Leitura Escrita: 1 ano de blog!!!

Olá, pessoal!

Primeiro quero pedir desculpas mas não pude terminar o presente de Natal que estava preparando para vocês – andei adoentada e longe da internet. Já estou melhor, obrigada, e vim aqui comemorar o aniversário do blog com vocês!

Em 12 de dezembro de 2008, nossas atividades foram iniciadas com a resenha de Fahrenheit 411 e desde então foram 22 resenhas, além de alguns posts especiais sobre assuntos literários. Não pude manter meu plano inicial de uma atualização semanal (às vezes tinha muito trabalho a fazer, às vezes alguns livros me consumiam mais tempo do que o esperado, às vezes nada colaborava), mas espero ter trazido informações legais para vocês durante este ano!

A título de curiosidade, os posts mais visitados, até o momento, foram os seguintes:

O campeoníssimo, como não poderia deixar de ser, foi a resenha da série Crepúsculo.
Em segundo lugar, o faraó egípcio Ramsés reina soberano.
Em terceiro lugar, a culinária de Julie&Julia (e acreditam que ainda não assisti ao filme?)
Em quarto lugar, minha tentativa bem-humorada de aula de literatura: E se meu namorado fosse um movimento literário?
Em quinto lugar, a primeiríssima resenha deste blog.

É uma experiência bem interessante resenhar – e, claro, manter um blog. Ando procurando coisas interessantes que alimentem tanto minha fome literária quanto que possam agradar à vocês, bem como correndo atrás das sugestões dos leitores (um dos livros sugeridos já está pela metade e vem aí em breve!). Está sendo uma experiência muito prazerosa para mim, espero que estejam gostando também!

E é este o principal objetivo do blog: compartilhar nossas experiências como leitores, seja pelas resenhas, seja pelos comentários.

Então, vai aqui o meu MUITO OBRIGADA por todos os que estão acompanhando o blog, seja o leitor casual, seja quem espera por cada atualização. Muito obrigada por estarmos nessa juntos!

Aproveito também para desejar para todos os visitantes um Feliz Natal e um excelente 2010! Que o próximo ano seja repleto de realizações!

Agora parto para minhas pequenas férias, mas no começo de janeiro estou de volta ao blog. E esperem por novidades, muitas novidades!!!

Até a próxima!

O Nome do Vento – Patrick Rothfuss

Após ler os quatro primeiros livros da série A Song of Ice and Fire, do George R.R. Martin, como já mencionei aqui antes, queria dar um tempo da literatura de fantasia. Por quê? A já citada série me impactou de uma maneira tão profunda que qualquer coisa do gênero que eu lesse a seguir seria eclipsada. Então, claro, procurei ler coisas que não fossem relacionadas ao gênero fantástico ou que tivessem alguma variedade temática grande o suficiente para evitar comparações.

Só que acabei esbarrando com O Nome do Vento, que veio bem recomendado por vários amigos e conhecidos. O livro (não confundir com A Sombra do Vento, por favor :P) é o primeiro volume de uma trilogia, chamada Crônicas do Matador do Rei – e, claro, também se trata de um romance de high fantasy, com um mundo fantástico em que a magia e criaturas mágicas existem e atuam.

Bom dizer também que, como Jonathan Strange & Mr. Norrell, é uma obra que sai no Brasil quase que por engano, já que não vem seguida nem de filme e nem de hype – e ela foi lançada originalmente em 2007, ou seja, recentíssima (ainda mais se parar pra pensar que Eye of the World, o primeiro volume da série Wheel of Time, de Robert Jordan, que é escorada no hype lá fora, tendo inclusive um fandom bem ativo, só saiu no Brasil esse ano, com quase 20 anos de diferença do lançamento original…). Ponto para a editora Sextante – e espero que tragam mais livros recentes também!

Outro ponto forte da edição é a capa: um belo trabalho gráfico, uma ilustração bem caprichada, bem coerente com a proposta da trama e que chama a atenção.

Só que entramos aqui em um ponto fraco, pois nem tudo são flores: a tradução deixou um pouco a desejar. Há um erro bobo e que muda bastante o sentido da trama, mas a escolha lexical utilizada na edição brasileira não foi das mais felizes. Não é nada que prejudique a leitura, mas eu acho que poderia ter sido melhorado.

Ah, sobre a política de spoilers: o grande spoiler que o leitor encontrará abaixo está na orelha do livro, então não achei nenhum crime mencionar o fato.

Ultrapassadas as preliminares, vamos ao livro: somos apresentados a um mundo de fantasia, onde a magia e espécies mágicas pulsam, e também a Kote, um taverneiro de uma vilazinha do interior, que na verdade é um aventureiro aposentado. Não apenas um aventureiro: um guerreiro, bardo, cientista, que esteve envolvido em grandes eventos de seu mundo, que tornou-se uma lenda entre os vivos. Claro, no momento tudo o que ele deseja é paz e sossego, até ser surpreendido por um cronista renomado, que está interessado em conhecer sua história através de seu próprio relato e não vai desistir antes de consegui-lo.

Kote, após alguma insistência, concorda em contar sua história, mas afirma que precisará de três dias para isso – e aqui está o sentido da trilogia, cada dia correspondendo a um livro.

Então começamos do começo: a infância, quando ainda se chamava Kvote e era o filho do líder de um povo nômade e ligado às artes, espalhando suas canções e danças por todo o mundo. Ele, uma criança superdotada e bastante curiosa pelos mistérios do mundo ao seu redor, com uma facilidade impressionante de aprendizado.

Em uma das andanças de seu povo, acabam esbarrando com um latoeiro, que na verdade é um estudioso arcano que, dentre outras coisas, conhece o nome do vento. E, Kvote, como boa criança precoce, vai adotá-lo como mestre, e ouvir pela primeira vez sobre a Universidade, onde os conhecimentos são distribuídos e propagados.

Nessa hora, o pensamento foi irresistível: “ah não, um menino precoce e superdotado que encontra um mestre gente boa e vê suas habilidades sendo descobertas e alimentadas DE NOVO?”. Mas resolvi insistir um pouco na leitura para ver no que daria…

…e a vida do menino vira do avesso depois que seu povo é dizimado pelo Chandriano, uma organização mística que habita as lendas e superstições do mundo.

Aqui, cabe um parêntesis: como Kvote vem de um povo imerso em músicas e contos, as músicas e contos do mundo aparecem na narrativa, e são bem trabalhados e rítmicos. A rima do Chandriano, em especial, merece destaque: dá arrepios seja no original, seja em português. Fica a palhinha, no original:

when the hearthfire turn to blue,
what to do? what to do?
run outside, run and hide.
when his eyes are black as crow?
where to go? where to go?
near and far. here they are
see a man without a face?
move likes ghosts from place to place
what’s their plan? what’s their plain?
chandrian. chandrian

E o mundo de O Nome do Vento é bastante sombrio e cínico. É o mundo de um deus morto, onde a magia arcana foi proibida e até os dias atuais continua sendo vista com reservas, onde a diferença social existe e está latente. É um mundo onde mazelas existem, onde o vício e venda de drogas ocorrem à luz do dia, onde a degradação é visível e latente.

E Kvote tem a obrigação de enfrentar um mundo sombrio e cínico e sobreviver. E sobrevive, aos trancos e barrancos mas sobrevive (e essa parte da trama lembra bastante o Charles Dickens e seus órfãos). Até que, por alguns lances de sorte, acaba tendo a oportunidade de ir para a Universidade.

E a Universidade, não posso deixar de comentar, é uma versão sombria e cínica de Hogwarts, com as diferenças sociais exacerbadas e Kvote, inteligente mas tornado arrogante pela consciência de tal capacidade, desafiando as regras do lugar. Claro, ele não é o protagonista bonzinho, está ali para cometer pecados e pecadilhos, a tropeçar nas próprias pernas mas também ser vítima de injustiças alheias. E é interessante ver suas escolhas e atos por sua perspectiva e não por a de uma outra pessoa.

Um dos pontos interessantes do livro é ter vários dos clichês de fantasia revisitados, mas dentro de lugar. O choque de realidade do órfão precoce, a escola mágica que é tudo, menos um lugar amigável, as tavernas e bardos, tudo isso está lá. Inclusive, uma das melhores e mais criativas caçadas a um dragão que me lembro de ter visto ocorre neste livro, ao decorrer da trama.

Enfim, o primeiro dia da vida de Kvote é animado – e, por ser uma história narrada em primeira pessoa, sabemos que ele sobreviverá a todos os apertos -, é interessante ver as memórias de um personagem tão fantástico expostas e exploradas. Foi uma bela surpresa, valeu a pena tê-lo conhecido e a seu mundo esse ano e espero continuar a ouvir seu relato sobre sua própria vida em breve!

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Quer tirar suas próprias conclusões? Compre o livro! (Submarino)

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Os comentários estão abertos, acima!

Gostaria de ver algum livro por aqui? Deixe AQUI sua sugestão!

AnaCrônicas – Ana Cristina Rodrigues

Como já disse no post anterior, é difícil escrever sobre a obra de uma pessoa próxima. Muito mais fácil quando o autor pertence a outro espaço e outro tempo – ou, mesmo ao ser brasileiro, não é alguém de sua convivência.

Conheço a Ana Cristina Rodrigues desde 2004 ou 2005. E, desde então, ela vem mostrando ao que veio. Não apenas com seus contos, mas também com a sua atitude: reclamar de uma realidade é muito fácil, mas e mudar essa realidade? Quem se arrisca? Ela é uma dessas pessoas.

Enquanto muitos choram pela pretensa falta de espaço do mercado editorial brasileiro, Ana Cristina tem iniciativas como a Fábrica dos Sonhos, que desde 2005 reune escritores do gênero especulativo para aprimorarem suas habilidades, a participação ativa na comunidade de ficção científica do Brasil, tanto já tendo sido presidente do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) quanto na presença em eventos e palestras Brasil afora. E, claro, a moderação atenciosa nas comunidades Ficção Científica e Escritores de Fantasia no orkut que, querendo ou não, reunem grande parte do pessoal que está em voga no momento. Isso sem citar os projetos-solo, as participações em antologias, como a Paradigmas (e, é claro, a Espelhos Irreais, confiram aqui :P), publicações em sites como Hyperfan, em e-zines…

AnaCrônicas é seu primeiro livro-solo, onde estão reunidas uma série de contos curtos sobre temas fantásticos. Desde uma versão muito pessoal ao Coelho Branco de Alice no País das Maravilhas, em É Tarde!, conto que abre a coletânea, à revisão de personagens históricos em Os Olhos de Joana. Do maravilhoso conto de temática arturiana A Dama de Shalott (que, cabe aqui ressaltar, é meu conto preferido da antologia) à realidade pós-apocalíptica d’A Casa do Escudo Azul. De um doce e tocante conto sobre a perda, como O Caminho da Terra das Fadas à reflexão irônica sobre os fatos da vida de Deus Embaralha, o Destino Corta. Do pulsar sexual de Chiaroscuro às chamas de um amor impossível em Como Nos Tornamos Fogo.

São várias temáticas, vários estilos, vários pontos de vista – que ganham um toque especial com a pequena ilustração que os acompanha, cortesia de Estevão Ribeiro. E é um livro curtinho, que dá para ser saboreado em uma tarde chuvosa de maneira prazerosa. Como se tratam de contos curtos e de temática bem diferente entre si, o exercício de leitura é bem leve e quando menos se espera, o passeio por todas as temáticas propostas chegou ao fim.

O estilo da autora, mesmo que de formas diferentes, aparece claro em todos os contos: riqueza de temática, com a escolha de palavras adequadas para a transposição da temática proposta, sem a necessidade de muita enrolação para se alcançar o ponto desejado. As emoções também são apresentadas de maneira clara e são absorivdas com facilidade pelo leitor.

E, principalmente para mim, não seria demais dizer, é um ode à Fábrica dos Sonhos – a maioria dos contos foi visto pela primeira vez por lá. A sensação de ter estado junto durante a criação de uma obra que me chamou tanto a atenção, de acompanhar a evolução temática e de escrita de alguém in loco, é bem interessante -e, por que não dizer, recompensador.

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Comentários, no link acima!

Estou preparando os especiais de um ano e de natal do blog! He he he!!! Quase um ano de blog e está sendo uma experiência bem satisfatória!

Até a próxima!