Série Crepúsculo – Stephenie Meyer

Depois de dois meses passeando por Westeros, cá estou eu com uma resenha nova. A Storm of Swords é um livro simplesmente fantástico! Mas estou em dúvida se faço uma resenha individual dele, como fiz dos outros dois livros, ou espero a leitura do quarto para fazer uma resenha única da série até aqui. O que vocês acham?

Mas vou demorar um pouco para ler o quatro, porque antes quero pôr a leitura de outros assuntos em dia – em dois meses, a pilha de livros só fez crescer!

Então, por hoje apresento uma resenha não do último livro que li, mas da série que é o hit do momento e está estacionada no topo da lista dos mais vendidos desde seu lançamento: Crepúsculo.

A primeira e mais óbvia coisa a se falar sobre Crepúsculo é de seu público-alvo: adolescentes do sexo feminino. Se você já saiu da adolescência, ou não é mulher, é pouco provável que se sinta atraído por essa leitura – e, caso tenha se sentido, é um caso excepcional. Inclusive, é fácil identificá-lo com um estilo literário conhecido lá fora como “chick lit” – “literatura de mulherzinha”, escrita por mulheres para mulheres e que se identifica com clichês identificados com o sexo feminino.

Agora, vamos a Crepúsculo. A essas alturas, você deve saber que é a história de uma adolescente que se apaixona perdidamente por um vampiro. Ah, o mito do vampiro… Talvez, do grande leque temático da fantasia, é o mais aprazível e próximo do grande público. É um ícone tanto da imortalidade – o vampiro, afinal, é o “morto que não morreu” – da bestialidade inerente a cada um de nós e também da luxúria, da sede insaciável. É monstro, mas seduz para caçar. Seduz o público leitor, também.

Vampiros são uma constante no mercado: estão sempre na moda. Vide best sellers como Anne Rice e Charlaine Harris – e, aqui entre nós, André Vianco, as séries de quadrinhos, os filmes… Crepúsculo é um pouco disso tudo, fundido com o romance adolescente. E, claro, com uma boa dose de moralismo para agradar mamães e papais mais puritanos.

Bella é a garota-média: não é a cheerleader, não é a nerd-esquisita-do-canto-da-sala. Como toda boa adolescente, tem uma visão bastante distorcida de si mesma – autoestima baixa, insegurança, todos esses dramas. A história começa quando ela se muda da cidade grande para Forks, sua cidadezinha natal, para poder morar com seu pai. Com uma nova casa, uma nova rotina, e uma nova escola passa a fazer parte dela. E, lá, ela encontra-se com seu príncipe encantado: Edward, um garoto muito bonito e misterioso. E um vampiro.

Não é muito difícil entender por que a história é tão atraente: Bella é a garota-padrão, aquela que qualquer leitora poderia ser, e Edward é o namorado ideal: lindo, carinhoso, dedicado, companheiro, cortês, romântico, completamente apaixonado… Qual garota não desejaria um namorado assim? (apesar que, pessoalmente, o Jacob faz muito mais o meu estilo :P)

No primeiro livro da série, vemos uma Bella deslumbrada, até irritante ao repetir milhares de vezes o quão lindo, maravilhoso, perfeito, supremo, magnânimo, inigualável, absoluto, salve salve Edward é. Mas, tirando os exageros, ela não me parece muito diferente de uma adolescente padrão – lembrando que o amor adolescente é mais intenso, imediato e exagerado do que em qualquer outra fase da vida…

Por falar em “amor adolescente”, não mencionei um ponto importante: Edward é de uma família de vampiros bonzinhos que não caçam humanos, mas só animais. Tudo perfeitamente pasteurizado. Da mesma forma, Edward deseja Bella mas, como é um vampiro bonzinho, educado, de boa família e aprovado pelos pais, não morderá seu pescocinho. Tirem as presas e o sangue da história: o namorado perfeito que luta contra seus desejos carnais e mantém a sua namorada intacta. Acho que isso fica suficientemente claro na passagem do passeio no campo, onde eles se acariciam e ele revela o quanto ela atiça seus desejos e é uma tentação, mas que a ama o suficiente para resistir. Bella é a tentação perfeita, mas Edward será forte o bastante para provar apenas o amor, e não o corpo. Não sei. Desconfio que determinada autora mórmon teve dificuldades para chegar ao casamento virgem.

Bom, vale ressaltar sobre os vampiros que brilham o sol e a absoluta pasteurização do ambiente: fica difícil para quem já leu Bram Stocker ou mesmo Anne Rice.

E, quanto a esta última, a Meyer pode negar o quanto quiser, mas os ecos de Lestat, Louis e amigos estão ali para quem quiser ver. Uma boa pitada de World of Darkness – ou, no mínimo, Underworld – também está ali para quem quiser ver. A culpa que Edward sente por ser um imortal lembra muito das agruras internas de Louis e mesmo outros detalhes que vemos sobre a “mitologia vampírica” de Rice podem ser facilmente encontrados.

Das referências assumidas, também dá para encontrar muito do gótico de O Morro dos Ventos Uivantes – taí um livro que eu acho que valha uma resenha no futuro -, mas em um mundo onde Heathcliff e Catherine podem ficar juntos.

Passamos então para o livro dois, Lua Nova, e pela introdução de novos personagens: lobisomens. Novamente, World of Darkness (ou no mínimo Underworld) – os lobisomens de Meyer lembram bastante aqueles de Lobisomem: O Apocalipse – sim, ambos partiram do mesmo mito original das tribos xamânicas norte-americanas – mas falo especialmente sobre sua organização, atributos e relação com vampiros.

E, claro, Jacob, como personagem, funciona muito melhor do que as figurinhas de álbum Bella e Edward. Inclusive, ele é o responsável por mostrar o lado humano dos dois: as dúvidas, os medos, os questionamentos, o que se questiona ao se deparar com duas rotas opostas em seu caminho. É ele que os aproxima de uma realidade que não possuem, de uma humanidade. Jacob é o elemento humano, é a tensão da série – e também um de seus melhores pontos.

Em Eclipse, ele assume em definitivo o papel de vértice do triângulo amoroso. E, para Bella, não é apenas entre o vampiro e o amigo: é também o momento para tomar sua decisão interna sobre qual caminho deseja trilhar. Sem dúvidas é o melhor livro da série. A trama é bem desenvolvida, em comparação com os demais livros da série, vários personagens aparecem e fazem parte dela, harmonicamente, construindo o que precisa ser contado e toda a tensão dos últimos dois livros está para ser resolvida. Satisfatoriamente, em minha opinião.

Chegamos então ao último livro, Amanhecer. Finalmente Bella pode realizar seu grande sonho. E, novamente, a moral puritana: Bella só alcança a plenitude depois de um determinado fato específico. Só depois dele é que suas inseguranças todas vão embora – ou seja, uma mulher só se torna uma mulher verdadeira depois que determinado fato acontece em sua vida. Não gostei da conclusão da saga – além da história ter um dos maiores anticlímax que já li, vários personagens são mal-explorados, ficam perdidos no decorrer da trama, não possuem “o seu momento” – estão lá, jogados, sem serem aproveitados. Não sei o quanto os editores pressionaram para que esse livro saísse rápido, mas ele merecia ser melhor trabalhado, alguns fatos melhor esclarecidos, alguns personagens melhor aproveitados. É um final satisfatório, mas faltou bastante tempero nele.

Outra coisa que incomoda na série: em apenas uma ocasião podemos ver uma batalha – e com seres com vampiros e lobisomens andando por aí, por que não mostrá-las!!! Apenas uma batalha é mostrada com detalhes, as outras não são vistas ou acontece algo de sobrenatural – olha deus dando tchauzinho de fora da máquina – para impedi-las. O público não reclamaria se tivesse mais ação!

Por fim, é uma série que vale a pena ser lida tanto pela diversão descompromissada – ninguém lê Crepúsculo esperando encontrar uma obra literária que vá perdurar os séculos, pelamor – e também, principalmente, para penetrarmos um pouco no hype do momento – e, quem sabe, naquilo que seu público espera.

***

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Sinta-se livre para deixar seu comentário!

Para sugerir este livro, utilize o link “o que você gostaria de ver por aqui”, acima.

E até a próxima!

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11 Responses to Série Crepúsculo – Stephenie Meyer

  1. Raphael says:

    Não sei o que esperar dessa obra. O lance do primeiro livro que você relatou denota uma particularidade dos vampiros: o ato de morder o pescoço das vítimas e tomar seu sangue está diretament associado ao prazer sexual da espécie, logo, um vampiro “provocado” tende a sentir mais fome. Ao mesmo tempo, soa um pouco como campanha pela abstinência, mas vai saber. Talvez eu me arrisque na leitura ^^

  2. Piaza says:

    Vampiros pasteurizados e puritanos? Nem li essa série de ” Crepúsculo, mas definitivamente, prefiro os vampiros ” old school”, de Bram Stocker e demais, em que há sangue e sujeira.

  3. Rafael Monteiro says:

    Tentei ler o primeiro, mas definitivamente não é meu estilo: não sou mulher nem adolescente 🙂

    Pelo que você descreveu, parece mesmo uma campanha pela abstinência, o que é ainda pior, ao meu ver.

  4. Mari says:

    Olha… assim eu quase fico empolgada. Se não tivesse que ler Vidas Secas (uma obra literária que vá perdurar os séculos) entre outras pro vestibular, eu até te pediria emprestado logo!
    Bjo!

  5. A autora colocou no papel muito de si mesma e isso permitiu que as adolescentes se encontrassem. Controle dos pais, limites, escola. Edward não é o referencial de um vampiro como o mundo se habituou a ver. Ela conseguiu com todas as diferenças dar um novo rosto ao mito. Abriu portas e fechou outras. Li o livro um e confesso que queria mais ação e sensualidade e beijo na boca. Ai parava e lembrava que ela fez com a intenção de atingir um determinado público. Nada de caixões, de mordidas, de sol destruindo os imortais. Havia somente Bella e Edward, e todos os limites que a sociedade impõe. Nada de medo de entrar na igreja, eles vão casar! A autora realmente conseguiu algo novo, claro, não é possível agradar a todos e mudar a face de um mito chamado vampiro. Ana adorei suas resenha.Beijos Mordidos!

  6. Sandra says:

    Oi Ana…Estou longe de ser adolescente,mas adorei a série, principalmente pela maneira simples que autora usou para escrever. Concordo plenamente com voce sobre a preferencia do livro eclipse e do personagem do Jacob, que acho ser o tempero da serie.Tambem concordo com a falta de exploração de alguns personagens, porem vejo isso como a posibilidade da autora dar continuidade a saga.

  7. Nanci says:

    Amei os dois primeiros e só fico pensando em como serão os próximos,não sou um adolescente , mas a história de amor entre os personalgens é fantática….envolvente e de linguagem muito simples ..

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