seção do blog, não sei qual será a periodicidade ou se dará certo como o pretendido, mas são notinhas diversas sobre livros e lançamentos.

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Primeiro, para cessar de vez as dúvidas que de vez em quando aparecem aqui:

“Quando será lançada a continuação de O Nome do Vento, o segundo livro da Saga do Matador do Rei?” – De acordo com a Sextante, a edição brasileira de Wise Man’s Fear (“O Temor do Sábio”) está programada para junho de 2011. Então ficamos combinados, né?

“A versão nacional de A Song of Ice and Fire/Canção de Gelo e Fogo já está disponível?” – A informação que tenho é de que a previsão de lançamento é o segundo semestre de 2010, mas não há nada oficial da Leya sobre isso. Existe a versão em português (de Portugal), lançada pela editora Saída de Emergência, em algumas livrarias brasileiras, o que pode causar confusão. Mas a brasileira não saiu.

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A Editora Draco lançou agora no mês de maio três livros para todos os gostos.

O primeiro é o romance de história alternativa Selva Brasil, de autoria de Roberto de Sousa Causo. Aqui, a militarização brasileira ocorreu de forma ligeiramente diferente da de nossa realidade, onde as Guianas foram invadidas pelo Exército Brasileiro na época do governo de Jânio Quadros. A realidade política e militar dos dias de hoje, então, foi drasticamente alterada, e o autor relata de que forma essa mudança alterou tanto o destino pátrio como o de sua própria vida e aquela de seus familiares.

O segundo é o romance de ficção científica Guerra Justa, de Carlos Orsi Marinho, balada por uma catástrofe natural de proporções cósmicas, a humanidade reinventa sua religião e se unifica sob o culto do Pontífice – um homem que demonstra ser capaz de prever novas tragédias. Mas há quem duvide do bom uso desse poder e acredite que ele poderia evitar muita morte e sofrimento.
Duas irmãs, a freira Rebeca e a cientista Rafaela, veem-se envolvidas em um perigoso jogo de manipulação da realidade e são transformadas em agentes de uma conspiração que busca minar a influência do culto e desvendar o segredo de suas profecias. Mas se o culto for destruído, quem protegerá a humanidade de uma natureza cada vez mais descontrolada? Como a conspiração poderá vencer um inimigo capaz de prever cada um de seus passos? E afinal, o que define uma guerra justa?

O terceiro é a coletânea do contos Meu Amor É Um Vampiro, organizada por Janaína Chervezan e Eric Novello, que retrata em contos de autoras variadas os romances que podem se estabelecer entre vampiros e mortais. Bom, já tratamos deste lançamento AQUI antes… 🙂

O livro O Senhor das Sombras, de Leandro Reis, também já se encontra devidamente lançado. Procurem nas melhores livrarias ou no site do autor caso tenham interesse em adquirir!

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Voltando aos lançamentos internacionais, para aqueles que, como eu, reclamam que a boa fantasia contemporânea demora a chegar no Brasil, a Editora Record lançou recentemente O Dragão de Sua Majestade, primeiro volume da série Temeraire, escrita pela autora Naomi Novik. O livro me é muito bem-recomendado, então fica a sugestão – e também está na minha lista de futuras aquisições.

(ah, a Record também lançou o quinto volume das Crônicas Saxônicas, para quem também acaba vindo parar aqui querendo saber disso…).

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E é basicamente isso!

Como não sei de tudo o que se passa na web, quem quiser anunciar seu lançamento ou algum lançamento legal que anda acontecendo, mande e-mail para blogleituraescrita@gmail.com

Até a próxima!