Devoradores de Mortos – Michael Crichton

O mundo nem sempre foi do jeito que é hoje. O poder muda de mãos, o conhecimento, a riqueza… e todos eles se movimentam, espalham e retraem com o tempo. Por volta do século X, a vanguarda científica e tecnológica do mundo ocidental encontrava-se nos países árabes – bastante irônico se pensarmos em sua situação geopolítica atual, bem como em alguns pré-conceitos e preconceitos bastante disseminados. Ali, naquele momento histórico, estava centrado o ápice da civilização e da intelectualidade do mundo.

Agora, imagine que um árabe dê de cara com um povo bárbaro, diferente em tudo de sua própria cultura. Esse é um dos pontos de partida de Devoradores de Mortos, de Michael Crichton.

Michael Crichton era um escritor especialista em best-sellers, em todos os gêneros: romance, suspense, ficção científica, fantasia… Talvez o seu trabalho mais conhecido seja O Parque dos Dinossauros, que inspirou o filme – e vários dos seus livros acabaram por virar filme. (Devoradores de Mortos, inclusive, deu origem a O 13º Guerreiro).

Um ponto interessante é que a trama é trazida como relato histórico, inclusive com notas de rodapé produzidas pelo próprio autor, como se fosse um manuscrito antigo traduzido por ele. É uma escolha narrativa bastante interessante e que funciona muito bem na história a ser contada aqui – o ser que sai da metrópole e se encontra com os bárbaros e se espanta com a diferença de costumes e modo de vida.

Só que entramos aqui na segunda premissa da história: os bárbaros são nórdicos, liderados pelo lendário Beowulf. Será recontado então, através do olhar de um observador alienígena, que além de narrar a saga, dirá muito também sobre a cultura em que se insere. A trama não diz respeito apenas à busca do herói pelo monstro e pela mãe do monstro, mas a todo o processo, detalhes e minúncias envolvidos.

E, como a trama é revestida por uma aura de relato histórico, a explicação do monstro também tem algum senso de pseudo-ciência, o que acaba muito bem construído. Também é de se ressaltar o trabalho de pesquisa realizado pelo autor, que não tirou as explicações sobre os povos nórdicos e seus hábitos simplesmente de sua cabeça.

É um livro curto e de leitura fácil, temática interessante e uma boa introdução à obra de um autor tão versátil.

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