O Ladrão de Raios – Rick Riordan

Sou fascinada por mitologias em geral e pela mitologia grega em particular. Meu primeiro contato, e lá se vão mais de 20 anos, foi numa edição especial da Turma da Mônica chamada Os 12 Trabalhos da Mônica – uma releitura do mito de Hércules (ou, em grego, Héracles) protagonizada pela turminha. Junto, acompanhava um glossário ilustrado com um resuminho dos doze trabalhos originais e também dos doze olimpianos. Foi impossível não me apaixonar por sua história e conceito.

Depois, ainda na infäncia, ainda tive contato com Os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato, que também é um livro riquíssimo sobre mitologia em geral – e que é meu campeão absoluto em releituras até hoje e que recomendo efusivamente. E, claro, com os Cavaleiros do Zodíaco, que dispensam maiores apresentações.

Depois ainda tem o Hércules da Disney – uma SENHORA releitura com muitas liberdades, mas que ficou muito simpática, o Hércules do seriado, a Xena (os dois últimos são meio trash em excesso, mas…). E isso para nem mencionar que nesse ponto já fui buscar os livros clássicos, como Ilíada, Odisseia, coletâneas de histórias clássicas, Metamorfoses, Teogonia… Bom, se fosse falar só dos clássicos, o post não iria para frente (mas posso tentar dar uma pincelada geral na cultura e mitologia gregas clássicas, vocês querem? Respondam nos comentários).

Na verdade, a cutura clássica é tão parte da nossa que nos é natural. É difícil fazer releituras de mitos gregos sem que se caia no ridículo ou na saturação. Claro, há releituras que atingiram o patamar de clássicos – como Ulysses, de James Joyce, mas a maior parte delas não faz jus sequer aos mitos de onde se originaram, ainda mais se levarmos em consideração que Ulisses ainda anda por aí em sua jornada, que Édipo não consegue fugir de seu destino, que Antígona ainda confronta a lei e a justiça, ou que Psiquê é uma princesa encantada.

Mas vamos ao livro de hoje, Percy Jackson e O Ladrão de Raios. Ouvi falar dele em 2008, talvez, mas a história não me interessou -parecia entrar no campo da saturação grega. O tempo passou, veio a adaptação cinematográfica, que também não me empolgou… até o dia em que vi a Medusa com um iPhone na mão e um centauro cadeirante nas fotos promocionais e pensei algo como “EU PRECISO ASSISTIR ISSO!”.

Assisti quase na estreia, só para me decepcionar bastante. Apesar da ambientação bem legal, achei a trama do filme bastante sem-graça. Em 20 minutos eu já tinha uma previsão aproximada – e que acabou se provando correta – de tudo o que iria acontecer até o final, inclusos o vilão e algumas surpresinhas. No fim, achei um filme pipoca esquecível, e fiquei me perguntando se o livro seria assim tão decepcionante.

Então comecei a leitura, sem compromisso e curiosa pelo que viria pela frente.

Como já tivemos a oportunidade de discutir antes, a indústria literária busca o sucessor do Harry Potter, o livro que será um best-seller absoluto entre o público jovem. Percy Jackson é também um dos candidatos a “novo Harry Potter” – e já começa pelo nome do protagonista. Não apenas por isso: Percy é o filho bastardo de um olimpiano – e, portanto, como nas antigas lendas, é um semideus com poderes sobrehumanos – bem como Harry é um órfão que desconhece sua origem como bruxo.

Mas até os 12 anos, ele é só o menino que vive com sua mãe amável e padrasto repusivo, sofredor de DDA e dislexia, expulso regularmente de colégios pelos fatos inexplicáveis que parece atrair. Seu melhor amigo se chama Grover e ele parece ter um dom especial para que as coisas ocorram da pior maneira com ele (além de não ser só um pré-adolescente comum). Após mais um evento misterioso e constrangedor na escola, Percy descobre que na verdade é um semideus e é convidado por seu professor de latim, que se revela como sendo o centauro Quíron, para frequentar o Acampamento Meio-Sangue, lugar para onde os semideuses vão para aprenderem a sobreviver.

Lá, encontra Quíron, o grande mestre e professor legal que o protege e incentiva, Dioniso, que aqui é o chefe do acampamento que não tem a mínima boa vontade com nosso protagonista, Clarisse, uma garota que não vai com sua cara e se torna sua rival – e Annabeth, filha de Atena e a garota superinteligente que o ajudará em sua jornada.

Mas o Olimpo está em polvorosa, pois alguém roubou o raio-mestre de Zeus – e a culpa cai em Percy que, naturalmente, nada sabre sobre isso. Temendo que a situação fique pior para ele e para o mundo, ele parte em busca do verdadeiro ladrão.

Os pontos altos do livro são, primeiro, a transposição da mitologia clássica para os Estados Unidos, hoje. Os deuses, imortais em geral e monstros precisam se arranjar para viverem em nossa sociedade, precisando dividir espaço com o progresso e tecnologia. E é interessante por fazer um contraponto, ou complemento, ao universo de Deuses Americanos, do Neil Gaiman, que sai de um ponto de partida semelhante, onde os deuses precisam viver no mundo de hoje.

Outra coisa que também me conquistou no livro foi o narrador. Ele é profundamente irônico e debochado, o que dá um sabor especial às aventuras, tanto pelos comentários quanto pela visão pouco ortodoxa dos acontecimentos ao seu redor.

Percy nada sabe do mundo mítico que passa a frequentar, e lá se vão as más-notas, acidentes de percurso e quase-mortes decorrentes de sua ignorância, todas elas temperadas pela ironia já referida.

Ainda, o ritmo do livro é muito gostoso, no ritmo de “só mais um capitulozinho” dá para se ler tudo em uma só tacada, com diversão garantida

Mas, indo aos pontos negativos do livro: os personagens são muito pouco ou nada profundos (apesar de não parecer ser a intenção do autor aprofundá-los, de qualquer forma) e a derivação dos estereótipos do Harry Potter, inclusive da trama ter um quê escolar pois as aventuras se passam e são consequências do acampamento de verão, acaba sendo óbvia demais. A fórmula ficou evidente, na finalização ainda foi possível encontrar rascunhos e esboços.

Outra coisa são os monstros. Depois de determinado ponto, fica cansativa a dinâmica do monstro bobo e necessariamente mau e sem critério, que vai ser morto pelos heróis e se regenerará em breve, para continuar sendo bobo, mau e sem critério. Nos antigos mitos, monstros racionais tinham alguma inteligência, conteúdo e missão na vida, mas aqui parecem ter tanto conteúdo quanto os monstros da semana de algum desenho animado.

A trama do livro também é um pouco cansativa quando passa à parte da descoberta do verdadeiro ladrão – e algumas soluções do filme acabam ficando melhores, como o clube da Lótus, p. ex. A luta final do livro também é estranha, confusa e um pouco forçada, além do deus ex machina evidente (mas como deus não sairá da máquina se o que mais temos aqui são deidades dando bobeira?). O twist final também teve sua boa dose de forçação de barra – se as informações fossem mais diluídas no texto, apesar de que algumas situações foram até de fácil conclusão,  a twist cairia melhor.

Mas, tirando o que já destaquei, o livro me tirou a impressão ruim do filme – apesar das falhas, é bem divertido, principalmente por causa do narrador.

Quem espera um épico mitológico, vai se decepcionar, mas quem quiser uma história leve de cenário mitológico grego, é uma excelente pedida!

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Já li o resto da saga publicado no Brasil (tudo em menos de um mês!), quando sair O Último Olimpiano, se vocês quiserem posso retomar a série como um todo (tem gente me pedindo a continuação de Eragon, um dia sairá!)

Até a próxima!

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Convite oficial para o lançamento de Meu Amor É Um Vampiro, da Editora Draco

Alta Fidelidade – Nick Hornby

A primeira coisa a dizer é que não assisti ao filme. Pela mesma razão que me levou a ler o livro agora.

Mas hein?

Explico. E perdoem a pessoalidade, mas por motivos bastante irônicos destes que só a vida apronta, o motivo se confunde com a própria trama do livro: meu primeiro namorado, anos atrás, era um nerd (aqui, o termo empregado como para definir uma tribo com certas características em comum, jamais de forma pejorativa) aficcionado por música, cujo filme preferido era… bom, adivinhem.

A trama é a seguinte: Rob Fleming, 35 anos, dono de uma lojinha de vinis em Londres, que respira música e tem um hobby no mínimo peculiar – fazer listas de top 5 diversas – acabou de levar um fora de sua namorada, Laura. E, talvez diferente da reação que ele mesmo esperava, o chão sumiu sob seus pés e o mundo desabou.

Uma ressalva sobre o livro vem aqui: requer uma dose de maturidade para ser lido. Requer ter tido sonhos estraçalhados por algo chamado Mundo Real, requer ter cometido escolhas erradas, requer experiências com relacionamentos e corações partidos. Claro que o leitor que não passou por nada disso poderá ler e ter uma boa experiência, mas sem esse background pessoal, acredito que a mensagem da obra seja dificilmente compreendida por completo.

Não é o primeiro livro do Nick Hornby que leio – o primeiro foi Slam (que, oh a vida, está com outro ex-namorado), do qual não gostei. Foi um livro planejado para o leitor mais jovem, mas sabem aquela sensação do tiozão querer ser adolescente de novo? Foi mais ou menos isso o que senti, apesar da história do livro ser até interessante. E, claro, milhares de referências pop gratuitas, que não compõem a trama com naturalidade e estão lá só pelo ar de descolado… iuck!!!

Alta Fidelidade veio para apagar a impressão ruim causada pelo livro anterior (pois é, nesse caso a segunda chance teve um final feliz). E, ao contrário do que pode parecer depois das informaçoes da contra-capa e das orelhas do livro, não está “cheio de referências pop”. Há, é óbvio, várias referências musicais – ora, o oxigênio de Rob se chama música, então como as coisas poderiam ser diferentes? – e a alguns filmes e ícones pop, mas todos eles dentro de contexto. Nada de amálgamas referenciais que estão lá apenas para causar e constar, mas o que está lá faz muito sentido dentro do contexto e compõe a narrativa.

E então acompanhamos a narrativa em primeira pessoa de Rob, machucado pelo fim do relacionamento mas que continua com suas atividades diárias. A viagem por sua mente é bastante interessante, tanto pela vida comum observada pela ótica ácida e auto-irônica inglesa quanto por sentimentos e sensações universais – o desamparo, a auto-indulgência e a auto-piedade, as análises mentais para encontrar o que, afinal, deu errado, não apenas no relacionamento , mas em toda a sua vida.

E esta vida revela elementos tão comuns e tão reais: os diálogos que não acabam bem e que ninguém nunca diz aquilo que gostaria que acontecem depois que se termina um relacionamento, as divagações mentais que ocorrem no meio de situações que deveriam ser sérias, a convivência com as pessoas de todos os dias e também à variedade caleidoscópica na qual a vida se divide: os assuntos domésticos, o trabalho, a família, os amigos, os hobbies, os sonhos.

É também um livro sobre crescer. Sobre recusar-se a abrir portas, a emitir opiniões, a fazer escolhas, e com isso ver sua vida estagnar, ao contrário das pessoas à sua volta. É sobre fazer escolhas e tomar decisões – e sobre saber que deixar de decidir também é uma forma de escolha. É sobre refletir sobre o caminho tomado e perceber que certas decisões são irreversíveis.

Crescer, abandonar o campo seguro da infância, depois o da adolescência e depois o da pós-adolescência é difícil, é doloroso, envolve tomar decisões, fazer escolhas e determinar o rumo da vida. Rob Fleming, o protagonista, é o pós-adolescente de 35 anos que se recusou a escolher, mas que também perdeu muito não tomando posição em relação à vida. Talvez as escolhas que são mais fáceis em vários aspectos não são as mais acertadas – e é com isso que ele precisa se ver, com o ultimato que se apresenta em sua frente. E assim é com todos nós.

Só agora pude tomar fôlego para essa viagem sobre mim mesma e principalmente sobre algumas pessoas que passaram por minha vida, apenas para dizer que eu namorei Rob Fleming, em mais de uma ocasião e forma. E que também tenho muito dele em mim mesma.

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Pois é, não só de ficção fantástica vive o homem 😛

Até a próxima!

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Lançamento: O Senhor das Sombras, de Leandro Reis

Recebi informações sobre o lançamento do segundo livro do autor Leandro Reis, que reproduzo abaixo:

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A Idea Editora está lançando a sequência de ficção-fantasiosa O Senhor das Sombras, de Leandro Reis. A obra é o segundo livro da Trilogia Goldshine, que foi iniciada em 2008 com Filhos de Galagah, e culminará com Enelock, último livro da série.

No melhor estilo mítico da Literatura Fantástica, O Senhor das Sombras traz toda a aventura e o mistério que um aficcionado pelo gênero espera de uma grande obra. Para os leitores que estão iniciando neste universo de ficção, O Senhor das Sombras é também um grande livro, uma vez que a habilidade com que o autor constroi cenários fantásticos e personagens imaginários faz com que o leitor fique bastante a vontade entre as páginas de sua Literatura.

Leandro Reis, que é de São José dos Campos, faz parte de uma vasta gama de autores que tem conseguido cada vez mais destaque do cenário da Literatura Fantástica Nacional. O gênero, ainda que não seja amplamente divulgado pela grande mídia, tem muitos adeptos no Brasil, que cada vez mais são atraídos pelos universos paralelos que essa literatura apresenta. Desde 2007, considerado o ano de seu boom, esta tendência tem rumo crescente. Em meio a blogs especializados e sites de relacionamento entre leitores, os fãs de Literatura Fantástica vêm construindo um nicho muito bem estruturado que cresce de maneira independente e progressiva.

Provando ser um bom exemplar do gênero, O Senhor das Sombras apresenta a segunda parte da saga da princesa Galatea, que aventura-se na busca de uma segunda runa, enquanto é acompanhada e ameaçada por toda a sorte de criaturas fantásticas. Segundo o autor, O Senhor das Sombras pode ser resumido em uma palavra: transformação. Diferentemente do primeiro livro, em que os contornos entre o Bem e o Mal são mais claros e as boas ações são recompensadas, nesta sequência, a história ganha profundidade. “Em O Senhor das Sombras, a Escuridão é mais forte. A verdade é distorcida e as coisas saem um pouco dos trilhos, mesmo que os personagens não percebam de imediato. Esse livro mostra o inicio da transformação dos personagens”, explica Leandro Reis.

Com prefácio de Raphael Draccon, autor de grande credibilidade no meio da Literatura Fantástica Nacional, O Senhor das Sombras tem lançamento previsto para o final de maio, em festa na cidade do autor, São José dos Campos. Enquanto isso, as novidades sobre o universo fantástico de Leandro Reis podem ser conferidas em seu site: http://www.grinmelken.com.br

Juntamente com O Senhor das Sombras, a Idea Editora lança também uma edição revisada do livro Filhos de Galagah, o primeiro da trilogia Legado Goldshine, em versão adequada à Reforma Ortográfica. Para Rodrigo Coube, presidente da Idea Editora, a trilogia vem só evoluindo: “É gratificante ver a obra e o trabalho desenvolvido pelo Leandro. Em O Senhor das Sombras, a evolução do autor fica muito clara. Para a Idea, é uma oportunidade honrosa de crescer junto com ele”, afirma Rodrigo.

Sinopse:

O Senhor das Sombras é o segundo volume da trilogia “Legado Goldshine”, iniciada por Leandro Reis em Filhos de Galagah. Neste livro, o autor dá continuidade à missão da princesa Galatea na busca pela segunda runa. A aventura, agora, toma proporções épicas, e muitos mistérios deixados pelo primeiro volume, Filhos de Galagah, são respondidos, além das novas intrigas que são acrescentadas à trama.

Nesta sequência, Leandro Reis aprofunda o drama da bruxa vermelha, Iallanara Nindra, que, exposta aos seus maiores conflitos, é obrigada a fazer uma escolha crucial: matar sua única amiga e protetora, ou traí-la? Sukemarantus, manifestação do Mal, que tem o poder de controlar toda sorte de criaturas das trevas, lança mão de seus recursos mais vis para atingir seus sombrios objetivos.

Enquanto isto, a busca de Galatea segue por rumos inimagináveis, levando-a às tribos bárbaras das planícies do sul, uma sociedade ímpar e desunida, berço de poderosos guerreiros, essenciais para o sucesso desta nova cruzada.

Neste livro, inúmeros desafios testarão nossos heróis fantásticos. Muitos sacrifícios serão necessários, enquanto o maior dos perigos se esconde dentro do próprio grupo. Nessa aventura, o fracasso espreita, ávido por um simples deslize, escondido nos cantos mais improváveis da história.

Sobre o autor:

Leandro “Radrak” Reis, 30 anos, mora em São José dos Campos-SP. Fascinado pelas estórias de dragões, elfos e magia, imaginou todo um mundo de fantasia chamado Grinmelken e, neste segundo livro, desenvolve mais profundamente esse cenário. Leandro Reis é um grande fabulador que manuseia como ninguém os elementos de construção de universos fantásticos imaginários.

Além deste livro, o autor constantemente publica contos, todos relacionados ao mesmo cenário. Esperança Corrompida, A Dama Noturna, Batismo de Fogo, Sacrifícios, Olhos de Herói e Ecos de Segredos Esquecidos, são alguns exemplos, todos publicados em Coletâneas ao longo dos últimos anos.

Seu reconhecimento, adquirido em um curto período de tempo, aumenta cada vez mais, devido ao trabalho feito nos livros e mantido, com grande dedicação, em seu site.

Leandro também se destaca como um dos precursores e profissionalizadores do book trailer. Tanto Os Filhos de Galagah, quanto a sequência O Senhor das Sombras, possuem book trailers com qualidades de imagem, som e vídeo impressionantes, sublinhando ainda mais a seriedade de histórias como esta, que vem ganhando cada vez mais credibilidade e espaço no Brasil. Ambos os trailer participaram do Festival da Bibliofilmes deste ano.

Conheça melhor esse universo em:  www.grinmelken.com.br

Para contatar o autor mande e-mail para  radrak@gmail.com

Para contatar a Idea Editora mande e-mail para comunica@ideaeditora.com.br

Informações técnicas:

O Senhor das Sombras, Leandro Reis

1º edição: 2010

Páginas: 352

Acabamento: brochura

Preço de capa: R$49,90
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O livro também tem um trailer bem legal, disponível aqui:

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Até a próxima!

Os Passarinhos – Estevão Ribeiro

Sou leitora e apreciadora de quadrinhos tanto quanto de livros, mas confesso que acompanho menos os primeiros do que gostaria, por vários motivos que vão desde o preço à eleição de uma lista de prioridades de leitura ficcional. Também não me sinto a pessoa mais preparada do mundo para resenhar quadrinhos, pois a forma de narrativa utilizada é totalmente diferente da de um texto e eu estou meio “por fora” das tendências – além do que certamente existe quem seja mais gabaritado do que eu internet afora para esse tipo de análise.

Também é de se reconhecer o papel da internet na propagação – e, por que não, no fomento – dos quadrinhos nacionais. Como o quadrinho é uma mídia muito fácil de ser distribuída pela rede – e ler uma tirinha no monitor é um exercício muito mais confortável do que ler uma página de texto corrido, blogs de quadrinhos podem romper barreiras e auxiliar na divulgação de trabalhos, sejam eles de iniciantes, nem tão iniciantes assim ou profissionais. Inclusive, tem uma listinha de links ao lado de tirinhas que acompanho.

Estevão Ribeiro é desenhista e roteiristas e lançou o site de tirinhas Os Passarinhos no meio de 2009, contando a história de dois passarinhos: o rabugento Alfonso e o idealista e inconveniente -e fofíssimo – Hector, que dividem o mesmo galho de árvore. Hector quer ser escritor, então dá-lhe piadas de situações que quem está no meio vive, e ambos convivem com outras figuras que povoam o meio: os críticos literários, os fãs, a família, os vizinhos, as pessoas de todos os dias. E não são apenas piadas de escritores e para escritores: são reflexões sobre a vida, a amizade, o companheirismo, a arte de conviver.

Aproveitando o sucesso do blog, o autor lançou um livreto simpático com algumas tirinhas clássicas – e várias inéditas. O livro, pequenininho, ficou muito simpático, com direito a depoimentos de leitores e até mesmo a participação especial de Neil Gaiman! É de se ler em uma sentada, com direito a várias risadas pelos insights de Hector sobre a escrita, a vida, o universo e tudo o mais.

O formato é pequeno, do tamanho aproximado de uma tirinha quando dimensionada em jornal ou revista, com uma tirinha por página. E elas são sobre temas comuns à vida de dois pássaros, como os grãos de milho de cada dia ou as dificuldades de arranjar uma boa árvore onde se estabelecer, mas também de alguns temas que nós seres humanos entendemos muito bem: a inveja a uma pessoa melhor sucedida, as dificuldades em arranjar um bom emprego ou companhia. Tudo isso de uma forma leve, com fortes pitadas de ironia. Reduzir uma história, mesmo que curta, a três quadros e conseguir contá-la é um grande desafio – e o autor consegue vencê-lo.

Fica aqui a sugestão para conferirem um pouco desses piados!

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Até a próxima!

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