A Leitura Acessível – Literatura On-line

Perdoem a falta de atualizações: meu tempo anda um pouco escasso e tenho três livros pendentes de término para lhes oferecer as resenhas – mas podem esperar que estou com muita coisa boa aqui na minha estante só esperando para ser lida 😀

Retomando o assunto da leitura acessível, desta vez com uma indagação pertinente: com a internet, o reinado dos livros de papel está por um fio? A tecnologia on-line vai suplantar as prensas e prelos? Uma das barreiras em relação à leitura on-line é o desconforto em se ler no monitor – cansativo, desagradável, você não pode colocar debaixo do braço e levar para todos os cantos, há a dependência da eletricidade.

Mas, pensando na praticidade de como seria um gadget que tornasse a leitura pelo computador agradável, recentemente a Amazon lançou o Kindle – leve, com interface agradável e memória que permite um grande armazenamento, além do baixo consumo de energia. Ainda não é o mesmo que o livro de papel, mas já é um grande avanço tecnológico.

O livro de papel irá morrer? Não vejo isso acontecendo no curto prazo. Mas o que está com dias contados, e a internet tem um papel fundamental nisso, são os periódicos em papel. Jornais? Com a informação se atualizando on-line a cada segundo, como fica o papel (com trocadilho) do jornal diário? Revistas semanais? Idem. Vejam também o papel das redes de relacionamento na comunicação – a recente crise política no Irã e as manifestações da oposição através do twitter, avisando ao mundo de uma situação que não tinha meios de ser divulgada pela imprensa oficial, está aí para demonstrar isso.

Também um caso a se registrar é o destino da indústria fonográfica após a internet e o compartilhamento de mp3. Quem, hoje, compra CDs com a avidez de outrora? E quando a divulgação de um músico foi tão barata e eficiente como é hoje? O mesmo raciocínio vale para a literatura e sua divulgação: a internet está aí, a primeira tecnologia de leitura agradável também está aí. A porta está aberta, a questão é se adaptar e fazer o melhor uso possível da tecnologia e de tudo aquilo que ela traz ao nosso favor.

Mas o papo sobre a leitura on-line ainda rende bastante… Os parágrafos acima são apenas parte de ideias que precisam ser melhor explanadas e às quais voltarei futuramente. Hoje o foco, como estamos tratando da série “leitura acessível”, é sobre literatura online.

Como assim?

A internet simplesmente torna qualquer um – e qualquer conteúdo – acessível a qualquer um. Basta conectar seu computador e uma miríade de sites de todo o mundo está a alguns toques no teclado de distância. Assim sendo, é muito fácil para um autor colocar seus textos on-line e divulgá-los a todos os leitores em potencial.

Então, dá-lhe blogs de contos (até mesmo o meu – não tão ativo, mas serve como registro), sites de autores que disponibilizam sua obra a quem estiver disposto a ler, antologias online…

Claro, um ponto deve ser comentado: apesar de alguns sites realizarem uma seleção criteriosa de quem fará parte de seu acervo, esta prática não é comum a todos. Então, há vários textos online que possuem problemas graves de estrutura, gramática, temática… Só que há vários que valem a pena ser lidos e conhecidos, de autores em processo de aprendizado e evolução, além daqueles já mais experientes, mas não tão conhecidos, que oferecem textos maravilhosos em seus blogs.

Sobre os blogs autorais, minha indicação é… nenhum! Mas há um motivo: conheço tantos autores blogueiros que tenho medo de esquecer algum deles na hora das citações, então é melhor que vocês surfem pelos links aqui do lado, os links desses blogs e assim por diante!

Dos sites coletivos, indicarei três: Fábrica dos Sonhos, Recanto das Letras e Estronho.

Boa diversão e até a próxima!

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A Clash of Kings – George R. R. Martin

A “linha editorial” deste blog é evitar ao máximo spoilers das obras aqui apresentadas. São minhas opiniões depois de realizadas as leituras, evitando ao máximo dar detalhes das tramas ou tirar surpresas (e não considero que fatos acontecidos nos primeiros 10 ou 20% iniciais de um livro sejam necessariamente spoilers).

Spoiler, do inglês “to spoil”, estragar, significa revelar alguma reviravolta de determinada trama… e estragar a surpresa do leitor. Há quem não se importe (eu mesma, dependendo da série, vou atrás de spoilers), há quem odeie, há aqueles que alteram o impacto de alguns acontecimentos (se você souber de antemão, algumas cenas perdem o impacto imaginado pelo autor), há os inocentes. Então, prefiro evitá-los.

Claro, tem algumas histórias e situações que são domínio público. Você SABE que Romeu e Julieta morrem no final. Qual era o segredo de Diadorim. Qual o destino de Dorian Gray e seu retrato. Então, nestes casos específicos, não há nada de mal em revelar o que se acontece.

Tudo isso para dizer que, justamente por ser o segundo livro de uma saga – é a continuação de A Game of Thrones, já resenhado algum tempo atrás, da série A Song of Ice and Fire – é difícil descrever a história de A Clash of Kings sem montanhas de spoilers.

Mas vou tentar fazê-lo de maneira que não exista spoiler algum.

Em A Clash of Kings, aparecem mais tramas paralelas, focando diferentes personagens em diversos locais de Westeros e do resto do mundo. Personagens que foram só citados ou tiveram aparições menores em A Game of Thrones ganham força, ganhando até mesmo pontos de vista. Mesmo os personagens do primeiro livro, que seguiam uma linha de acontecimentos mais ou menos comum, se dispersam pelo mundo, afastando os diversos pontos de vista de uma influência direta uns nos outros e criando várias e várias tramas autônomas entre si.

E a nota quanto aos personagens continua valendo: são humanos, reais, com acertos e erros. Íntegros ou corruptos, bons ou maus, simpáticos ou patéticos, todos eles são humanos passíveis de erros e atos heróicos, capazes de gerar empatia por parte dos leitores. Não há como não se envolver com suas alegrias e suas dores.

Outro ponto interessante a se tocar é que George R. R. Martin se aprofunda em pontos que outros escritores de fantasia tendem a não explorar ou mesmo evitar: sexo, traições, violência física. Há apenas uma certeza ao leitor: TUDO é possível. Não é porque fulano é um personagem importante que ele está imune ao sofrimento e à morte.

E é justamente a incerteza e o grande leque de possibilidades que só faz abrir que torna a série interessantíssima, valendo a pena acompanhar e ver até onde o autor nos guiará. 😀