Nevasca – Neal Stephenson

Continuando a minha epopéia de fim de ano, resolvi escolher algum livro para comprar e me livrar do tédio dos dias chuvosos ininterruptos. Pensei que fosse reviver Atlântida – ou o Dilúvio…

Enfim, dentre a infinidade de possibilidades, resolvi levar algo para experimentar. Ouvi comentários muito bons sobre o livro Nevasca na comunidade do orkut Ficção Científica e, como estava custando um valor que eu estava disposta a pagar, acabei levando.

Antes de falar sobre o livro, uma reflexão: dizem que os artistas têm o poder de antever as tendências antes que elas se cristalizem no mundo real. Neal Stephenson faz isso de uma forma brilhante. No começo, pensei: “um jogador de Second Life que está fazendo do jogo um cenário pra sua obra”. Mas daí atinei que o livro foi escrito em… 1992. Lá, o potencial comercial da internet começava a ser conhecido, mas ainda não houvera a guerra dos navegadores, a popularização da banda larga, os avanços em tecnologia, o Google… era inimaginável. Quanto mais a viabilidade, acessibilidade e popularidade de um programa como o Second Life. Outra coisa que achei interessante é que, em determinado ponto da obra, Hiro, o protagonista, utiliza-se de um programinha bem parecido com o Google Earth…

Mas enfim. Comecei a ler o livro, achei o primeiro capítulo uma das coisas mais estranhas e confusas nas quais tive o prazer de pôr os olhos nos últimos tempos. Respirei fundo e pensei: “gastei 49 reais nesse livro, não vou me dar ao luxo de parar de ler na página 10…”.
Creio que foi a linguagem – jogada e extremamente blogueira, como uma conversa entre dois pós-adolescentes de alguma tribo urbana. No caso, como dois geeks, ou mesmo gamers. Talvez também um mundo que me causou uma estranheza extrema: a máfia entregando pizza???

Continuei a ler. Bom, a realidade, onde o Estado sofreu uma modificação brutal e agora as pessoas moram em cidades-estado franqueadas, me pareceu pueril, enquanto o Metaverso – o Second Life de lá, mas muito mais abrangente – me parecia extremamente real. Nesta realidade, acompanhamos Hiro – hacker e entregador de pizza – e Y.T. – uma menina estranha e courier, uma cruza entre office boy e skatista – na investigação sobre a Snow Crash – droga que pode trazer o colapso à civilização.

Dá para perceber que o autor pesquisou para escrever esse livro. Não apenas sobre tecnologia, mas com certeza deu uma boa pesquisada em semiótica, teoria da linguagem e história antiga também. Provavelmente também deve ter lido a teoria dos memes, de Richard Dawkins, ao elaborar sua própria teoria. E esse é um ponto que conta a favor da obra – o cuidado com a explicação ao leitor, o que a torna factível.

Achei muito interessante a associação entre a linguagem de programação de computadores com a linguagem humana, com a Babel humana. Só estranhei que ele não chegou na parte mais básica: a vida, como um programa de computador, parte da transcrição de uma linguagem quase binária – a transcrição do DNA e do RNA. São basicamente os zeros e uns onde nos escoramos para sermos nós, um cachorrinho bonitinho ou uma planta.

Mas enfim, o começo que não é muito animador – mas que logo se converte em um meio bastante animado – volta mais para o fim. O desfecho é corrido, achei de uma confusão desnecessária. Apesar do ritmo de brainstorm da história, achei algumas passagens forçadas e outras mal-aproveitadas. Quando Hiro explica os resultados de sua pesquisa, mais pra frente – ele sempre foi de poucas palavras e meio bobo para se articular e então de repente ele consegue demonstrar um conhecimento articulado e quase enciclopédico para seus companheiros? E mesmo o finalzinho, achei muito… sei lá. Jogado. O autor poderia ter trabalhado um pouquinho mais…

Só que não há como negar. Y.T. é irresistível…

Recomendo a leitura principalmente se o leitor sacar um pouco de programação E cultura geral. Vai rir bastante das referências. Fora isso, se gostar de um bom cyberpunk (apesar da obra não ser exatamente cyberpunk).

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3 Responses to Nevasca – Neal Stephenson

  1. Piaza says:

    Parece bem confuso…

  2. Pingback: Fluxograma para um leitor iniciante de ficção científica e fantasia « Leitura Escrita

  3. Pingback: Jogador nº1 – Ernest Cline « Leitura Escrita

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