A Arte de Amar – Ovídio

Se há uma coisa em comum entre os dias atuais e os das pessoas de dois mil anos atrás (aliás, desde quando a primeira bactéria resolveu que reprodução sexuada era mais divertida do que reprodução assexuada) é a dificuldade para se conseguir um@ namorad@. Ciente da dificuldade dos jovens romanos, o poeta Ovídio resolveu escrever um guia ensinando-os a encontrar uma boa companhia.

Sim, isso mesmo! Uma das coisas que acho mais legais em ler textos antigos é perceber sua dose de atualidade. As pessoas de antigamente podem parecer épicas ou bárbaras, mas somos exatamente iguais a elas. A alma humana é a mesma: queremos conforto, temos dúvidas existenciais, preocupamo-nos com as pessoas próximas, refletimos sobre a vida e nos questionamos sobre o que vem depois. E, claro, nos preocupamos em saber com quem poderemos passar momentos românticos e agradáveis.

O livro de Ovídio diverte pela semelhança e pelo tom poético de dar conselhos tão simples. Há uma sessão ensinando a rapazes como conquistar moças (com conselhos simples e atuais como “frequente lugares onde as moças frequentam”, “tenha uma boa aparência – roupas arrumadas, cabelos arrumados, higiene em dia”, “tenha assunto com as moças”), por mais que alguns sejam reflexos de sua época machista – bom, mas mesmo para a época a mulher é respeitada, jamais sendo vista como ser inferior.

Há também uma sessão para, agora que você, rapazinho romano, conseguiu uma namorada, poder mantê-la por mais tempo. A seguinte é para você, mocinha romana, precaver-se sobre as artes ensinadas aos rapazes na hora de escolher seu novo namorado, ensinando-lhe as regras do jogo para que possa participar. E o último, também fundamental e com conselhos válidos até os dias atuais, é sobre como recuperar-se caso o relacionamento dê errado (contendo conselhos como “destrua as cartas de amor” e “deixe de frequentar os mesmos lugares para evitar encontros fortuitos”).

O próprio Ovídio faz a ressalva: esse é um guia de namoro, não de casamento. Nada das coisas sérias, apenas a curtição do amor casual, que posto que é chama seja eterno enquanto dure. E há detalhes como a postura que um amante deve ter nos momentos de maior intimidade (apesar de ser uma regra também tão simples: “toque-a e acaricie-a onde ela goste e permita, sem pudores”) e aconselha até mesmo a manter mais de um romance por vez, por que não?

Claro que existem as várias diferenças culturais entre os romanos de dois mil anos e as pessoas de hoje – ah, um detalhe, o livro foi considerado “imoral” pelo Imperador Augusto e Ovídio, por estes motivos e por outros mais políticos, banido para terras distantes – mas é uma leitura deliciosa sobre a arte da aproximação e conquista, com direito a várias referências e exemplos mitológicos e a simplicidade de quem ensina a mais prosaica das coisas.

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Até a próxima!

Talvez tenha mais alguma resenha em 2011, mas não prometo =P

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6 Responses to A Arte de Amar – Ovídio

  1. Alexandre disse:

    O curioso é que em um certo nível isso me lembra do porquê eu não via graça em um clone dos Flintstones chamado Os Muzzarelas (the Roman Holidays). Os Flintstones tinham graça pelo contraste, pelos filés de brontossauro, e bizarrices do tipo. Os Muzzarelas simplesmente não tinham graça porque se tirassem as togas e fizessem o desenho nos dias de hoje, não faria diferença nenhuma.
    Hoje eu vejo a República Romana – tanto quanto o Império – como a exposição de como realmente somos, ainda hoje, só que sem retoques nem nada para polir ou tornar aceitável. Diabos, curtir Vale-Tudo, ter uma classe política pouco confiável e outras coisas piores ainda são o quê?

  2. Allana disse:

    Adoro esse livro, sério. Desde que tive que ler por obrigação (o que descobri ser uma obrigação deliciosamente divertida), está entre os meus favoritos.

  3. andreia disse:

    Me indentifiquei com a obra,foi muito prazeroso.

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